Assassinado que foi a filosofia no último post (sem dó nem piedade, mesmo à pirata, ARRRHG), não queria deixar de assinalar o que é porventura o seu último suspiro, a capacidade humana de compreender e analisar o mundo segundo uma ideia. Ou muitas ideias. Gostaria de vos mostrar um exemplo fantástico de tal acontecimento, um momento único nas vossas vidas que vos vai deixar siderados de tanta sabedoria e fé, juntos numa verdade inabalável.
Aqui vos deixo Alex Chiu e as suas enormes descobertas. Leiam devagar e com calma, com especial atenção aos já clássicos "What is it like in the future", "How to unite the entire world" e "What is GOD". Há imenso para ler, e o estômago pode não aguentar de tanto solavanco incontrolável.
Não digam que não vos avisei!
segunda-feira, março 21, 2005
Pirata? Presente !!!
Não me apetecem palavras. Nem filosofias. Nem sentidos da vida. Nem sonhos por realizar ou dias por sonhar. Não quero metafísica. Nem saudade. Nem nostalgia. Nem solidão. Não quero desejo ou raiva. Não quero medo ou alegria. Não quero emoções fúteis e voláteis.
Quero nada. Não quero nada para além de estar aqui, agora. Só me importa o presente estúpido e irrepetível. O presente omnipotente. O presente que é a zona de contacto entre a caneta da nossa vontade e o papel em branco da nossa vida por acontecer. Estamos no limbo entre o ontem e o amanhã. Entre o passado longínquo e o futuro distante está a ténue linha divisória marcada pelo nosso corpo insignificante e pela nossa mente criadora. Fora disto os dias são apenas repetições infindávei de horas vazias.
O ontem é a lembrança que ficou de um dia que nunca existiu.
O futuro é a esperança de um dia que nunca virá.
Tudo o que sucede, sucede no Presente. Nunca ninguém escreveu uma carta no passado ou comeu uma sandes no futuro.
Por hoje é tudo. (Deste Presente para qualquer outro Presente vai um hiato infinito de presentes como numa recta sem fim. Podemos definir um segmento de recta entre o meu Presente e o vosso. O nosso segmento de recta. Já é alguma coisa, não? )
Quero nada. Não quero nada para além de estar aqui, agora. Só me importa o presente estúpido e irrepetível. O presente omnipotente. O presente que é a zona de contacto entre a caneta da nossa vontade e o papel em branco da nossa vida por acontecer. Estamos no limbo entre o ontem e o amanhã. Entre o passado longínquo e o futuro distante está a ténue linha divisória marcada pelo nosso corpo insignificante e pela nossa mente criadora. Fora disto os dias são apenas repetições infindávei de horas vazias.
O ontem é a lembrança que ficou de um dia que nunca existiu.
O futuro é a esperança de um dia que nunca virá.
Tudo o que sucede, sucede no Presente. Nunca ninguém escreveu uma carta no passado ou comeu uma sandes no futuro.
Por hoje é tudo. (Deste Presente para qualquer outro Presente vai um hiato infinito de presentes como numa recta sem fim. Podemos definir um segmento de recta entre o meu Presente e o vosso. O nosso segmento de recta. Já é alguma coisa, não? )
domingo, março 20, 2005
the meaning of life
E sem querer dei comigo a tentar explicar a uma querida amiga ql o sentido de um blog e o que leva a que farturas rançosas e ocupadas com outros disparates como esta que aqui vos escreve perca tempo a escrever para esta multidão de ninguém… David Bowie numa das suas musicas falava em qq coisa como “litle wonders”... Pequenas vitorias diárias que temos constantemente e que guardamos para nós. Coisas sem interesse nenhum para qualquer estranho, letras de músicas, afirmações em sentido, dúvidas pertinentes, filosofias baratas, ou puro e simples disparate gratuito…. mas que afinal são coisas que nos definem como pessoas e como elementos de um grupo.
Muitas vezes é a tomada de consciência dessas litle wonders diárias que nos torna diferentes… a questão é pq não partilhar? Seria uma espécie de conversa à mesa de jantar, num tempo em que a telenovela da vida real (telejornal) domina essa hora sagrada de comunicação familiar, pq ñ inventar novas formas de aprendizagem? Se muitos dos inexistentes e indesejados visitantes são meus amigos pq não partilhar? Se eles se encontram em tamanho estado de desespero emocional, se as suas vidas sócias estão assim tão acabadas, pq não?? Porque tenho mais que fazer…
querem uma vida? Comprem!!!!
Cambada de oleosos!!!!!
Muitas vezes é a tomada de consciência dessas litle wonders diárias que nos torna diferentes… a questão é pq não partilhar? Seria uma espécie de conversa à mesa de jantar, num tempo em que a telenovela da vida real (telejornal) domina essa hora sagrada de comunicação familiar, pq ñ inventar novas formas de aprendizagem? Se muitos dos inexistentes e indesejados visitantes são meus amigos pq não partilhar? Se eles se encontram em tamanho estado de desespero emocional, se as suas vidas sócias estão assim tão acabadas, pq não?? Porque tenho mais que fazer…
querem uma vida? Comprem!!!!
Cambada de oleosos!!!!!
sexta-feira, março 18, 2005
Labirinto
Palavras. Já repararam que toda a nossa realidade social é formada por palavras? Ah... é igual a ter reparado que respiramos... pior dizem... mas é que sabem, às vezes é bom lembrar, porque distraídos como somos, ainda nos esquecemos!! O problema é que tomamos as palavras como dadas, como denominadores comuns da nossa vivência conjunta, em sociedade.
Em boa verdade, gostamos até do perfeccionismo da comunicação e há quem viva a ilusão de que todas as ambiguidades e equívocos são um obstáculo ao desenvolvimento, pois retraem a confiança (e o encontro em geral) e que deverão ser portanto anuladas. Tal como nos computadores, em que não há nada mais claro do que zero e um, também na linguagem tudo DEVE estar bem.
Mas que delírio mental!! Que desilusão !!
Proclamo a autoridade da ambiguidade, do equívoco e da incapacidade de comunicação como potências e não desgraças! Pois foi precisamente a nossa incapacidade de memória (total) e incomunicabilidade que promoveu a diversidade semântica e cultural de todos nós, assim como os erros genéticos geraram a biodiversidade existente. Viva o erro! Viva a esquizofrenia! A mutabilidade e mobilidade conceptual das palavras.
Pois meus caros, foi assim mesmo que elas surgiram. Cada palavra não é mais do que uma figura de estilo sobre outra palavra, sem princípio nem fim, sem território mas sim uma "atitude", uma personalidade. Um mundo dentro de cada palavra que é o dicionário inteiro. Um dicionário completamente esquizofrénico e delirante!!
Uma "matriz" em si mesma.
Um sistema em si mesmo incapaz de se auto-definir e auto-compreender.
Um sistema no fundo incapaz de se destruir e reconstruir de novo, qual ilusão modernista baseada em sonhos alheados da realidade das coisas.
Um sistema que se recusa a ser uma equação!
E andamos nós a fazermo-nos de higiénicos e científicos, precisos técnicos máquinas avassaladoras e inevitáveis... sobre uma linguagem de malucos! Ah... que imbecis nós somos!
Em boa verdade, gostamos até do perfeccionismo da comunicação e há quem viva a ilusão de que todas as ambiguidades e equívocos são um obstáculo ao desenvolvimento, pois retraem a confiança (e o encontro em geral) e que deverão ser portanto anuladas. Tal como nos computadores, em que não há nada mais claro do que zero e um, também na linguagem tudo DEVE estar bem.
Mas que delírio mental!! Que desilusão !!
Proclamo a autoridade da ambiguidade, do equívoco e da incapacidade de comunicação como potências e não desgraças! Pois foi precisamente a nossa incapacidade de memória (total) e incomunicabilidade que promoveu a diversidade semântica e cultural de todos nós, assim como os erros genéticos geraram a biodiversidade existente. Viva o erro! Viva a esquizofrenia! A mutabilidade e mobilidade conceptual das palavras.
Pois meus caros, foi assim mesmo que elas surgiram. Cada palavra não é mais do que uma figura de estilo sobre outra palavra, sem princípio nem fim, sem território mas sim uma "atitude", uma personalidade. Um mundo dentro de cada palavra que é o dicionário inteiro. Um dicionário completamente esquizofrénico e delirante!!
Uma "matriz" em si mesma.
Um sistema em si mesmo incapaz de se auto-definir e auto-compreender.
Um sistema no fundo incapaz de se destruir e reconstruir de novo, qual ilusão modernista baseada em sonhos alheados da realidade das coisas.
Um sistema que se recusa a ser uma equação!
E andamos nós a fazermo-nos de higiénicos e científicos, precisos técnicos máquinas avassaladoras e inevitáveis... sobre uma linguagem de malucos! Ah... que imbecis nós somos!
quarta-feira, março 16, 2005
the time is now - Moloko
You're my last breathe
You're a breathe of fresh air to me
Hi, I'm empty
So tell me you care for me
You're the first thing
And the last thing on my mind
In your arms I feel
Sunshine
On a promise
A day dream yet to come
Time is upon us
Oh but the night is young
Flowers blossom
In the winter time
In your arms I feel
Sunshine
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
You may find yourself
Out on a limb for me
Could you expect it as
A part of your destiny
I give all I have
But it's not enough
And my patience is shot
So I'm calling your bluff
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment ... last
And we gave it time
All eyes are on the clock
But time takes too much time
Please make the waiting stop
And the atmosphere is charged.
In you I trust.
And I feel no fear as
I Do as I must.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Tempted by fear
And I won't hesitate
The time is now
And I can't wait
I've been empty too long
The time is now
The tender night has gone
And the time has gone
Let's make this moment last
And the night is young
The time is now.
Let's make this moment last.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment ... last.
You're a breathe of fresh air to me
Hi, I'm empty
So tell me you care for me
You're the first thing
And the last thing on my mind
In your arms I feel
Sunshine
On a promise
A day dream yet to come
Time is upon us
Oh but the night is young
Flowers blossom
In the winter time
In your arms I feel
Sunshine
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
You may find yourself
Out on a limb for me
Could you expect it as
A part of your destiny
I give all I have
But it's not enough
And my patience is shot
So I'm calling your bluff
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment ... last
And we gave it time
All eyes are on the clock
But time takes too much time
Please make the waiting stop
And the atmosphere is charged.
In you I trust.
And I feel no fear as
I Do as I must.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment last
Tempted by fear
And I won't hesitate
The time is now
And I can't wait
I've been empty too long
The time is now
The tender night has gone
And the time has gone
Let's make this moment last
And the night is young
The time is now.
Let's make this moment last.
Give up yourself unto the moment
The time is now
Give up yourself unto the moment
Let's make this moment ... last.
terça-feira, março 15, 2005
Uma duvida
Uma duvida tem assombrado a minha existência desde a minha mais tenra idade….. se um deficiente motor tiver motorista, ainda tem direito ao lugar especial?
domingo, março 13, 2005
Terrorismo
Confesso que tal Nuno Rogeiro tenho andado um pouco preocupado com essa problemática da moda os tais “11 de…” uma espécie de “13 de..” mas para crentes de outro culto…. A diferença é que uns se auto-flagelam com banho tomado e os planos bem organizados, e os outros… cheiram a caril… mas no fundo o propósito é o mesmo.. Acho que vou ser obrigado a admitir que essa coisa de um tipo se suicidar é uma coisa chata… principalmente agora que chegou a Portugal…. mais do que isso.. é irritante… Mania de se matarem para a televisão… só querem é protagonismo….se se.querem matar matem-se no sossego das suas casas rebentem com as vossas sogras, os vossos cães e com os vossos gatos agora não venham incomodar as outras farturas com as vossas entranhas…. Caramba! exibicionistas de um raio..
Não foi muito divulgado nos média, mas esta fartura sabe de fonte segura que no passado dia 11 de Março uns certos Nacionalistas obscuros e qse desconhecidos fizeram rebentar 4 bombas no dragão…….
Eles andam ai….
Não foi muito divulgado nos média, mas esta fartura sabe de fonte segura que no passado dia 11 de Março uns certos Nacionalistas obscuros e qse desconhecidos fizeram rebentar 4 bombas no dragão…….
Eles andam ai….
segunda-feira, março 07, 2005
Piratarias...
Oh-oh-oh, uh-uh-uh, ah-ha-ha...
ou qq outra merda que os piratas gritem ao atacar e tomar posse de um navio.
Sixteen men on a dead man's chest...yo ho ho and a bottle of rum
Sou feio, porco e mau. Tenho uma perna de pau e um gancho de ferro. Uma órbita vazia esconde-se por trás da pala negra que trago sempre comigo.
A minha profissão consiste em roubar, violar, estropiar, matar, perseguir, açoitar...isto da parte da manhã. À tarde, nas horas de expediente, costumo insultar, pontapear, atiçar, espancar, atirar marinheiros aos tubarões... o normal...
Fora isso sou uma pessoa sociável, sensível, carinhosa. Gosto de recitar poesia, fazer pinturas do sol poente e colher florzinhas na Primavera...
ME LIGA VAI.
ou qq outra merda que os piratas gritem ao atacar e tomar posse de um navio.
Sixteen men on a dead man's chest...yo ho ho and a bottle of rum
Sou feio, porco e mau. Tenho uma perna de pau e um gancho de ferro. Uma órbita vazia esconde-se por trás da pala negra que trago sempre comigo.
A minha profissão consiste em roubar, violar, estropiar, matar, perseguir, açoitar...isto da parte da manhã. À tarde, nas horas de expediente, costumo insultar, pontapear, atiçar, espancar, atirar marinheiros aos tubarões... o normal...
Fora isso sou uma pessoa sociável, sensível, carinhosa. Gosto de recitar poesia, fazer pinturas do sol poente e colher florzinhas na Primavera...
ME LIGA VAI.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
long time no see
Entao como vai isso? Tás melhor do pé?? Quando é que estás em casa para eu te fazer uma visita?
sábado, janeiro 29, 2005
A utilidade do futebol
Não deixa de ser uma pergunta que de vez em quando bate na minha cabeça como uma pedra. Para que é que serve aquela merda? Também vi um pouco do jogo às três pancadas, pareceu-me que o Sporting merecia mais ganhar, nem que seja porque a arrogância perene e sempre presente do Benfica (o maior clube do mundo, quiçá da Europa!) me irrita constantemente. Mas aquilo que assisti com maior regularidade foram as emoções das pessoas que viam o jogo e quando a sua equipa conseguia meter uma bola dentro de uma rede gritavam e esbracejavam, quais macacos e macaquinhas, parecia o National Geographic live. Quando o inverso acontecia, mãos na cabeça e desilusão.
Não me tome o leitor por um "afastado" das lides do futebol, ausente destes rituais pagãos como muito bem descreveu a fartura, como se eu fosse um Saramago e vivesse numa ilha quase deserta, donde as minhas escritas se emanassem como se do lado de fora da humanidade. Não sou hipócrita! Muito pelo contrário, interesso-me por estas coisas, e aproveito o facto de o meu clube não ter estado presente (e por conseguinte, as minhas emoções também não) para ter presenciado um ritual de fora.
E pergunto-me: qual a utilidade do futebol? Uma pergunta que ultrapassa o simplismo de responder "entretenimento", pois isso é coisa que não existe. Um bom filme é sempre mais que entretenimento, um bom jantar entre amigos, uma saída, uma dança, uma viagem ao Porto. Não pense também o leitor que me passa pela cabeça perguntar qual o sentido da vida nestas palavras. Pergunto qual o sentido destas coisas na nossa vida. O que faz o futebol? Tento responder, ou melhor esboçar uma resposta...
Guerra.
Luta.
Duelo.
Conceitos interessantes. A dualidade do confronto. É um encontro, que giro. Um encontro entre personalidades de grupo, aka Clubes desportivos. Cada clube a sua personalidade, a sua garra, a sua terra. Antes, cada homem era membro do clube da sua terra. Hoje não mais, cada homem ao clube que "mais" gosta, fruto da desterritorialização do mundo, aka globalização. Então, restam as personalidades do clube, que lutam contra outras personalidades. Repare-se na incongruência. Se houver outro clube que de repente represente melhor a personalidade que admiramos, tornamo-nos adeptos desse clube? A resposta é sim. Veja-se o meu caso, em que me tornei semi-adepto (embora de longe) do Chelsea. O que nos mantém no "nosso" clube é outra coisa também, a nossa teimosia da coerência, da autenticidade. Algo da verdade. Se há coisa que não suportamos é alguém que se diz benfiquista num momento (da vitória) e portista no momento a seguir.
O futebol é teatro. Teatro de clubes representado personalidades que nos representam. É uma representação de representação de representações. Um simulacro, que não nos afecta directamente, mas com um enorme impacto nas nossas vidas. Porque é que nos deixamos abater quando uma Grécia ganha a Portugal? Porque é que nos deixamos sequer depender de tal resultado? Não deveríamos aspirar à liberdade? Acreditamos que somos aquele que nos representa, e se essa representação perde, entristecemos, talvez porque no nosso inconsciente deixamos de acreditar um pouquinho nas nossas capacidades. Sentimo-nos um pouco mais fraco.(Talvez a resposta à crise portuguesa fosse a vitória do Benfica na superliga! (Porra!))
É emocionante. O que ontem perguntei foi outra coisa no entanto. O que vai na mente de uma pessoa como o Mourinho, ou o Ronaldo, ou o Deco, etc? Realmente acreditam no que fazem como útil? Impossível. Não criam riqueza, apenas a extraem dos adeptos. Mas como é que tal sucção vampiresca atrai personalidades ao mesmo tempo tão intensas, preserverantes, verdadeiras e honestas, lutadoras, tudo valores ao que associamos ao bem?
Não interessa a utilidade, foi a resposta. O que interessa é no momento termos sido feitos para aquilo. Aquele momento em que sentimos que toda a nossa vida fez sentido para nos colocar naquele relvado contra aquele adversário, e nem pensamos naquilo que fazemos, nem sequer o fazemos, Somo-lo. E é esta totalidade de espírito, de aspiração divina à totalidade do momento que os inspira e os faz humanos. Invejo-os de certo modo! A utilidade das coisas nem sequer é uma pergunta que se deveria fazer. Haverá sempre inutilidades na nossa vida, às quais investimos muitas vezes a totalidade do nosso ser, e é engraçado reparar que costuma ser no campo das inutilidades que colocamos a segurança da nossa existência, a nossa morada, o nosso refúgio.
É bom ver esta totalidade, testemunhá-la, nem que seja numa formatação televisiva, é bom ver que estas coisas existem de facto. Mas será infinitamente melhor vivê-la, e duvido que se consiga isso como adepto.
Não me tome o leitor por um "afastado" das lides do futebol, ausente destes rituais pagãos como muito bem descreveu a fartura, como se eu fosse um Saramago e vivesse numa ilha quase deserta, donde as minhas escritas se emanassem como se do lado de fora da humanidade. Não sou hipócrita! Muito pelo contrário, interesso-me por estas coisas, e aproveito o facto de o meu clube não ter estado presente (e por conseguinte, as minhas emoções também não) para ter presenciado um ritual de fora.
E pergunto-me: qual a utilidade do futebol? Uma pergunta que ultrapassa o simplismo de responder "entretenimento", pois isso é coisa que não existe. Um bom filme é sempre mais que entretenimento, um bom jantar entre amigos, uma saída, uma dança, uma viagem ao Porto. Não pense também o leitor que me passa pela cabeça perguntar qual o sentido da vida nestas palavras. Pergunto qual o sentido destas coisas na nossa vida. O que faz o futebol? Tento responder, ou melhor esboçar uma resposta...
Guerra.
Luta.
Duelo.
Conceitos interessantes. A dualidade do confronto. É um encontro, que giro. Um encontro entre personalidades de grupo, aka Clubes desportivos. Cada clube a sua personalidade, a sua garra, a sua terra. Antes, cada homem era membro do clube da sua terra. Hoje não mais, cada homem ao clube que "mais" gosta, fruto da desterritorialização do mundo, aka globalização. Então, restam as personalidades do clube, que lutam contra outras personalidades. Repare-se na incongruência. Se houver outro clube que de repente represente melhor a personalidade que admiramos, tornamo-nos adeptos desse clube? A resposta é sim. Veja-se o meu caso, em que me tornei semi-adepto (embora de longe) do Chelsea. O que nos mantém no "nosso" clube é outra coisa também, a nossa teimosia da coerência, da autenticidade. Algo da verdade. Se há coisa que não suportamos é alguém que se diz benfiquista num momento (da vitória) e portista no momento a seguir.
O futebol é teatro. Teatro de clubes representado personalidades que nos representam. É uma representação de representação de representações. Um simulacro, que não nos afecta directamente, mas com um enorme impacto nas nossas vidas. Porque é que nos deixamos abater quando uma Grécia ganha a Portugal? Porque é que nos deixamos sequer depender de tal resultado? Não deveríamos aspirar à liberdade? Acreditamos que somos aquele que nos representa, e se essa representação perde, entristecemos, talvez porque no nosso inconsciente deixamos de acreditar um pouquinho nas nossas capacidades. Sentimo-nos um pouco mais fraco.(Talvez a resposta à crise portuguesa fosse a vitória do Benfica na superliga! (Porra!))
É emocionante. O que ontem perguntei foi outra coisa no entanto. O que vai na mente de uma pessoa como o Mourinho, ou o Ronaldo, ou o Deco, etc? Realmente acreditam no que fazem como útil? Impossível. Não criam riqueza, apenas a extraem dos adeptos. Mas como é que tal sucção vampiresca atrai personalidades ao mesmo tempo tão intensas, preserverantes, verdadeiras e honestas, lutadoras, tudo valores ao que associamos ao bem?
Não interessa a utilidade, foi a resposta. O que interessa é no momento termos sido feitos para aquilo. Aquele momento em que sentimos que toda a nossa vida fez sentido para nos colocar naquele relvado contra aquele adversário, e nem pensamos naquilo que fazemos, nem sequer o fazemos, Somo-lo. E é esta totalidade de espírito, de aspiração divina à totalidade do momento que os inspira e os faz humanos. Invejo-os de certo modo! A utilidade das coisas nem sequer é uma pergunta que se deveria fazer. Haverá sempre inutilidades na nossa vida, às quais investimos muitas vezes a totalidade do nosso ser, e é engraçado reparar que costuma ser no campo das inutilidades que colocamos a segurança da nossa existência, a nossa morada, o nosso refúgio.
É bom ver esta totalidade, testemunhá-la, nem que seja numa formatação televisiva, é bom ver que estas coisas existem de facto. Mas será infinitamente melhor vivê-la, e duvido que se consiga isso como adepto.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
O álibi político das utopias tecnológicas II
Concordo… Essas histórias das novas energias por enquanto ainda é a banha da cobra… mas se calhar posso te acrescentar uns dados curiosos ao teu post que não merecem ficar perdidos para sempre num comentário….
Vamos ver ql é o rendimento real de uma lâmpada incandescente de 60watts que temos em casa…
A central térmica mais avançada da Europa é tuga e está ali para os lados do carregado… e conseguiu o fantástico rendimento de 55%.. (é a base de gás utiliza a dupla passagem do vapor pela turbina (uma espécie de intercooler) e veio substituir as velhas centras a carvão que ali estavam ao lado e tinham um rendimento de qse 33%) . mas para essa central térmica trabalhar é preciso primeiro extrair o gás natural… e esse é um processo que também tem custos energéticos elevados… para evitar as confusões de conversões de poderes caloríficos superiores e inferiores em kw e rendimentos de máquinas, centrais de bombagem, custos de arrefecimento e perdas… vamos simplificar isso para 40% do total extraído…um valor se calhar demasiado simpático… e pronto temos gás, temos central térmica.. temos energia… agora vamos ter que a transformar em trifásica, transportar e voltar a transformar em monofasica… ora bem… 10% de perda para os cabos de alta tensão mais ai 40% para as transformações… e pronto.. tens a energia a tua porta… mas tens novamente o problema que os teus cabos em casa são uma merda e aquecem…. Tira lá mas 10% até a electricidade chegar à tua lâmpada….e depois sabes q a tua lâmpada tb tem um rendimento… ai 70% se for uma lâmpada muito boa…. Vamos esquecer que grande parte da luz se trasnforma em calor ou vamos começar a obter valores ridículos…. E pronto… tens a bela da electricidade em tua casa… agora que tens os rendimentos todos queres mesmo fazer as contas de quanto gastas de energia ao planeta sempre que ligas uma merda de uma lâmpada lá em casa? Fazias ideia??? Ou achas mesmo que aquilo q gastas de energia é aquilo que vem na factura?
100*0,40*0,55*(1-0,40)*(1-0,1)*(1-0,4)*(1-0,1)*0,7= 44,25..
Ou seja se tivesses e energia equivalente (utilizando um gás com um PCI constante) a 100KW numa reserva de gás.. na melhor das melhores das hipóteses.. e sendo sempre muito optimista chegada 44,25KW a tua casa… e depois tinhas que ir ver dessa lâmpada quanta luz é que tu utilizavas…. Por exemplo podes ter uma lâmpada acesa em casa durante 10 horas mas na realidade apenas precisares dela durante 8….. ( o que é muito mais comum do que supomos…) sem contar com a energia extras de acender uma lâmpada… nesse caso a energia útil baixava para 44,25*,8= 35,4 Kw….. isto contas por baixo……… dá que pensar não dá?
Vamos ver ql é o rendimento real de uma lâmpada incandescente de 60watts que temos em casa…
A central térmica mais avançada da Europa é tuga e está ali para os lados do carregado… e conseguiu o fantástico rendimento de 55%.. (é a base de gás utiliza a dupla passagem do vapor pela turbina (uma espécie de intercooler) e veio substituir as velhas centras a carvão que ali estavam ao lado e tinham um rendimento de qse 33%) . mas para essa central térmica trabalhar é preciso primeiro extrair o gás natural… e esse é um processo que também tem custos energéticos elevados… para evitar as confusões de conversões de poderes caloríficos superiores e inferiores em kw e rendimentos de máquinas, centrais de bombagem, custos de arrefecimento e perdas… vamos simplificar isso para 40% do total extraído…um valor se calhar demasiado simpático… e pronto temos gás, temos central térmica.. temos energia… agora vamos ter que a transformar em trifásica, transportar e voltar a transformar em monofasica… ora bem… 10% de perda para os cabos de alta tensão mais ai 40% para as transformações… e pronto.. tens a energia a tua porta… mas tens novamente o problema que os teus cabos em casa são uma merda e aquecem…. Tira lá mas 10% até a electricidade chegar à tua lâmpada….e depois sabes q a tua lâmpada tb tem um rendimento… ai 70% se for uma lâmpada muito boa…. Vamos esquecer que grande parte da luz se trasnforma em calor ou vamos começar a obter valores ridículos…. E pronto… tens a bela da electricidade em tua casa… agora que tens os rendimentos todos queres mesmo fazer as contas de quanto gastas de energia ao planeta sempre que ligas uma merda de uma lâmpada lá em casa? Fazias ideia??? Ou achas mesmo que aquilo q gastas de energia é aquilo que vem na factura?
100*0,40*0,55*(1-0,40)*(1-0,1)*(1-0,4)*(1-0,1)*0,7= 44,25..
Ou seja se tivesses e energia equivalente (utilizando um gás com um PCI constante) a 100KW numa reserva de gás.. na melhor das melhores das hipóteses.. e sendo sempre muito optimista chegada 44,25KW a tua casa… e depois tinhas que ir ver dessa lâmpada quanta luz é que tu utilizavas…. Por exemplo podes ter uma lâmpada acesa em casa durante 10 horas mas na realidade apenas precisares dela durante 8….. ( o que é muito mais comum do que supomos…) sem contar com a energia extras de acender uma lâmpada… nesse caso a energia útil baixava para 44,25*,8= 35,4 Kw….. isto contas por baixo……… dá que pensar não dá?
Por fim um momento de reflexão nacional…
Neste dia de drama, tristeza e até mesmo tragédia, aproveito o facto de estar de molho durante mais uns dias, para partir ver as opiniões das pessoas em relação ao derbie de 2ª circular… Um dos melhores jogos que alguma vez me lembro de ter visto… (estranho no entanto como tantas pessoas viram outro jogo completamente diferente do meu….) mas não vamos por ai... Quem tem cú tem uma opinião… e pelos vistos a verdade desportiva é apenas mais um exemplo de que não existe uma verdade global… mas pronto, depois de descobrir que de acordo com os regulamentos da FIFA ( e não da UEFA) o arbitro deveria ter expulso metade da equipe do Benfica e a totalidade da equipe do Sporting, que o treinador do Benfica tem uma mãe de profissão duvidosa e que toda a gente do Sporting, incluindo treinador, presidente, roupeiro, claques e por ventura um ou outro adepto não merece sequer ser considerado por falta de classe, proponho que mudemos de tópico, aproveitando para deixar os meus parabéns de perdedor à equipe que teve mais sorte… a propósito… alguém sabe onde posso comprar um cachecol do belenenses ou do estrela da amadora para tb poder torcer por alguém na final??
Hoje mais do que num dia de eleições é dia de debate nacional... hoje nem o mais sensacionalista dos jornais estaria interessado no pobre senhor que nunca tinha visto neve, mas que afinal era cego (AFALFALAS TOOOOODAS!!!!!!! Hehe! ) hoje é dia de derbie… hoje é dia de tentar descobrir todas as falhas dos árbitros e tentar massacrar a equipa que perdeu com os golos dos adversários, de tentar despedir treinadores, de recuperar alegados comentadores desportivos da prateleira para ouvir mais uma opinião duvidosa na objectividade. E pior, hoje é dia em que os portugueses rumam as bancas para comprar os jornais desportivos para obterem todas as migalhas de informação possíveis e imaginárias de um jogo, que neste caso durou 120min…. Mas que agora se prolonga por semanas de conversas de cafés de discussões ocasionais entre amigos…. Ora bem… a minha teoria é a seguinte… o que é que um jogo tem que a vida real não tem??
O que é q faz com que de repente milhões de Portugueses passem a querer estar conscientes da realidade que os rodeia? O que será que faz com que eles queiram se instruir mais sobre um determinado assunto? Que busquem saber na opinião de outras pessoas? (ainda que muitas vezes essas pessoas tenham uma opinião que vale tanto como a sua...) o que faz com que comprem e leiam jornais? Que força tem o desporto que faz com que as pessoas se encontram nos cafés e discutam a bola e não sejam capazes de se interessar pela linha económica desastrosa para o país que os dois principiais partidos apresentam ao país nas próximas eleições? O que faz com que seja importante a declaração do Sr. José Peseiro a dizer que o Sr. João Pereira estava a enganar os adeptos do estádio e ninguém ligar importância quando o Sr. Santana Lopes chame “mariquinhas” ao Sr. José Sócrates num contexto que ainda está por provar? (pelos vistos de acordo com os boatos não desmentidos podemos vir a ter um primeiro ministro homossexual que ainda não saiu do armário…. O que é uma tristeza… porque de acordo com as mulheres com quem tenho falado o Sr. Diogo Infante traria um colorido muito apelativo para estas eleições… seria uma espécie de Barbara Guimarães, mas para as mulheres e para os gays….) e pronto… fugi do assunto… e perdi o indesejado leitor…
É sobejamente conhecido que o futebol tem mais adeptos no mundo do que qualquer religião do mundo... dai epítetos lamentáveis como “ a maior religião do mundo” apensar de não se venerar nenhum deus, e de aproveitamentos comerciais como “ a bíblia do futebol” numa tentativa reles de se aproximar as sagradas escrituras…. Uma tentativa de aproximar um jogo totalmente humano e pautado por erros humanos ao divino sobrenatural… uma espécie de culto pagão à relva e à virilidade masculina... Mas o que será que faz com que as pessoas se importem que seja este ou aquele jogador a estar em campo ou que seja ou não falta e não se importem que haja ou não cuidados de saúde ou que haja ou não segurança nas ruas… não sei responder… mas posso ajudar a resposta… o espectáculo… a emoção… (ainda gostava de saber qtos ataques de coração despoletou o 3-3 do malfadado Simão Sabrosa….) é um jogo de humanos mas que mexe com os sentimentos … as pessoas vivem o ambiente… durante aqueles minutos são outras… ninguém qr saber se são ricas ou pobres… brancas, verdes ou pretas…ninguém qr saber qm são as pessoas do lado… jogo é jogo… é tudo uma questão de se ganhar ou de se perder… de se apostar no cavalo certo…ser melhor do que os outros… de se superar a si próprio… ainda que pelos braços e pernas de outros… toda a gente pode jogar a bola... mas aqueles 11 tipos são os tipos que nos representam perante o mundo... São eles que fazem o nosso lugar… mas do que um jogo, é uma forma de nos superar-mos a nós próprios… Einstein costumava dizer que deus não jogava aos dados quando se referia a perfeição mecânica da humanidade… mas acho que se passa exactamente o contrário com os humanos… nos gostamos do risco... gostamos de apostar... de tentar ganhar o nosso lugar no Olimpo…de sermos melhor, mais perspicazes... mais atléticos… mais qualquer coisa… é por isso que era importante que os políticos pudessem motivar os portugueses… o orgulho nacional… o querer ser melhor do que os outros... não num jogo… mas na vida de todos os dias… o euro foi um principio para as pessoas começarem a sentir orgulho no seu pais… mas é preciso mais… somos mais do que futebol e temos q perceber isso… mais do que qualquer coisa precisamos de brio e de acreditar que somos capazes… pq se tivermos isso podemos ganhar todos os derbies é só encarar os outros países como clubes inimigos numa rivalidade saudável... por exemplo Espanha pode ser o nosso Benfica que queremos vencer categoricamente… é só uma ideia de um invalido que tem tempo a mais para matar!!!! Mas é preciso motivar as tropas… é preciso acreditar que somos capazes… somos o treinador de um pais que precisa de nós para não descer mais uma vez de divisão… qualquer dia estamos nos distritais a lutar pelo penúltimo lugar… é preciso raça.. ou por outras palavras…
Esforço dedicação e glória!
Hoje mais do que num dia de eleições é dia de debate nacional... hoje nem o mais sensacionalista dos jornais estaria interessado no pobre senhor que nunca tinha visto neve, mas que afinal era cego (AFALFALAS TOOOOODAS!!!!!!! Hehe! ) hoje é dia de derbie… hoje é dia de tentar descobrir todas as falhas dos árbitros e tentar massacrar a equipa que perdeu com os golos dos adversários, de tentar despedir treinadores, de recuperar alegados comentadores desportivos da prateleira para ouvir mais uma opinião duvidosa na objectividade. E pior, hoje é dia em que os portugueses rumam as bancas para comprar os jornais desportivos para obterem todas as migalhas de informação possíveis e imaginárias de um jogo, que neste caso durou 120min…. Mas que agora se prolonga por semanas de conversas de cafés de discussões ocasionais entre amigos…. Ora bem… a minha teoria é a seguinte… o que é que um jogo tem que a vida real não tem??
O que é q faz com que de repente milhões de Portugueses passem a querer estar conscientes da realidade que os rodeia? O que será que faz com que eles queiram se instruir mais sobre um determinado assunto? Que busquem saber na opinião de outras pessoas? (ainda que muitas vezes essas pessoas tenham uma opinião que vale tanto como a sua...) o que faz com que comprem e leiam jornais? Que força tem o desporto que faz com que as pessoas se encontram nos cafés e discutam a bola e não sejam capazes de se interessar pela linha económica desastrosa para o país que os dois principiais partidos apresentam ao país nas próximas eleições? O que faz com que seja importante a declaração do Sr. José Peseiro a dizer que o Sr. João Pereira estava a enganar os adeptos do estádio e ninguém ligar importância quando o Sr. Santana Lopes chame “mariquinhas” ao Sr. José Sócrates num contexto que ainda está por provar? (pelos vistos de acordo com os boatos não desmentidos podemos vir a ter um primeiro ministro homossexual que ainda não saiu do armário…. O que é uma tristeza… porque de acordo com as mulheres com quem tenho falado o Sr. Diogo Infante traria um colorido muito apelativo para estas eleições… seria uma espécie de Barbara Guimarães, mas para as mulheres e para os gays….) e pronto… fugi do assunto… e perdi o indesejado leitor…
É sobejamente conhecido que o futebol tem mais adeptos no mundo do que qualquer religião do mundo... dai epítetos lamentáveis como “ a maior religião do mundo” apensar de não se venerar nenhum deus, e de aproveitamentos comerciais como “ a bíblia do futebol” numa tentativa reles de se aproximar as sagradas escrituras…. Uma tentativa de aproximar um jogo totalmente humano e pautado por erros humanos ao divino sobrenatural… uma espécie de culto pagão à relva e à virilidade masculina... Mas o que será que faz com que as pessoas se importem que seja este ou aquele jogador a estar em campo ou que seja ou não falta e não se importem que haja ou não cuidados de saúde ou que haja ou não segurança nas ruas… não sei responder… mas posso ajudar a resposta… o espectáculo… a emoção… (ainda gostava de saber qtos ataques de coração despoletou o 3-3 do malfadado Simão Sabrosa….) é um jogo de humanos mas que mexe com os sentimentos … as pessoas vivem o ambiente… durante aqueles minutos são outras… ninguém qr saber se são ricas ou pobres… brancas, verdes ou pretas…ninguém qr saber qm são as pessoas do lado… jogo é jogo… é tudo uma questão de se ganhar ou de se perder… de se apostar no cavalo certo…ser melhor do que os outros… de se superar a si próprio… ainda que pelos braços e pernas de outros… toda a gente pode jogar a bola... mas aqueles 11 tipos são os tipos que nos representam perante o mundo... São eles que fazem o nosso lugar… mas do que um jogo, é uma forma de nos superar-mos a nós próprios… Einstein costumava dizer que deus não jogava aos dados quando se referia a perfeição mecânica da humanidade… mas acho que se passa exactamente o contrário com os humanos… nos gostamos do risco... gostamos de apostar... de tentar ganhar o nosso lugar no Olimpo…de sermos melhor, mais perspicazes... mais atléticos… mais qualquer coisa… é por isso que era importante que os políticos pudessem motivar os portugueses… o orgulho nacional… o querer ser melhor do que os outros... não num jogo… mas na vida de todos os dias… o euro foi um principio para as pessoas começarem a sentir orgulho no seu pais… mas é preciso mais… somos mais do que futebol e temos q perceber isso… mais do que qualquer coisa precisamos de brio e de acreditar que somos capazes… pq se tivermos isso podemos ganhar todos os derbies é só encarar os outros países como clubes inimigos numa rivalidade saudável... por exemplo Espanha pode ser o nosso Benfica que queremos vencer categoricamente… é só uma ideia de um invalido que tem tempo a mais para matar!!!! Mas é preciso motivar as tropas… é preciso acreditar que somos capazes… somos o treinador de um pais que precisa de nós para não descer mais uma vez de divisão… qualquer dia estamos nos distritais a lutar pelo penúltimo lugar… é preciso raça.. ou por outras palavras…
Esforço dedicação e glória!
quarta-feira, janeiro 26, 2005
O álibi político das utopias tecnológicas
Aproveito o facto de determinadas farturas estarem em posição de páxá por alegada "lesão", facto ainda a comprovar física e metafisicamente, para lembrar a humanidade que as suas manias da eco-energia são a maior mentira já inventada.
É que não sei se sabem, mas se não o sabem deviam-no saber, e mesmo que leiam isto ficam sem saber, por isso procurem sabê-lo, pois não o digo.
Estava a brincar. Arre que já não há humor. Como eu ia a dizer, ou melhor, a escrever, a necessidade de criar novos tipos de combustíveis criou uma colectânea de messias energéticos aos quais eu darei os nomes de Galáticos, cuja missão divina é nos salvar das guerras pelos recursos energéticos, pela poluição e pela deterioração da economia global.
Um destes galáticos é sem dúvida a Fusão Nuclear. Depois de os EUA e o Japão terem abandonado o programa de fusão, a França chama-los de ímpios e infiéis, apoiando-o mais do que nunca (914.000.000 euros). No entanto, ninguém em França quis saber porque é que nos EUA e no Japão o programa foi abandonado...
AULA de FUSÃO. Como fazer uma reacção em fusão??
Para se efectivar a fusão é necessário fazer fundir dois átomos: um de deutério (raríssimo e na água do mar) e um de trítio (não existe na Terra, os cientistas propõem obter-se a partir de lítio). Fundem-se e voilá. Energia em quantidades brutais que é necessário captar em calor para produzir vapor ou um gás em alta temperatura, mais turbinas, etc etc e tal, e enfim, finalmente um pedacito de energia... num sei não, mas surge-me uma dúvida, senhores professores. Quantas dezenas ou centenas de Watts serão necessárias para criar um Watt?... sem falar claro nos neutrões produzidos pelo reactor que são dez vezes mais poderosos que nos de fissão... e que batendo nas paredes do reactor tornam-no frágil.... e radioactivo!!!
HUMMMMMM..... talvez, just maybe, NOT a good idea!
MESSIAS 2: Pilha de hidrogénio / combustível
com rendimentos muito superiores aos da gasolina, entre os 60% (enquanto os outros andam pelos 35/40%), esquece-se dizer porventura que o hidrogénio não existe em estado livre na natureza, sendo preciso exactamente o que o senhor leitor está a imaginar: extraí-lo da água (ou dos hidrocarbonetos), implicando... enormes dispêndios de energia... por cada 5 Kwh dispendidos para criar 1 metro cúbico de hidrogénio, temos 3 Kwh de energia para usar em combustão, fora o conter o hidrogénio, o oxigénio, etc, etc e tal.
E andam praí os cientistas e os politicóides da paranóia e da mediatice a cantar violino para o zé. Que vida mais alegre!
É que não sei se sabem, mas se não o sabem deviam-no saber, e mesmo que leiam isto ficam sem saber, por isso procurem sabê-lo, pois não o digo.
Estava a brincar. Arre que já não há humor. Como eu ia a dizer, ou melhor, a escrever, a necessidade de criar novos tipos de combustíveis criou uma colectânea de messias energéticos aos quais eu darei os nomes de Galáticos, cuja missão divina é nos salvar das guerras pelos recursos energéticos, pela poluição e pela deterioração da economia global.
Um destes galáticos é sem dúvida a Fusão Nuclear. Depois de os EUA e o Japão terem abandonado o programa de fusão, a França chama-los de ímpios e infiéis, apoiando-o mais do que nunca (914.000.000 euros). No entanto, ninguém em França quis saber porque é que nos EUA e no Japão o programa foi abandonado...
AULA de FUSÃO. Como fazer uma reacção em fusão??
Para se efectivar a fusão é necessário fazer fundir dois átomos: um de deutério (raríssimo e na água do mar) e um de trítio (não existe na Terra, os cientistas propõem obter-se a partir de lítio). Fundem-se e voilá. Energia em quantidades brutais que é necessário captar em calor para produzir vapor ou um gás em alta temperatura, mais turbinas, etc etc e tal, e enfim, finalmente um pedacito de energia... num sei não, mas surge-me uma dúvida, senhores professores. Quantas dezenas ou centenas de Watts serão necessárias para criar um Watt?... sem falar claro nos neutrões produzidos pelo reactor que são dez vezes mais poderosos que nos de fissão... e que batendo nas paredes do reactor tornam-no frágil.... e radioactivo!!!
HUMMMMMM..... talvez, just maybe, NOT a good idea!
MESSIAS 2: Pilha de hidrogénio / combustível
com rendimentos muito superiores aos da gasolina, entre os 60% (enquanto os outros andam pelos 35/40%), esquece-se dizer porventura que o hidrogénio não existe em estado livre na natureza, sendo preciso exactamente o que o senhor leitor está a imaginar: extraí-lo da água (ou dos hidrocarbonetos), implicando... enormes dispêndios de energia... por cada 5 Kwh dispendidos para criar 1 metro cúbico de hidrogénio, temos 3 Kwh de energia para usar em combustão, fora o conter o hidrogénio, o oxigénio, etc, etc e tal.
E andam praí os cientistas e os politicóides da paranóia e da mediatice a cantar violino para o zé. Que vida mais alegre!
domingo, janeiro 16, 2005
um tributo a Amalia
Estranha forma de vida
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
Amália Rodrigues
Foi por vontade de Deus
que eu vivo nesta ansiedade.
Que todos os ais são meus,
Que é toda a minha saudade.
Foi por vontade de Deus.
Que estranha forma de vida
tem este meu coração:
vive de forma perdida;
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida.
Coração independente,
coração que não comando:
vive perdido entre a gente,
teimosamente sangrando,
coração independente.
Eu não te acompanho mais:
para, deixa de bater.
Se não sabes onde vais,
porque teimas em correr,
eu não te acompanho mais.
Amália Rodrigues
poemas
tem piada ser eu a postar tantos poemas no blog... eu q nem gosto de poesia.... estranho!!!!!!!! (mas que estraaaaaaaaaaaaaaaaanha forma de vida!!!!!!)
Competência
já comentei o teu texto no local apropriado... e apesar de continuar melancolico achei giro que o texto me fazia lembrar uma outra musica... ñ exactamente j. Palma....
Vieste comigo
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
Clã - competência para amar
Vieste comigo
nesse jeito pós-moderno
de não querer saber nada
de não fazer perguntas
essa pose cansada
tão despida de emoção
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa
repetição
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
depois quase ias embora
desse modo
evanescente
não soubesse eu ver-te
tão transparente
e teria sido apenas
o encontro acidental
uma simples vertigem
dum desporto radical
não fosse a minha competência para amar
e nunca teriamos acontecido
num mundo de competências
e técnicas de ponta
a dádiva da fala
quase já não conta
Clã - competência para amar
Engraçado...
... não consigo deixar de pensar que as letras do Jorge Palma enquadram belíssimamente esta ideia...
José Gil
, filósofo, considerado pela "Nouvel Observateur" como um dos "25 grandes pensadores de todo o mundo". Ouçamos o que nos tem para dizer...
Depois da leitura do seu livro, "Portugal, Hoje - O medo de existir" é impossível não se ficar deprimido - "Hesitei muito antes de o publicar. Decidi fazê-lo, porque acho que estas coisas devem-se dizer publicamente..."
Em Portugal a inveja não é um sentimento, é um sistema
"... os acontecimentos não influenciam a nossa vida, é como se não acontecessem. Por exemplo, quando uma pessoa ama, esse sentimento não afecta a outra pessoa, objecto do amor. Quando acabamos de ver um espectáculo, não falamos sobre ele. Quando muito, dizemos que gostámos ou não gostámos, mais nada. Não tem nenhum efeito nas nossas vidas, não se inscreve nelas, não as transforma. Ainda outro exemplo: o primeiro-ministro, Santana Lopes, classificou a dissolução da Assembleia da República pelo Presidente como "enigmática". Não disse que era incorrecta ou injusta, mas "enigmática", o que é a forma mais eficaz de a transformar em não-acontecimento."
E, não tendo acontecido, ninguém é responsável
"Exactamente. Pode-se continuar como se nada se tivesse passado. Os acontecimentos não se inscrevem em nós, nem nas nossas vidas, nem nós nos inscrevemos na História. Por isso, em Portugal nada acontece."
Isso vem de onde?
"Do medo. E da falta da ideia de futuro. Vivemos num presente que se perpetua."
(...)
"Nós temos uma pobreza enorme de expressão em relação à nossa existência."
Não pode sentir, porque não o pode exprimir?
"Sim. A expressão abre para o fundo, não apenas para fora.Mas nós estamos agarrados a um texto e não temos forças para sair dele."
"É o texto da sociedade normalizada, do bom senso, do política, social e afectivamente correcto(...) Temos um texto que nos diz o que podemos viver.
É o medo que nos impede de rasgar esse texto?
"Nós temos medo de experimentar. Porque temos medo do que irão dizer de nós. Partimos sempre do princípio de que o que vão dizer é negativo, desvalorizante.(...) Isso cria logo um medo que nos paralisa. Faz com que tenhamos prudência. Bom senso.
Mas a prudência e o bom senso poderiam ser atitudes positivas, para nos guiarem na acção...
"Qual acção? A prudência paralisa a acção."(...)
"A verdadeira prudência seria uma estratégia para medir e modular a acção, à medida que ela se desenrola. Mas nós não queremos é agir. Porque a sociedade portuguesa, ao contrário de outras, é fechada, não tem canais de ar, respirações possíveis. É uma sociedade suavemente paranóica. As pessoas estão demasiado conscientes de si próprias, o que é um horror. Conscientes da imagem que possam produzir, da sua presença como imagem nos outros. Isso é paralisante."
"É uma obsessão. Estamos sempre a falar da auto-estima, esse termo horroroso."
O que há de errado com a auto-estima?
Essa ideia reflexiva, de nos amarmos a nós próprios... Em vez de estarmos virados para fora, para os outros, para o mundo. Só nos podermos afirmar agindo, exprimindo-nos - não voltando.nos para a autocomplacência. Tudo o que é válido vem "de fora".Nós ainda temos essa ideia de que é preciso começar por uma transformação interior... Mas, em Portugal, não existe um "fora".
Isso que dizer que não existe um espaço público?
"Não, não existe. O salazarismo extinguiu-o.(...) Toda a nossa expressão individual , social, passou a reduzir-se ao discurso político. E no espaço público instalou-se em força um dispositivo que ocupou o lugar todo: a televisão, e os "media" em geral.
Os "media" não são espaço público? Funcionam em circuito fechado?
"(...)Têm uma acção de absorção. Só se existe se se aparecer na televisão. Mas estar e aparecer na televisão não é a mesma coisa do que viver a vida, na materialidade das ruas e do tempo."(...)
"Com certeza que nã se vai voltar atrás. Mas é preciso recuperar aquilo que nos é sugado por esse espaço de imagem e que é a vida dos corpos. Os acontecimentos da existência, no que têm de invenção. Na televisão tudo está formatado, não há imprevisto, encontro. O acontecimento é o resultado de um encontro. Mas nós temos medo do acontecimento. Medo da mudança, medo do futuro, medo do julgamento dos outros, medo de não sermos capazes. Medo de não estar à altura do acontecimento."
(...)
"Uma vez assisti a uma entrevista com o jovem físico português, João Magueijo, que vive em Inglaterra. A repórter perguntava-lhe: "Você trabalha com matemática, não em laboratórios. Não podia ter descoberto essas teorias em Portugal?" E ele respondeu imediatamente: "De maneira nenhuma. Sabe porquê? Por causa da intensidade das trocas de pensamento em que eu vivo quotidianamente. É isso que me faz pensar".
A nossa incapacidade vem do medo...
"O mecanismo da inveja (...). Imagine que você chega ao pé dos seus colegas e diz: "Fiz uma reportagem extraordinária!" E não está a falar por vaidade, mas objectivamente. Mas logo o tipo que está ao seu lado diz: "Ai sim? Pois muito bem." E com este tom introduz em si um afecto inconsciente que o vai paralisar."
"A inveja é mais do que um sentimento, é um sistema. E não é apenas individual: criam-se grupos de inveja. Várias pessoas manifestam-se simultaneamente contra a sua iniciativa. Cria-se um ambiente de inveja."
"Vivemos reconhecendo-nos como irmãos na desgraça."
"Se você faz alguma coisa de forte, isso deveria ser um estímulo para mim, para fazer algo também forte. Mas não. Vê-lo forte diminui-me a mim. Vê-lo com intensidade, com iniciativa, faz-me pensar, por causa da imagem que tenho de mim, na minha pobre condição, em que não faço nada. E faço tudo para destruir a sua iniciativa, para que eu possa viver. Você sufoca-me com a sua energia. (...) E o resultado é que estamos todos sem energia."
O original era muito grande. Ficam estes pequenos excertos.
in Pública nº 451, "Ideias fortes", entrevista a José Gil, pp 5-9
Depois da leitura do seu livro, "Portugal, Hoje - O medo de existir" é impossível não se ficar deprimido - "Hesitei muito antes de o publicar. Decidi fazê-lo, porque acho que estas coisas devem-se dizer publicamente..."
Em Portugal a inveja não é um sentimento, é um sistema
"... os acontecimentos não influenciam a nossa vida, é como se não acontecessem. Por exemplo, quando uma pessoa ama, esse sentimento não afecta a outra pessoa, objecto do amor. Quando acabamos de ver um espectáculo, não falamos sobre ele. Quando muito, dizemos que gostámos ou não gostámos, mais nada. Não tem nenhum efeito nas nossas vidas, não se inscreve nelas, não as transforma. Ainda outro exemplo: o primeiro-ministro, Santana Lopes, classificou a dissolução da Assembleia da República pelo Presidente como "enigmática". Não disse que era incorrecta ou injusta, mas "enigmática", o que é a forma mais eficaz de a transformar em não-acontecimento."
E, não tendo acontecido, ninguém é responsável
"Exactamente. Pode-se continuar como se nada se tivesse passado. Os acontecimentos não se inscrevem em nós, nem nas nossas vidas, nem nós nos inscrevemos na História. Por isso, em Portugal nada acontece."
Isso vem de onde?
"Do medo. E da falta da ideia de futuro. Vivemos num presente que se perpetua."
(...)
"Nós temos uma pobreza enorme de expressão em relação à nossa existência."
Não pode sentir, porque não o pode exprimir?
"Sim. A expressão abre para o fundo, não apenas para fora.Mas nós estamos agarrados a um texto e não temos forças para sair dele."
"É o texto da sociedade normalizada, do bom senso, do política, social e afectivamente correcto(...) Temos um texto que nos diz o que podemos viver.
É o medo que nos impede de rasgar esse texto?
"Nós temos medo de experimentar. Porque temos medo do que irão dizer de nós. Partimos sempre do princípio de que o que vão dizer é negativo, desvalorizante.(...) Isso cria logo um medo que nos paralisa. Faz com que tenhamos prudência. Bom senso.
Mas a prudência e o bom senso poderiam ser atitudes positivas, para nos guiarem na acção...
"Qual acção? A prudência paralisa a acção."(...)
"A verdadeira prudência seria uma estratégia para medir e modular a acção, à medida que ela se desenrola. Mas nós não queremos é agir. Porque a sociedade portuguesa, ao contrário de outras, é fechada, não tem canais de ar, respirações possíveis. É uma sociedade suavemente paranóica. As pessoas estão demasiado conscientes de si próprias, o que é um horror. Conscientes da imagem que possam produzir, da sua presença como imagem nos outros. Isso é paralisante."
"É uma obsessão. Estamos sempre a falar da auto-estima, esse termo horroroso."
O que há de errado com a auto-estima?
Essa ideia reflexiva, de nos amarmos a nós próprios... Em vez de estarmos virados para fora, para os outros, para o mundo. Só nos podermos afirmar agindo, exprimindo-nos - não voltando.nos para a autocomplacência. Tudo o que é válido vem "de fora".Nós ainda temos essa ideia de que é preciso começar por uma transformação interior... Mas, em Portugal, não existe um "fora".
Isso que dizer que não existe um espaço público?
"Não, não existe. O salazarismo extinguiu-o.(...) Toda a nossa expressão individual , social, passou a reduzir-se ao discurso político. E no espaço público instalou-se em força um dispositivo que ocupou o lugar todo: a televisão, e os "media" em geral.
Os "media" não são espaço público? Funcionam em circuito fechado?
"(...)Têm uma acção de absorção. Só se existe se se aparecer na televisão. Mas estar e aparecer na televisão não é a mesma coisa do que viver a vida, na materialidade das ruas e do tempo."(...)
"Com certeza que nã se vai voltar atrás. Mas é preciso recuperar aquilo que nos é sugado por esse espaço de imagem e que é a vida dos corpos. Os acontecimentos da existência, no que têm de invenção. Na televisão tudo está formatado, não há imprevisto, encontro. O acontecimento é o resultado de um encontro. Mas nós temos medo do acontecimento. Medo da mudança, medo do futuro, medo do julgamento dos outros, medo de não sermos capazes. Medo de não estar à altura do acontecimento."
(...)
"Uma vez assisti a uma entrevista com o jovem físico português, João Magueijo, que vive em Inglaterra. A repórter perguntava-lhe: "Você trabalha com matemática, não em laboratórios. Não podia ter descoberto essas teorias em Portugal?" E ele respondeu imediatamente: "De maneira nenhuma. Sabe porquê? Por causa da intensidade das trocas de pensamento em que eu vivo quotidianamente. É isso que me faz pensar".
A nossa incapacidade vem do medo...
"O mecanismo da inveja (...). Imagine que você chega ao pé dos seus colegas e diz: "Fiz uma reportagem extraordinária!" E não está a falar por vaidade, mas objectivamente. Mas logo o tipo que está ao seu lado diz: "Ai sim? Pois muito bem." E com este tom introduz em si um afecto inconsciente que o vai paralisar."
"A inveja é mais do que um sentimento, é um sistema. E não é apenas individual: criam-se grupos de inveja. Várias pessoas manifestam-se simultaneamente contra a sua iniciativa. Cria-se um ambiente de inveja."
"Vivemos reconhecendo-nos como irmãos na desgraça."
"Se você faz alguma coisa de forte, isso deveria ser um estímulo para mim, para fazer algo também forte. Mas não. Vê-lo forte diminui-me a mim. Vê-lo com intensidade, com iniciativa, faz-me pensar, por causa da imagem que tenho de mim, na minha pobre condição, em que não faço nada. E faço tudo para destruir a sua iniciativa, para que eu possa viver. Você sufoca-me com a sua energia. (...) E o resultado é que estamos todos sem energia."
O original era muito grande. Ficam estes pequenos excertos.
in Pública nº 451, "Ideias fortes", entrevista a José Gil, pp 5-9
quarta-feira, janeiro 12, 2005
Quem és tu, de Novo
Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?
As redes são passageiras, as arquitecturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga
Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?
Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Jorge Palma
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Quando o teu cheiro me leva às esquinas do vislumbre
E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta
Quem sou eu para negar que a tua presença me arrasta?
Quem és tu, na imensidão do deslumbre?
As redes são passageiras, as arquitecturas da fuga
De toda a água que corre, de todo o vento que passa
Quando uma teia se rasga ergo à lua a minha taça
E vejo nascer no espelho mais uma ruga
Quando o tecto se escancara e se confunde com a lua
A apontar-me o caminho melhor do que qualquer estrela
Ninguém me faz duvidar que foste sempre a mais bela
Por favor, diz-me que és alguém, de novo?
Quando a janela se fecha e se transforma num ovo
Ou se desfaz em estilhaços de céu azul e magenta
E o meu olhar tem razões que o coração não frequenta
Por favor diz-me quem és tu, de novo?
Jorge Palma
Encostei-me
Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos,
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.
Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos ---
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.
Álvaro de Campos
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício.
A minha vida passada misturou-se com a futura,
E houve no meio um ruído do salão de fumo,
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez.
Ah, balouçado
Na sensação das ondas,
Ah, embalado
Na idéia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã,
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,
De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali,
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse.
Ah, afundado
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono,
Irrequieto tão sossegadamente,
Tão análogo de repente à criança que fui outrora
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra,
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento.
Ah, todo eu anseio
Por esse momento sem importância nenhuma
Na minha vida,Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos ---
Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma,
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem inteligência para o compreender
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.
Álvaro de Campos
terça-feira, janeiro 11, 2005
novo look!!
e que tal o novo visual?? Catita não??? Tens que ver se consegues dar um jeito a isto... ainda não está piroso o suficiente!!
finalmente um post sério....
Vamos então festejar o acaso de me sobrar um instante de lucidez num dia cansativo, e aproveitar para tentar arranjar um sentido para a vida. Tenho levado essa tarefa bem a peito nos últimos dias, tenho sido um bom aluno, estou a ler o livro, andei a rever (e ainda estou!) as músicas de Jorge Palma, ando preocupado e pensativo, falta ainda tentar o tabaco e o álcool, mas ultimamente as circunstancias não me tem permitido esses modos de alheamento do mundo circundante. Após uma semana e tal de profunda reflexão, tenho a anunciar as seguintes conclusões: não consegui encontrar um sentido para a vida, com isso não pretendo dizer que a vida é-me indiferente e que estou disposto a abdicar dela, nada disso, muito pelo contrário! O que se passa é que tenho tido dificuldades em ultrapassar a barreira das palavras e definir algo que bem no fundo consegue reger a vida, uma espécie de apatia injustificável perante o futuro, um desejo que nada deseja, uma vontade que se contraria a si própria… a definição mais exacta seria a de um espectro sem vontade que existe indefinidamente para cumprir uma missão que ele desconhece mas que também não pretende conhecer.
Confesso que estas ultimas revelações têm abanado o meu ser, revelando-o mais desprotegido e frágil do que alguma vez pensava ser, criando em mim uma contra vontade irresistível de romper com o passado e começar tudo de novo. Decido então dar largas e essa vontade destruidora de cortar com tudo para que um novo futuro possa ter espaço para crescer e acabo por descobrir que aquilo que eu pensava que queria afinal já tenho… confuso? Bastante! E tem sido isto que me tem ocupado os tempos livres… por isso é normal que o blog ultimamente tenha assumido contornos negros
Confesso que estas ultimas revelações têm abanado o meu ser, revelando-o mais desprotegido e frágil do que alguma vez pensava ser, criando em mim uma contra vontade irresistível de romper com o passado e começar tudo de novo. Decido então dar largas e essa vontade destruidora de cortar com tudo para que um novo futuro possa ter espaço para crescer e acabo por descobrir que aquilo que eu pensava que queria afinal já tenho… confuso? Bastante! E tem sido isto que me tem ocupado os tempos livres… por isso é normal que o blog ultimamente tenha assumido contornos negros
(isto está a ficar sombrio....)
(isto está a ficar sombrio....)
Quem é a gatinha???!?
Gostei de te ver no outro dia pá! Há com cada idiota na estrada...
Bem! Um abraço!
Quem é a gatinha???!?
Gostei de te ver no outro dia pá! Há com cada idiota na estrada...
Bem! Um abraço!
segunda-feira, janeiro 10, 2005
más noticias...
parece que o objectivo do blog falhou... somos uma miseria! uma lastima! uma vergonha!!!!
sei de fonte segura que tivemos um (urrrg! até me faz confusão escrever....) leitor!! ou no nosso infeliz caso, uma leitora... uma tal "gatinha" (reservo para outras nupcias o comentário a esse nick) que violou o nosso santuario publico e leu o nosso blog fazendo com que ele deixa-se de ser o mais ignorado.... se tivesse sexo acho que me sentiria violado (no bom sentido da questão)... assim sinto-me ensopado em oleo de girasol da marca lidl...o que vale é q temos outros de reserva ;o)... e esses nunca ninguem os descobrirá!!!! (heheheh!! riso maquiavélico!!!!)
sinto-me profundamente deisludido comigo próprio.. tão negro como o raio do livro do orwell, fustrado e fraco.. acho q me vou suicidar.. (estranho nunca temos abordado um tema tão complexo, profundo.. cheio de simbolismo abstrato e no entanto vazio de conteudo real e como tal dificil de provar, baseando a sua existência na falta de contraditório.... será que ñ te esqueceste de me pedir para o definir em 3 linhas ou menos?) acho que me vou atirar da ponte com o carro em movimento, mergulhar no lodo que corre no lugar do rio tejo, lançar-me em frente de um comboio da linha de sintra em hora de ponta só para fazer com que os milhares de utentes dessa malfadada linha tenham que esperar horas a fio até que o meu corpo seja removido e pelo menos durante uns breves instantes tenham consciência da minha existência oleosa....
mas ñ, vou viver (sim.. vou fazer aquela coisa para a ql ainda tenho q arranjar uma definição) VOU VIVER!!! vou enrolar-me num manto de açucar e mergulhar pelas goelas abaixo de um puto ranhoso que está num berreiro a fazer a vida da mãe negra... sim, vou cumprir o meu destino... VOU SER COMIDO!!!!!!!!!!!!
qto a ti... sugiro que vás a um barbeiro mas nada dessas coisas amaricadas tipo cabeleireiros que agora andam por ai... ao menos na tua hora de glória tem honra e comporta-te como um verdadeiro Pêlo!
(e com esta tirada trágica me retiro para voltar ao raio do livro... o melhor sonorifero que encontrei desde um livro de comportamento organizacional que fui obrigado a ler... Cazzo!!!!!!)
sei de fonte segura que tivemos um (urrrg! até me faz confusão escrever....) leitor!! ou no nosso infeliz caso, uma leitora... uma tal "gatinha" (reservo para outras nupcias o comentário a esse nick) que violou o nosso santuario publico e leu o nosso blog fazendo com que ele deixa-se de ser o mais ignorado.... se tivesse sexo acho que me sentiria violado (no bom sentido da questão)... assim sinto-me ensopado em oleo de girasol da marca lidl...o que vale é q temos outros de reserva ;o)... e esses nunca ninguem os descobrirá!!!! (heheheh!! riso maquiavélico!!!!)
sinto-me profundamente deisludido comigo próprio.. tão negro como o raio do livro do orwell, fustrado e fraco.. acho q me vou suicidar.. (estranho nunca temos abordado um tema tão complexo, profundo.. cheio de simbolismo abstrato e no entanto vazio de conteudo real e como tal dificil de provar, baseando a sua existência na falta de contraditório.... será que ñ te esqueceste de me pedir para o definir em 3 linhas ou menos?) acho que me vou atirar da ponte com o carro em movimento, mergulhar no lodo que corre no lugar do rio tejo, lançar-me em frente de um comboio da linha de sintra em hora de ponta só para fazer com que os milhares de utentes dessa malfadada linha tenham que esperar horas a fio até que o meu corpo seja removido e pelo menos durante uns breves instantes tenham consciência da minha existência oleosa....
mas ñ, vou viver (sim.. vou fazer aquela coisa para a ql ainda tenho q arranjar uma definição) VOU VIVER!!! vou enrolar-me num manto de açucar e mergulhar pelas goelas abaixo de um puto ranhoso que está num berreiro a fazer a vida da mãe negra... sim, vou cumprir o meu destino... VOU SER COMIDO!!!!!!!!!!!!
qto a ti... sugiro que vás a um barbeiro mas nada dessas coisas amaricadas tipo cabeleireiros que agora andam por ai... ao menos na tua hora de glória tem honra e comporta-te como um verdadeiro Pêlo!
(e com esta tirada trágica me retiro para voltar ao raio do livro... o melhor sonorifero que encontrei desde um livro de comportamento organizacional que fui obrigado a ler... Cazzo!!!!!!)
conflito na IC19
um certo passarinho contou-me que um certo e determinado pêlo hje ia tendo um desacato em plena via publica... parece que já ñ está em condições de sair de casa.... como sei??? é certo e sabido que na roulote (de farturas) onde moro tudo se sabe e tudo se bebe.....
quinta-feira, janeiro 06, 2005
filosofo, eu????
só perguntas faceis de responder em 3 linhas ou menos......
o sentido da vida, pq estou vivo, de onde vim, para onde vou..... só definições obvias e q a filosofia moderna conseguiu facilmente responder desde os primordios da história...... pedes pouco meu irmão oleoso......
ainda estou a pensar no teu caso.... e a ler o raio do livro!!!!!!!
o sentido da vida, pq estou vivo, de onde vim, para onde vou..... só definições obvias e q a filosofia moderna conseguiu facilmente responder desde os primordios da história...... pedes pouco meu irmão oleoso......
ainda estou a pensar no teu caso.... e a ler o raio do livro!!!!!!!
terça-feira, janeiro 04, 2005
And now for something completely different.
Escrevi aqui coisas fantásticas mas o computador não me ajudou e todas as palavras foram para o oblívio do nada. Vivemos sem dúvidas na idade negra da informação.
Resta-me uma pergunta que talvez tenha sido o motor das coisas fantásticas, à maneira de Alice que desapareceram... era sobre um cientista ter descoberto um modo fantástico de transporte instantâneo, tornando obsoletos quaisquer sistemas de transporte (deixo à imaginação alheia as consequências de tal especulação porque me falta a paciência para as descrever de novo)
E às farturas agnósticas a obrigatoriedade de responderem.
Porque vivemos? O que é a Vida? O que andamos cá a fazer?
(uma DEFINIÇÃO e não uma CARACTERIZAÇÃO. Para "impressões" basta-me um carimbo. Para experiências basta-me um comando da PS2, não viver)
ou de outra maneira: para que servem os amigos? O que É um amigo?
(quero uma DEFINIÇÃO e não uma CARACTERIZAÇÃO. Não quero uma coisa do género: "é um tipo que faz isto ou aquilo...")
PS: Acerca de 1984. O livro fala da prisão de um sistema fechado sobre si. Alienado. O título original do livro era para ter sido "o último homem na Terra" (que seria Winston). O problema de Winston é que ele via a realidade como "objectiva", enquanto que o Partido via-a como uma construção do Homem! E se é possível construir a realidade, então que fosse o Partido a fazê-lo. Porquê, pergunta o Winston, não sei bem em que parte do livro, ao que O'Brien há de responder, porque queremos o Poder. Não para servir, mas porque SIM. É objecto de desejo.
Não para servir porque obviamente não existe propósito algum na vida neste sistema. Não havendo propósito, o Poder não serve, apenas é servido.
É um círculo a fechar-se sobre eu próprio. O final de uma fenda no fundo da gruta na qual eu desesperadamente tento abrir um caminho (sempre em frente, nunca para trás). Um buraco negro (http://www.iis.com.br/~cat/catalisando/2003-08-04_07h56_Singularidade_matematica.htm)
Não leves isto tão leve como isso. Muitos filósofos hoje em dia discutem o conceito de "singularidade matemática" como um conceito que irá definir uma data futura. Uma espécie de "salto" para outro nível que nós não sabemos muito bem para onde, para o quê, etc.
Como sendo uns gorilas e tentarmos imaginar seres humanos a criarem máquinas que voam e fazem contas e constroem mundos virtuais...
"Why?"
"Because I chose to."
Fartura favor responder. :)
Resta-me uma pergunta que talvez tenha sido o motor das coisas fantásticas, à maneira de Alice que desapareceram... era sobre um cientista ter descoberto um modo fantástico de transporte instantâneo, tornando obsoletos quaisquer sistemas de transporte (deixo à imaginação alheia as consequências de tal especulação porque me falta a paciência para as descrever de novo)
E às farturas agnósticas a obrigatoriedade de responderem.
Porque vivemos? O que é a Vida? O que andamos cá a fazer?
(uma DEFINIÇÃO e não uma CARACTERIZAÇÃO. Para "impressões" basta-me um carimbo. Para experiências basta-me um comando da PS2, não viver)
ou de outra maneira: para que servem os amigos? O que É um amigo?
(quero uma DEFINIÇÃO e não uma CARACTERIZAÇÃO. Não quero uma coisa do género: "é um tipo que faz isto ou aquilo...")
PS: Acerca de 1984. O livro fala da prisão de um sistema fechado sobre si. Alienado. O título original do livro era para ter sido "o último homem na Terra" (que seria Winston). O problema de Winston é que ele via a realidade como "objectiva", enquanto que o Partido via-a como uma construção do Homem! E se é possível construir a realidade, então que fosse o Partido a fazê-lo. Porquê, pergunta o Winston, não sei bem em que parte do livro, ao que O'Brien há de responder, porque queremos o Poder. Não para servir, mas porque SIM. É objecto de desejo.
Não para servir porque obviamente não existe propósito algum na vida neste sistema. Não havendo propósito, o Poder não serve, apenas é servido.
É um círculo a fechar-se sobre eu próprio. O final de uma fenda no fundo da gruta na qual eu desesperadamente tento abrir um caminho (sempre em frente, nunca para trás). Um buraco negro (http://www.iis.com.br/~cat/catalisando/2003-08-04_07h56_Singularidade_matematica.htm)
Não leves isto tão leve como isso. Muitos filósofos hoje em dia discutem o conceito de "singularidade matemática" como um conceito que irá definir uma data futura. Uma espécie de "salto" para outro nível que nós não sabemos muito bem para onde, para o quê, etc.
Como sendo uns gorilas e tentarmos imaginar seres humanos a criarem máquinas que voam e fazem contas e constroem mundos virtuais...
"Why?"
"Because I chose to."
Fartura favor responder. :)
Now for something completely different.
Imaginem que um cientista resolveu de uma maneira qualquer o problema da circulação
segunda-feira, dezembro 27, 2004
a digestão
pois é, a altura do natal já passou, assim como o genocidio das minhas primas rabanadas, e fatias douradas, todos os anos é assim, uma fartura cria sonhos, alimenta-os e depois nada acontece! todos os anos é sempre a mesma indegestão com a minha familia e ninguem faz nada...
rezo por uma intervenção da fada dos doçes, a conhecida defensora dos salgados oprimidos e dos doçes com açucar! isto tem que acabar!!
(ainda estou a tentar perceber o q realmente todos estes post significam para ti e para a tua forma "by the book "de pensar )
rezo por uma intervenção da fada dos doçes, a conhecida defensora dos salgados oprimidos e dos doçes com açucar! isto tem que acabar!!
(ainda estou a tentar perceber o q realmente todos estes post significam para ti e para a tua forma "by the book "de pensar )
quarta-feira, dezembro 22, 2004
1984
... e as arrumações continuam LOL
Agora um excerto que eu cuidadosamente guardei de um livro terrífico, da autoria de George Orwell. É o clímax do livro. Winston está a ser interrogado pelo "Partido" por O'Brien, num processo de cura.
O'Brien "-...O passado existe concretamente, no espaço? Existe algures um lugar, um mundo de objectos sólidos, onde o passado esteja ainda a acontecer?
Winston "- Não.
"- Então onde é que o passado existe, se é que existe?
"- Nos arquivos. Está registado, por escrito.
"- Nos arquivos. E mais?
"- Na memória. Na memória dos homens.
"- Na memória. Ora muito bem. Nós, o Partido, controlamos todos os arquivos e controlamos todas as memórias. Portanto controlamos o passado, ou não?
"- Mas como é que podem impedir as pessoas de se lembrarem das coisas! - exclamou Winston (...) - isso não depende da vontade. É exterior a nós próprios. Como é que se pode controlar a memória? Vocês não controlaram a minha!
O'Brien voltou aos seus modos ríspidos(...)
"- Enganas-te - disse - quem não a controlou foste tu. E foi isso que te trouxe até aqui. Estás aqui porque te falta humildade, auto-disciplina. Nunca quiseste aceitar o acto de submissão, que é o preço da saúde mental. Preferiste ser louco, uma minoria de um só. Apenas a mente disciplinada granjeia a realidade, Winston. Julgas que a realidade é uma coisa objectiva, externa, que existe por si própria. Julgas também que a natureza da realidade é evidente. Quando, numa das tuas alucinações, visionas alguma coisa, é exterior. A realidade existe no espírito humano, e em mais parte nenhuma. Não no espírito individual, que pode cometer erros, e que para todos os efeitos é perecível: só existe no espírito do Partido, colectivo e imortal. O que o Partido consagrar como verdade, é verdade. Impossível ver a realidade excepto através dos olhos do Partido. É isso que tens de reaprender, Winston(...).
"- Lembras-te - prosseguiu - de escreveres no teu diário que «Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro»?
"- Lembro-me - confirmou Winston.
"O'Brien ergueu a mão esquerda, com a palma voltada para si, o polegar escondido e os outros quatro dedos esticados.
"- Quantos dedos tenho aqui, Winston?
"- Quatro.
"- E se o Partido disser que não são quatro mas cinco, quantos são?»
In ORWELL, George, "Mil novecentos e oitenta e quatro"; 4ª edição, Antígona, pp. 249-250
Agora um excerto que eu cuidadosamente guardei de um livro terrífico, da autoria de George Orwell. É o clímax do livro. Winston está a ser interrogado pelo "Partido" por O'Brien, num processo de cura.
O'Brien "-...O passado existe concretamente, no espaço? Existe algures um lugar, um mundo de objectos sólidos, onde o passado esteja ainda a acontecer?
Winston "- Não.
"- Então onde é que o passado existe, se é que existe?
"- Nos arquivos. Está registado, por escrito.
"- Nos arquivos. E mais?
"- Na memória. Na memória dos homens.
"- Na memória. Ora muito bem. Nós, o Partido, controlamos todos os arquivos e controlamos todas as memórias. Portanto controlamos o passado, ou não?
"- Mas como é que podem impedir as pessoas de se lembrarem das coisas! - exclamou Winston (...) - isso não depende da vontade. É exterior a nós próprios. Como é que se pode controlar a memória? Vocês não controlaram a minha!
O'Brien voltou aos seus modos ríspidos(...)
"- Enganas-te - disse - quem não a controlou foste tu. E foi isso que te trouxe até aqui. Estás aqui porque te falta humildade, auto-disciplina. Nunca quiseste aceitar o acto de submissão, que é o preço da saúde mental. Preferiste ser louco, uma minoria de um só. Apenas a mente disciplinada granjeia a realidade, Winston. Julgas que a realidade é uma coisa objectiva, externa, que existe por si própria. Julgas também que a natureza da realidade é evidente. Quando, numa das tuas alucinações, visionas alguma coisa, é exterior. A realidade existe no espírito humano, e em mais parte nenhuma. Não no espírito individual, que pode cometer erros, e que para todos os efeitos é perecível: só existe no espírito do Partido, colectivo e imortal. O que o Partido consagrar como verdade, é verdade. Impossível ver a realidade excepto através dos olhos do Partido. É isso que tens de reaprender, Winston(...).
"- Lembras-te - prosseguiu - de escreveres no teu diário que «Liberdade é a liberdade de dizer que dois e dois são quatro»?
"- Lembro-me - confirmou Winston.
"O'Brien ergueu a mão esquerda, com a palma voltada para si, o polegar escondido e os outros quatro dedos esticados.
"- Quantos dedos tenho aqui, Winston?
"- Quatro.
"- E se o Partido disser que não são quatro mas cinco, quantos são?»
In ORWELL, George, "Mil novecentos e oitenta e quatro"; 4ª edição, Antígona, pp. 249-250
Old quotes
Desculpem lá caros leitores, o despejar de coisas, mas é que estou a arrumar o porão (sim é verdade!) e encontrei uns pequenos grandes tesouros de escrita, já de há alguns anos. Dou-lhes uma sequência para não serem tão secantes. Interessante, ver o passado...
é sobre a verdade e outras mentiras do género:
"A totalidade é a não verdade"
Adorno
"Também o pensamento complexo é animado por uma tensão permanente entre a aspiraão a um saber não parcelar, não fechado, não redutor e o reconhecimento do inacabamento, da incompletude de todo o conhecimento"
"Esta tensão animou toda a minha vida"
"Se houvesse uma única verdade, seria impossível fazer cem quadros sobre o mesmo tema"
"A arte é uma mentira"
Pablo Picasso
"... os que pretendem deter a verdade são os mesmos que deixaram de a procurar. A cerdade procura-se não se possui. (...) A felicidade não consiste em beber da nascente, mas em abeirar-se dela"
"A patologia da razão é a racionalização que encerra um sistema de ideias coerente, mas parcial e unilateral, e que não sabe nem que uma parte do real é irracionalizável. Nem que a racionalidade se encarrega de dialogar com o irracionalizável"
1. Factor religioso:
"... é aquela natureza original do homem pela qual ele se exprime de forma total em perguntas "últimas", procurando o porquê último da existência em todos os aspectos da vida e em todas as suas implicações."
"... expressão adequada daquele nível da natureza em que esta se torna consciente do real (...); e é a este nível que a natureza pode dizer "eu", reflectindo-se nesta palavra potencialmente toda a realidade. São Tomás dizia: (...) a alma é de algum modo tudo"
"a palavra DEUS define o objecto próprio deste desejo último do homem"
"Deus (...) é uma presença que domina empre o horizonte humano, mas situa-se, no entanto, sempre para além desse mesmo horizonte"
"Esta imperecível situação de desproporção e de impossibilidade de atingir facilita o surgimento na consciência da ideia de mistério"
2. Vertiginosa condição humana
"Aquele «Deus», aquela realidade pela qual em última análise vale a pena viver, como vimos, é aquilo de que ultimamente a realidade é feita"
"... é um «x» em última análise incompreensível e que não pode ser encontrado na capacidade de memória da razão. Está fora. A razão no seu vértice pode chegar a apreender-lhe a existência, mas, uma vez atingido esse vértice, é como se falhasse, não pode ir mais além."
"Conheces tu essa ausência mais poderosa do que a presença?"
3 Busca de uma solução
"Surge sempre um desejo [no homem] de dobrar o destino à sua vontade, um desejo de fixar o significado ou o valor a seu próprio gosto..."
"A única ajuda adequada à reconhecida impotência existencial do homem, não pode ser senão o próprio divino"
"O homem sempre exprimiu, na sua história, a convicção de poder ser iluminado sobre o «totalmente outro» de si, sobre o Desconhecido, enquanto este se quer propriamente manifestar na realidade"
SIMBOLO / MITO "grandes instrumentos por excelência cognoscitivos e reveladores do mistério - «para o mundo arcaico o mito é real dado que narra as manifestações da verdadeira realidade: o sagrado"
etc.
"Ao aceitar a contradição, assim como a complexidade, tenho em vista a vitalidade, tanto quanto a validade"
Robert Venturi
é sobre a verdade e outras mentiras do género:
"A totalidade é a não verdade"
Adorno
"Também o pensamento complexo é animado por uma tensão permanente entre a aspiraão a um saber não parcelar, não fechado, não redutor e o reconhecimento do inacabamento, da incompletude de todo o conhecimento"
"Esta tensão animou toda a minha vida"
"Se houvesse uma única verdade, seria impossível fazer cem quadros sobre o mesmo tema"
"A arte é uma mentira"
Pablo Picasso
"... os que pretendem deter a verdade são os mesmos que deixaram de a procurar. A cerdade procura-se não se possui. (...) A felicidade não consiste em beber da nascente, mas em abeirar-se dela"
"A patologia da razão é a racionalização que encerra um sistema de ideias coerente, mas parcial e unilateral, e que não sabe nem que uma parte do real é irracionalizável. Nem que a racionalidade se encarrega de dialogar com o irracionalizável"
1. Factor religioso:
"... é aquela natureza original do homem pela qual ele se exprime de forma total em perguntas "últimas", procurando o porquê último da existência em todos os aspectos da vida e em todas as suas implicações."
"... expressão adequada daquele nível da natureza em que esta se torna consciente do real (...); e é a este nível que a natureza pode dizer "eu", reflectindo-se nesta palavra potencialmente toda a realidade. São Tomás dizia: (...) a alma é de algum modo tudo"
"a palavra DEUS define o objecto próprio deste desejo último do homem"
"Deus (...) é uma presença que domina empre o horizonte humano, mas situa-se, no entanto, sempre para além desse mesmo horizonte"
"Esta imperecível situação de desproporção e de impossibilidade de atingir facilita o surgimento na consciência da ideia de mistério"
2. Vertiginosa condição humana
"Aquele «Deus», aquela realidade pela qual em última análise vale a pena viver, como vimos, é aquilo de que ultimamente a realidade é feita"
"... é um «x» em última análise incompreensível e que não pode ser encontrado na capacidade de memória da razão. Está fora. A razão no seu vértice pode chegar a apreender-lhe a existência, mas, uma vez atingido esse vértice, é como se falhasse, não pode ir mais além."
"Conheces tu essa ausência mais poderosa do que a presença?"
3 Busca de uma solução
"Surge sempre um desejo [no homem] de dobrar o destino à sua vontade, um desejo de fixar o significado ou o valor a seu próprio gosto..."
"A única ajuda adequada à reconhecida impotência existencial do homem, não pode ser senão o próprio divino"
"O homem sempre exprimiu, na sua história, a convicção de poder ser iluminado sobre o «totalmente outro» de si, sobre o Desconhecido, enquanto este se quer propriamente manifestar na realidade"
SIMBOLO / MITO "grandes instrumentos por excelência cognoscitivos e reveladores do mistério - «para o mundo arcaico o mito é real dado que narra as manifestações da verdadeira realidade: o sagrado"
etc.
"Ao aceitar a contradição, assim como a complexidade, tenho em vista a vitalidade, tanto quanto a validade"
Robert Venturi
Tudo é trágico
"Aprendi que não há diferença. Nenhuma diferença entre a comédia e a tragédia. O que se passa não é que uma coisa seja cómica e outra trágica. Tudo é trágico. Há pessoas que vêem tragicamente a vida, e compreendem a sua tragédia, e há outras que vêem a tragédia de uma forma tão ... trágica que, então, dizem piadas e riem-se, porque não sabem como lidar com isso de outra maneira. A alternativa seria matarem-se, mas não o fazem. A vida é trágica, para todos. Se virmos O Ladrão de Bicicletas [filme de Vittorio de Sica], ou O Sétimo Selo [de Ingmar Berngman], filmes trágicos sobre a vida, a morte, a tristeza, e, depois, formos ver um filme de Fred Astaire é maravilhoso, porque é uma forma de nos escaparmos. Mas são ambos trágicos: um é tragédia e explora isso dramaticamente e o outro tenta negar a tragédia e escapar-lhe, savendo que só o consegue por uns momentos. No fim de contas, tudo é trágico.
Mas de onde vem essa tragédia todas, nas nossas vidas?
"A tragédia vem da falta de sentido. Com os avanços da ciência, parece-me cada vez mais claro que tudo que existe está aqui por acaso. É tudo completamente aleatório, sem um sentido, sem uma razão, um objectivo. Nada tem sentido. Vivemos a nossa vida, morremos e, depois, nada restará. A longo prazo, tudo pode acabar: deixa de haver ar, existência, vida - não há mais beethoven, tudo o que nós julgamos que é imortal. Tudo isso vai desaparecer. Nada restará. Zero.
(...)
"«Toda a gente sabe a mesma verdade sobre a vida; e as nossas vidas consistem em escolher maneiras diferentes de distorcermos essa verdade.»
(...)
"É muito importante continuarmos a enganar-nos a nós próprios. Temos as nossas estratégias: distraímo-nos com uma relação amorosa, distraímo-nos a ver televisão... Qualquer coisa que nos impeça de pensarmos em que situação estamos metidos. E inventamos problemas triviais para nos entretermos (...) Coisas muito dolorosas para nós mas que, afinal, não são comparáveis ao verdadeiro terror com que toda a gente lida, ao longo das suas vidas."
Woody Allen in Visão nº 616, 23 dezembro 2004, pp. 105-109
Mas de onde vem essa tragédia todas, nas nossas vidas?
"A tragédia vem da falta de sentido. Com os avanços da ciência, parece-me cada vez mais claro que tudo que existe está aqui por acaso. É tudo completamente aleatório, sem um sentido, sem uma razão, um objectivo. Nada tem sentido. Vivemos a nossa vida, morremos e, depois, nada restará. A longo prazo, tudo pode acabar: deixa de haver ar, existência, vida - não há mais beethoven, tudo o que nós julgamos que é imortal. Tudo isso vai desaparecer. Nada restará. Zero.
(...)
"«Toda a gente sabe a mesma verdade sobre a vida; e as nossas vidas consistem em escolher maneiras diferentes de distorcermos essa verdade.»
(...)
"É muito importante continuarmos a enganar-nos a nós próprios. Temos as nossas estratégias: distraímo-nos com uma relação amorosa, distraímo-nos a ver televisão... Qualquer coisa que nos impeça de pensarmos em que situação estamos metidos. E inventamos problemas triviais para nos entretermos (...) Coisas muito dolorosas para nós mas que, afinal, não são comparáveis ao verdadeiro terror com que toda a gente lida, ao longo das suas vidas."
Woody Allen in Visão nº 616, 23 dezembro 2004, pp. 105-109
terça-feira, dezembro 21, 2004
Curto-Circuito
Por falar em fraqueza de espírito, estou hoje eu toldado pela fraqueza.
Gostaria de falar hoje de TOTALITARISMO. O que é? Nem pensem que fui ao dicionário. Ou que fui ler coisas. Tretas. Hoje vai tudo da garganta que é pequena só diz disparates e hoje até parece ter bebido mais do que água das pedras.
Totalitarismo é uma ferramenta. Imagine um formigueiro, caro leitor. A formiga é um disparate autêntico em termos unitários, mas quando acompanhada de milhares é imbatível. O totalitarismo resulta na busca desta força. Deste poder.
Mas como obter tal poder se o Homem é individualista por natureza? Criemos um ideal. Se tivermos um ideal conjunto, o Homem transforma-se naquilo que o ideal pressupõe. Se o moldarmos bem, conseguimos toldá-lo a ser uma formiga. E aí conseguimos o nosso formigueiro. À custa da sua humanidade, mas nós não queremos saber, pois o que interessa não é o ser humano, mas o formigueiro = poder.
Como criar tal coisa? Vários métodos. Na idade média tentou-se a inquisição. Pouco. Patriotismo? Dura pouco. Nacionalismo Nazi? Quase lá, mas quebra-se nos momentos chave. Comunismo? Pouco convincente.
Então como haveremos de domesticar o pessoal?
Já sei. Se nós conseguirmos criar um processo quasi-automático de individualizar, massificar, preocupar, etc... se nós dermos uma catrambada de coisas para fazer ao Homem ele nem vai ter tempo para pensar! É isso! Se nós tivermos uma sociedade de consumo, se tivermos uma televisão a massificar o seu cérebro todos os dias com publicidade, novelas, futebol e notícias holocausticas todo o dia, 24/7, ele nem sequer vai reparar na sua alienação!
Eureka! Ainda por cima, poderemos proclamar a liberdade de todos fazerem o que quiserem, ou quase, como moral aplicada. Sexo é grátis e aconselhável, especialmente se não conhecermos a gaja. E se o fizermos, garantido que no dia seguinte cagamos nela. Matemos os velhotes. Compremos fotos de gajas nuas e carros lindos. Admiremo-nos pelo PRODUTO.
Consome consome. Consome filha!
E voilá!
Obtemos um tipo obtuso com uma filosofia de vida completamente profunda em superfície, mas alienado da vida. Sem espírito. Sem amor. Sem vida.
Mas porquê tudo isto? AAAHH. Porque se eu for esperto consigo usar este tipo. Este e outros! As maravilhas da democracia capitalista tem destas coisas: vou usar as suas necessidades criadas por mim ou pelos outros espertos de modo a que ele trabalhe para mim, para eu (empresário que sou) criar outras necessidades. Para que haja ainda mais desejos e trabalho. Claro que tou também a ser usado, mas pouco importa porque depois posso comprar o porsche que sempre desejei... (quem foi o esperto que o criou?)
E depois chamamos isto de "riqueza"!!
Epa e se criarmos casas cada vez mais individualistas, cada vez com mais produtos, mais tvs, mais internets, mais tudo... heheheeh. Mais tão na minha palma da mão!!! MWuahahahaahahAHAHA!
Bolas. O mais triste é que mesmo que eu compre o Porsche sei que vou ficar insatisfeito. Talvez tente comprar depois um bordel. Isso é que era (quem foi o esperto que criou a mulher??)
I can't get no satisfaction!
Gostaria de falar hoje de TOTALITARISMO. O que é? Nem pensem que fui ao dicionário. Ou que fui ler coisas. Tretas. Hoje vai tudo da garganta que é pequena só diz disparates e hoje até parece ter bebido mais do que água das pedras.
Totalitarismo é uma ferramenta. Imagine um formigueiro, caro leitor. A formiga é um disparate autêntico em termos unitários, mas quando acompanhada de milhares é imbatível. O totalitarismo resulta na busca desta força. Deste poder.
Mas como obter tal poder se o Homem é individualista por natureza? Criemos um ideal. Se tivermos um ideal conjunto, o Homem transforma-se naquilo que o ideal pressupõe. Se o moldarmos bem, conseguimos toldá-lo a ser uma formiga. E aí conseguimos o nosso formigueiro. À custa da sua humanidade, mas nós não queremos saber, pois o que interessa não é o ser humano, mas o formigueiro = poder.
Como criar tal coisa? Vários métodos. Na idade média tentou-se a inquisição. Pouco. Patriotismo? Dura pouco. Nacionalismo Nazi? Quase lá, mas quebra-se nos momentos chave. Comunismo? Pouco convincente.
Então como haveremos de domesticar o pessoal?
Já sei. Se nós conseguirmos criar um processo quasi-automático de individualizar, massificar, preocupar, etc... se nós dermos uma catrambada de coisas para fazer ao Homem ele nem vai ter tempo para pensar! É isso! Se nós tivermos uma sociedade de consumo, se tivermos uma televisão a massificar o seu cérebro todos os dias com publicidade, novelas, futebol e notícias holocausticas todo o dia, 24/7, ele nem sequer vai reparar na sua alienação!
Eureka! Ainda por cima, poderemos proclamar a liberdade de todos fazerem o que quiserem, ou quase, como moral aplicada. Sexo é grátis e aconselhável, especialmente se não conhecermos a gaja. E se o fizermos, garantido que no dia seguinte cagamos nela. Matemos os velhotes. Compremos fotos de gajas nuas e carros lindos. Admiremo-nos pelo PRODUTO.
Consome consome. Consome filha!
E voilá!
Obtemos um tipo obtuso com uma filosofia de vida completamente profunda em superfície, mas alienado da vida. Sem espírito. Sem amor. Sem vida.
Mas porquê tudo isto? AAAHH. Porque se eu for esperto consigo usar este tipo. Este e outros! As maravilhas da democracia capitalista tem destas coisas: vou usar as suas necessidades criadas por mim ou pelos outros espertos de modo a que ele trabalhe para mim, para eu (empresário que sou) criar outras necessidades. Para que haja ainda mais desejos e trabalho. Claro que tou também a ser usado, mas pouco importa porque depois posso comprar o porsche que sempre desejei... (quem foi o esperto que o criou?)
E depois chamamos isto de "riqueza"!!
Epa e se criarmos casas cada vez mais individualistas, cada vez com mais produtos, mais tvs, mais internets, mais tudo... heheheeh. Mais tão na minha palma da mão!!! MWuahahahaahahAHAHA!
Bolas. O mais triste é que mesmo que eu compre o Porsche sei que vou ficar insatisfeito. Talvez tente comprar depois um bordel. Isso é que era (quem foi o esperto que criou a mulher??)
I can't get no satisfaction!
Etiquetinhas:
hoje acordei com uma ganda ressaca,
masturbações intelectuais
domingo, dezembro 19, 2004
sa(n)tanismo
Tenho andado um pouca afastado das lides deste blog. É um facto inegavel e que não pretendo camuflar, a verdade é que tenho sido atingido por uma preguiça intelectual galopante que me tem feito voltara a ver tv e olhar apaticamente para o mundo durante uns dias. Embora não me podendo afirmar um niilista convicto acredito piamente no poder da ignorancia e na fraqueza de espirito. Será certamente complicado de explicar que aceito que por vezes uma pessoa se cansa de fazer as coisas correctamente e decide fazer exactamnete o contrario daquilo q acredita estra certo. É certamente um sentimento que qualquer psicologo de se trazer por casa me poderia facilmente explicar, oq que leva uma pessoa a tornar-se apatica para com o que o rodeia, o que a leva a escolher o entretenimento no lugar da sua propria vida, a indiferência no lugar da decisão e da experimentação de novas aventuras e novos sentimentos.
Mas não foi por isso q hje decidi voltar a estar na presença dos dignissimos e indesejados leitores. Acabei a pouco de ler um artigo no jornal ("-olha para ele a armar-se em intelectualoide da batata...até já parece o outro... qq dia tb começa a vir para aqui com citações e nomes de correntes de pensamento obscuras" dirá o fiel leitor... mas asseguro-lhe q foi pura casualidade, não é meu costume praticar tais actos de cultura!!!) sobre o satanismo.
Além da abordagem histórica do assunto e dos seus recentes desenvolvimentos abordava o assunto de um ponto de vista que me pareceu fantastico... o satanismo como forma de gerar o religioso, o mal como definição do bem, as páginas tantas atribuiam o aparecimento do mal como uma discordância entre os deuses que ao tomarem posições diferentes e antagonicas obrigaram a criar um novo conceito, o de certo e o de errado. será talvéz uma descoberta filosófica pouco importante da minha pessoa por si própria, mas ela fez-me pensar um pouco mais. Admitido que existe apenas uma divindade, jeová, alá, buda... não importa qm, como terá então nascido o mal? teria sido apenas uma invenção terrena, algo criado pelos imperfeitos humanos? ou será que o mal é algo tb divino? será? é mesmo preciso um inferno que justifique um paraiso? essa é uma questão... não a vou responder pq sinceramente não sei a verdade.. pessoalmente não acredito nessa tese de um deus poderoso acredito numa tese em que todos nós somos deuses e senhores do nosso destino, somos (ou se ñ somos deveriamos ser) livres de pensar e tomar a actitude que acharmos melhor... mas ai deparei-me com uma outra nova questão... e o diabo? somos deuses e diabos, somos senhores do nosso destino, da nossa fortuna e da nossa desgraça, somos todos poderosos e no fim acabamos por nunca nos aperceber disso. O mundo que existe foi inventado por cada um de nós... existem centenas, milhares, biliões de mundos diferentes... no meu mundo a guerra é um conceito abstracto que vejos nos telejornais, mas para outras pessoas pode ser a sua forma de vida e o seu ganha pão, para outras pessoas ainda o conceito que têm de guerra pode ser tão diferente do meu que podem atribuir o nome de guerra ao nosso dia a dia... conceitos diferentes para mundos diferentes... mas afinal onde é q entra aqui o diabo? será que todos os dias pensamos igual? não será o diabo a pequena disputa interna entre os deuses que crescem dentro de nós? não será que afinal o diabo só existe no nosso corpo, e sim, estamos todos possuidos por um pequeno diabo? ñ será esse um dos problemas do mundo? o facto de nós não tolerarmos os pequenos diabos dos outros enquanto que simultaneamente tratamos os nosso como inofensivos? o facto de não aceitarmos que a nossa verdade possa estar errada ( e de facto está... pelos simples motivo que ela ñ existe.. ou ña rara eventualidade de ele existir, nós não a conhecemos....) leva a simplesmente não sejamos tolerentes com outras ideias e outras verdades absolutas e indiscutiveis diferentes das nossas verdades absolutas... verdade essa que nos ultimod dias me tem impelido a optar pelo mais facil, a aceitar aquilo que me oferecem na tv, a aprender vom as massas... a criar um sentido de colectivo, a descer a terra e partilhar o meu deus com o deus das outras pessoas. é essa a maravilha da tv de hje em dia, ela nivelas as pessoas, por baixo , mas nívela... e isso pode parecer que não mas origina pontes de contacto, ligações afectivas, formas de comunicação, maneiras de fugir a pequena ilha isolada que somos, formas de contactarmos uns com os outros... nem sempre é positivo, mas as vezes é necessário... a apologia da cOltura pimba com uma forma de progresso numa sociedade cada vez mais fechada e virada para si mesma, com a cultura da mastrubação e a era da informática, e amizades por correspondência electronica, cada vez existe menos espaço para a coversa franca ...
Mas não foi por isso q hje decidi voltar a estar na presença dos dignissimos e indesejados leitores. Acabei a pouco de ler um artigo no jornal ("-olha para ele a armar-se em intelectualoide da batata...até já parece o outro... qq dia tb começa a vir para aqui com citações e nomes de correntes de pensamento obscuras" dirá o fiel leitor... mas asseguro-lhe q foi pura casualidade, não é meu costume praticar tais actos de cultura!!!) sobre o satanismo.
Além da abordagem histórica do assunto e dos seus recentes desenvolvimentos abordava o assunto de um ponto de vista que me pareceu fantastico... o satanismo como forma de gerar o religioso, o mal como definição do bem, as páginas tantas atribuiam o aparecimento do mal como uma discordância entre os deuses que ao tomarem posições diferentes e antagonicas obrigaram a criar um novo conceito, o de certo e o de errado. será talvéz uma descoberta filosófica pouco importante da minha pessoa por si própria, mas ela fez-me pensar um pouco mais. Admitido que existe apenas uma divindade, jeová, alá, buda... não importa qm, como terá então nascido o mal? teria sido apenas uma invenção terrena, algo criado pelos imperfeitos humanos? ou será que o mal é algo tb divino? será? é mesmo preciso um inferno que justifique um paraiso? essa é uma questão... não a vou responder pq sinceramente não sei a verdade.. pessoalmente não acredito nessa tese de um deus poderoso acredito numa tese em que todos nós somos deuses e senhores do nosso destino, somos (ou se ñ somos deveriamos ser) livres de pensar e tomar a actitude que acharmos melhor... mas ai deparei-me com uma outra nova questão... e o diabo? somos deuses e diabos, somos senhores do nosso destino, da nossa fortuna e da nossa desgraça, somos todos poderosos e no fim acabamos por nunca nos aperceber disso. O mundo que existe foi inventado por cada um de nós... existem centenas, milhares, biliões de mundos diferentes... no meu mundo a guerra é um conceito abstracto que vejos nos telejornais, mas para outras pessoas pode ser a sua forma de vida e o seu ganha pão, para outras pessoas ainda o conceito que têm de guerra pode ser tão diferente do meu que podem atribuir o nome de guerra ao nosso dia a dia... conceitos diferentes para mundos diferentes... mas afinal onde é q entra aqui o diabo? será que todos os dias pensamos igual? não será o diabo a pequena disputa interna entre os deuses que crescem dentro de nós? não será que afinal o diabo só existe no nosso corpo, e sim, estamos todos possuidos por um pequeno diabo? ñ será esse um dos problemas do mundo? o facto de nós não tolerarmos os pequenos diabos dos outros enquanto que simultaneamente tratamos os nosso como inofensivos? o facto de não aceitarmos que a nossa verdade possa estar errada ( e de facto está... pelos simples motivo que ela ñ existe.. ou ña rara eventualidade de ele existir, nós não a conhecemos....) leva a simplesmente não sejamos tolerentes com outras ideias e outras verdades absolutas e indiscutiveis diferentes das nossas verdades absolutas... verdade essa que nos ultimod dias me tem impelido a optar pelo mais facil, a aceitar aquilo que me oferecem na tv, a aprender vom as massas... a criar um sentido de colectivo, a descer a terra e partilhar o meu deus com o deus das outras pessoas. é essa a maravilha da tv de hje em dia, ela nivelas as pessoas, por baixo , mas nívela... e isso pode parecer que não mas origina pontes de contacto, ligações afectivas, formas de comunicação, maneiras de fugir a pequena ilha isolada que somos, formas de contactarmos uns com os outros... nem sempre é positivo, mas as vezes é necessário... a apologia da cOltura pimba com uma forma de progresso numa sociedade cada vez mais fechada e virada para si mesma, com a cultura da mastrubação e a era da informática, e amizades por correspondência electronica, cada vez existe menos espaço para a coversa franca ...
domingo, dezembro 12, 2004
sexta-feira, dezembro 03, 2004
[I am just a boy / playing the suicide game]
Pois é. O governo cai, o Pinto da Costa é indiciado e o Santana é enrabado pelo Sampaio. Isto é cá um mundo!! Aquilo que tenho para dizer sobre isto é se conduzir, não beba! E mais, se beber, não conduza! Aliás, é francamente mau o que se anda a dizer. A competência não é mais do que colocar uma garrafa de vinho tinto no momento certo, na garganta certa.
Vai uma jola? Agora não que me dói a barriga, antes uma Seltzer.
Vai uma jola? Agora não que me dói a barriga, antes uma Seltzer.
INDIRECTO AO ASSUNTO
O centro é inabordável. Rogo-te essa indisposição, maldade que é por bem ou apenas por capricho. Digo-te apenas que sim, existe uma fórmula com duas expressões matemáticas que definem TUDO. E não estou a falar de idiotices abstractas.
Em relação à falta de rigor, não te contradigo a crítica. Todavia fico um pouco desiludido com a minha incapacidade de te chocar um pouco mais.
1. POOOEMA
Em relação à tabacaria, não podias ter escolhido melhor poema para o teu ponto. Toda a literatura moderna e pós-moderna está cheia de apocalipses, desespero total e angustiante, que nos faz perguntar de onde vem sequer energias para viver: "Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra".
Tanto faz. Desprezo pela própria vida e pela existência:
"Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.", ou
"Meu coração é um balde despejado".
Não queiras viver, não queiras estudar, amar ou crer. Tudo é falso, tudo é lixo que se despeja. Desprezo que se minora tanto ao seu ser como aos seus feitos, hipocritamente:
"Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?Não, nem em mim..."
O Pessoa bem tenta empurrar a sua vaidade para debaixo do tapete mas ela rebenta pelos seus poros como perfume de vaca no campo. A sua incrível inteligência é nada comparada com a vastidão do universo. So what? Mísero exercício de humildade, antes de desprezar os objectos alheios, chamando-lhes feitos e minorando-os em comparação com o seu próprio (im)potencial:
"Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu"
Coitado. Dêem-lhe um tiro. Não vês que isto é tudo patológico? Quer dizer, até ele o diz:
"E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto."
A única coisa que ele diz certo não diz, pensa. Para logo a seguir negar. E desesperar. Não há salvação, apenas morte.
Este poema resume muita coisa, consegue agarrar muito bem o "momento". Mas tens de ser mais inteligente que isto! QUE momento é este agarrado? Que tipo é este? O que é que estás a sentir ao vê-lo a escrever isto? É este Homem aquele a quem reconheces a maior das humanidades? É isto que queres "aprender"? Mas é que não há mais nada para além disto... (embora no poema ele QUASE salte para fora do próprio poema, quase salte para fora do curto-circuito em que se encontra, mas desiste. É a imagem de um braço a cair, a largar a corda de salvamento (que um bombeiro lançou ao náufrago)).
Muita coisa fica por escrever, por falta de talento e sabedoria.
2. MORALI
A moral é falsa e verdadeira, seja ela qual for. Sinceramente, tou-me a cagar para a questão pura e dura da "moral". Tal como gostas de dizer, ela é uma falsa questão. É um formalismo. Não é assim que as coisas se passam, o que existirá porventura são metodologias do viver. E estas são encontradas, segundo critérios.
O problema desde o Renascimento é a crise do "Critério". Donde ele vem? O que é? Qual o estado de espírito para o conceber, quais as condições para as ter? Será que existe algum estado "de graça" em que se consegue conceber um critério "exacto"? Claro que não. Existirá um que seja humanamente bom? Haaa.... Aliás, já estás a ficar para trás com uma pergunta ainda mais idiota: "Mas para quê sequer um critério?"
O critério é o conteúdo da moral. Forma e Essência, Forma Formante e Forma Formada. Forma que forma e Forma que é formada. Através da experiência da Forma, através da captação da sua essência. E volta a formar outra forma. Tradição. Renovação. Revolução? (Não.) Tudo isto faz sentido mas é um ciclo fechado. Requer um sentido. Requer uma razão de existência para "morais" existirem.
Sem essa razão tudo perde sentido. Não há razão hoje, e tudo está a perder o seu próprio sentido. As coisas estão a ficar estranhas ao seu próprio nome, o ruído está a apoderar-se da realidade, e todas as morais arrebatadas. As próprias palavras ESTÃO a desconstruir-se. A PERDER o seu próprio significado. Amanhã a segurança é sinónimo de liberdade, igualando opressão à liberdade. Existirá um ministério chamado "da Verdade" que promulgará mentiras. (não existe já? O que são os média?)
"Ma perché?" Essa deve ser a pergunta. A pergunta que salva. "mas porquê?" é a pergunta que nos faz seres humanos. Porque há de ser assim? (e porque não?...)
Essa é a pergunta que move o ser humano que não é estrangeiro ao seu nome, apenas o decide encontrar. Essa é a pergunta que faz o Homem esperar mais um dia. Agarrar a corda que o sustenta no limbo da realidade sustentável. À honestidade da sua procura surge a resposta.
O encontro.
Em relação à falta de rigor, não te contradigo a crítica. Todavia fico um pouco desiludido com a minha incapacidade de te chocar um pouco mais.
1. POOOEMA
Em relação à tabacaria, não podias ter escolhido melhor poema para o teu ponto. Toda a literatura moderna e pós-moderna está cheia de apocalipses, desespero total e angustiante, que nos faz perguntar de onde vem sequer energias para viver: "Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra".
Tanto faz. Desprezo pela própria vida e pela existência:
"Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.", ou
"Meu coração é um balde despejado".
Não queiras viver, não queiras estudar, amar ou crer. Tudo é falso, tudo é lixo que se despeja. Desprezo que se minora tanto ao seu ser como aos seus feitos, hipocritamente:
"Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?Não, nem em mim..."
O Pessoa bem tenta empurrar a sua vaidade para debaixo do tapete mas ela rebenta pelos seus poros como perfume de vaca no campo. A sua incrível inteligência é nada comparada com a vastidão do universo. So what? Mísero exercício de humildade, antes de desprezar os objectos alheios, chamando-lhes feitos e minorando-os em comparação com o seu próprio (im)potencial:
"Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu"
Coitado. Dêem-lhe um tiro. Não vês que isto é tudo patológico? Quer dizer, até ele o diz:
"E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto."
A única coisa que ele diz certo não diz, pensa. Para logo a seguir negar. E desesperar. Não há salvação, apenas morte.
Este poema resume muita coisa, consegue agarrar muito bem o "momento". Mas tens de ser mais inteligente que isto! QUE momento é este agarrado? Que tipo é este? O que é que estás a sentir ao vê-lo a escrever isto? É este Homem aquele a quem reconheces a maior das humanidades? É isto que queres "aprender"? Mas é que não há mais nada para além disto... (embora no poema ele QUASE salte para fora do próprio poema, quase salte para fora do curto-circuito em que se encontra, mas desiste. É a imagem de um braço a cair, a largar a corda de salvamento (que um bombeiro lançou ao náufrago)).
Muita coisa fica por escrever, por falta de talento e sabedoria.
2. MORALI
A moral é falsa e verdadeira, seja ela qual for. Sinceramente, tou-me a cagar para a questão pura e dura da "moral". Tal como gostas de dizer, ela é uma falsa questão. É um formalismo. Não é assim que as coisas se passam, o que existirá porventura são metodologias do viver. E estas são encontradas, segundo critérios.
O problema desde o Renascimento é a crise do "Critério". Donde ele vem? O que é? Qual o estado de espírito para o conceber, quais as condições para as ter? Será que existe algum estado "de graça" em que se consegue conceber um critério "exacto"? Claro que não. Existirá um que seja humanamente bom? Haaa.... Aliás, já estás a ficar para trás com uma pergunta ainda mais idiota: "Mas para quê sequer um critério?"
O critério é o conteúdo da moral. Forma e Essência, Forma Formante e Forma Formada. Forma que forma e Forma que é formada. Através da experiência da Forma, através da captação da sua essência. E volta a formar outra forma. Tradição. Renovação. Revolução? (Não.) Tudo isto faz sentido mas é um ciclo fechado. Requer um sentido. Requer uma razão de existência para "morais" existirem.
Sem essa razão tudo perde sentido. Não há razão hoje, e tudo está a perder o seu próprio sentido. As coisas estão a ficar estranhas ao seu próprio nome, o ruído está a apoderar-se da realidade, e todas as morais arrebatadas. As próprias palavras ESTÃO a desconstruir-se. A PERDER o seu próprio significado. Amanhã a segurança é sinónimo de liberdade, igualando opressão à liberdade. Existirá um ministério chamado "da Verdade" que promulgará mentiras. (não existe já? O que são os média?)
"Ma perché?" Essa deve ser a pergunta. A pergunta que salva. "mas porquê?" é a pergunta que nos faz seres humanos. Porque há de ser assim? (e porque não?...)
Essa é a pergunta que move o ser humano que não é estrangeiro ao seu nome, apenas o decide encontrar. Essa é a pergunta que faz o Homem esperar mais um dia. Agarrar a corda que o sustenta no limbo da realidade sustentável. À honestidade da sua procura surge a resposta.
O encontro.
quinta-feira, dezembro 02, 2004
tabacaria
Não sou nada.Nunca serei nada.Não posso querer ser nada.À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é(E se soubessem quem é, o que saberiam?),Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,E não tivesse mais irmandade com as coisasSenão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da ruaA fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitadaDe dentro da minha cabeça,E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.Estou hoje dividido entre a lealdade que devoÀ Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.A aprendizagem que me deram,Desci dela pela janela das traseiras da casa.Fui até ao campo com grandes propósitos.Mas lá encontrei só ervas e árvores,E quando havia gente era igual à outra.Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!Gênio? Neste momentoCem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,E a história não marcará, quem sabe?, nem um,Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?Não, nem em mim...Em quantas mansardas e não-mansardas do mundoNão estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,E quem sabe se realizáveis,Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?O mundo é para quem nasce para o conquistarE não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,Ainda que não more nela;Serei sempre o que não nasceu para isso;Serei sempre só o que tinha qualidades;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,E ouviu a voz de Deus num poço tapado.Crer em mim? Não, nem em nada.Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardenteO seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.Escravos cardíacos das estrelas,Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;Mas acordamos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos de casa e ele é a terra inteira,Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca sereiA caligrafia rápida destes versos,Pórtico partido para o Impossível.Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,Nobre ao menos no gesto largo com que atiroA roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o raboE que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soubeE o que podia fazer de mim não o fiz.O dominó que vesti era errado.Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido.Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.Deitei fora a máscara e dormi no vestiárioComo um cão tolerado pela gerênciaPor ser inofensivoE vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,Calcando aos pés a consciência de estar existindo,Como um tapete em que um bêbado tropeçaOu um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltadaE com o desconforto da alma mal-entendendo.Ele morrerá e eu morrerei.Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,E a língua em que foram escritos os versos.Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como genteContinuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,Sempre uma coisa tão inútil como a outra,Sempre o impossível tão estúpido como o real,Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.Semiergo-me enérgico, convencido, humano,E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-losE saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.Sigo o fumo como uma rota própria,E gozo, num momento sensitivo e competente,A libertação de todas as especulaçõesE a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeiraE continuo fumando.Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universoReconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.Álvaro de Campos, 15-1-1928
Janelas do meu quarto,Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é(E se soubessem quem é, o que saberiam?),Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,E não tivesse mais irmandade com as coisasSenão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da ruaA fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitadaDe dentro da minha cabeça,E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.Estou hoje dividido entre a lealdade que devoÀ Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.A aprendizagem que me deram,Desci dela pela janela das traseiras da casa.Fui até ao campo com grandes propósitos.Mas lá encontrei só ervas e árvores,E quando havia gente era igual à outra.Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!Gênio? Neste momentoCem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,E a história não marcará, quem sabe?, nem um,Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.Não, não creio em mim.Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?Não, nem em mim...Em quantas mansardas e não-mansardas do mundoNão estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,E quem sabe se realizáveis,Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?O mundo é para quem nasce para o conquistarE não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,Ainda que não more nela;Serei sempre o que não nasceu para isso;Serei sempre só o que tinha qualidades;Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,E ouviu a voz de Deus num poço tapado.Crer em mim? Não, nem em nada.Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardenteO seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.Escravos cardíacos das estrelas,Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;Mas acordamos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,Saímos de casa e ele é a terra inteira,Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;Come chocolates!Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.Come, pequena suja, come!Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca sereiA caligrafia rápida destes versos,Pórtico partido para o Impossível.Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,Nobre ao menos no gesto largo com que atiroA roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!Meu coração é um balde despejado.Como os que invocam espíritos invocam espíritos invocoA mim mesmo e não encontro nada.Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,Vejo os cães que também existem,E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o raboE que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soubeE o que podia fazer de mim não o fiz.O dominó que vesti era errado.Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.Quando quis tirar a máscara,Estava pegada à cara.Quando a tirei e me vi ao espelho,Já tinha envelhecido.Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.Deitei fora a máscara e dormi no vestiárioComo um cão tolerado pela gerênciaPor ser inofensivoE vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,Calcando aos pés a consciência de estar existindo,Como um tapete em que um bêbado tropeçaOu um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltadaE com o desconforto da alma mal-entendendo.Ele morrerá e eu morrerei.Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,E a língua em que foram escritos os versos.Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como genteContinuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,Sempre uma coisa tão inútil como a outra,Sempre o impossível tão estúpido como o real,Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.Semiergo-me enérgico, convencido, humano,E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-losE saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.Sigo o fumo como uma rota própria,E gozo, num momento sensitivo e competente,A libertação de todas as especulaçõesE a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeiraE continuo fumando.Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeiraTalvez fosse feliz.)Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universoReconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.Álvaro de Campos, 15-1-1928
Smoke and mirors.....
Confesso… fiquei confuso… mas afinal o meu caro amigo pêlo acredita ou não na existência da verdade? Existe então uma equação suprema que rege todos os seres humanos? Uma simples forma matemática que explica tudo o que nos passa pela cabeça, que explica o génio e o fracasso, que explica o nascimento e a morte, que explica o nada e o infinito? Ñ percebi… essa equação existe mesmo ou ñ? Ñ quero saber sem é útil para alguma coisa ou ñ…. Será que essa equação existe mesmo? E que diferença terá essa equação de uma qualquer divindade que nos tenha criado a todos? Ñ serão conceitos que em si encerram muitos pontos comuns? Mas ñ vamos por ai…
Confesso que fiquei um pouco chocado com a falta de rigor intelectual desses teus “tabefes na cara” mas a medida que ia lendo cada vez ia sorrindo, encontrei muito pouco de argumentação neste teu texto, quem te não conhecesse acreditaria que estavas mais interessado na forma do texto do que no próprio conteúdo, pela forma como (não) argumentavas a questão principal do texto. Tenho que te congratular pela tirada de nietzche da “origem da tragédia” infelizmente já li esse livro a demasiado tempo para te poder responder a altura, mas admito que foi muito bem aplicada. Por outro lado a forma como utilizas os seus argumentos é exasperante, todos os conceitos que esse senhor introduziu aparecem trocados, o conceito de moral, o conceito de piadade… Moral em linhas grossas é aquilo que a sociedade defino como certo e errado, como bem e como mal, e se leres com algum cuidado o meu Post vais ver que acredito que também é a moral que define aquilo que é verdade e errado… e que o conceito de verdade é algo próprio de cada ser humano, uma vez que cada pessoa tem direito a acreditar no que acha ser a sua verdade, certas pessoas acreditam num deus que as criou a sua imagem e semelhança, outras acreditam que são um mero acaso estatístico, “-Em tantos planetas espalhados pelo universo, em algum as coisa teriam que correr mal e ter aparecido vida…..” Outros acreditam numa equação…. A minha teoria é que todos e cada um deles tem razão, a verdade deles só a eles pertence e cada um tem o direito de acreditar no que quiser… já o disse e continuo a afirmar, a verdade é um conceito inatingível… que a possas perceber ao não, não me parece relevante… isso é a mesma coisa do que dizer que consegues conceber um conceito perfeitamente, que o consegues definir, delimitar, mas que depois não consegues criar conteúdo… e ñ o consegues criar porque ele é vazio! Nesse caso passo a te apresentar o conceito de “keepop” (tem k e tudo para parecer estrangeiro e mais fino…). Este conceito diz que as pessoas têm poderes intelectuais proporcionalmente ao numero de pelos que têm nos ouvidos, mas que esses poderes podem nunca se revelar…. Tu q em parte tens sangue de cientista, que adoras a teoria dos fratais e do caos, deverias saber que os próprios números são uma aproximação da verdade, no inicio foram criados os números naturais, mas a medida que o ser humano foi evoluindo foi necessário criar algo mais complexo para explicar a realidade que nos rodeia… até pq ñ existem 2 maçãs iguas e nem nenhuma vara com exactamente 2 metros de comprimento… chama-se isso números racionais por algum motivo, já nem vou falar nos números imaginários e a necessidade e extrema utilidade que eles contêm… ou seja eles são assumidamente mentira, mas servem para muitas coisas…. Sem eles ñ tinhas carros nem electricidade nem…. As aproximações servem para tentarmos ter qq coisa próxima da verdade… já que ñ conseguimos obter o puro, ficamos pelo mais próximo que pudermos…
Li, e já reli algumas vezes este teu post e continuo a não perceber a tua posição.. até pq ñ senti nenhuma estalada….
Dizes que se ñ somos felizes é pq ñ vivemos a vida de acordo com o seu sentido, mas será necessário um sentido formal para a vida? Será que a teorização de conceitos prático te leva a acreditar que as coisas apenas têm uma solução? Ou mesmo que existam várias será que tens a vã expectativa de as poderes enumerar a todas? Acreditas mesmo nessa história da equação divina (que assim inclui o destino… pq se ela prevê tudo, já tudo está escrito, tudo está previsto e ñ passamos de marionetas de um grande teatro q é a vida….. já leste a historia inteminavel? Pareces o Bastien…. Se acreditas que a vida tem toda um destino uma lógica , que as pessoas querem mm ser felizes e q de facto as coisas contrariam a 3 lei da termodinâmica e caminham para a ordem, deixo-te um dos meus poemas favoritos…. Sei q estás farto de o ler… mas é sempre bom recordar… (principalmente a parte do meio….)
Confesso que fiquei um pouco chocado com a falta de rigor intelectual desses teus “tabefes na cara” mas a medida que ia lendo cada vez ia sorrindo, encontrei muito pouco de argumentação neste teu texto, quem te não conhecesse acreditaria que estavas mais interessado na forma do texto do que no próprio conteúdo, pela forma como (não) argumentavas a questão principal do texto. Tenho que te congratular pela tirada de nietzche da “origem da tragédia” infelizmente já li esse livro a demasiado tempo para te poder responder a altura, mas admito que foi muito bem aplicada. Por outro lado a forma como utilizas os seus argumentos é exasperante, todos os conceitos que esse senhor introduziu aparecem trocados, o conceito de moral, o conceito de piadade… Moral em linhas grossas é aquilo que a sociedade defino como certo e errado, como bem e como mal, e se leres com algum cuidado o meu Post vais ver que acredito que também é a moral que define aquilo que é verdade e errado… e que o conceito de verdade é algo próprio de cada ser humano, uma vez que cada pessoa tem direito a acreditar no que acha ser a sua verdade, certas pessoas acreditam num deus que as criou a sua imagem e semelhança, outras acreditam que são um mero acaso estatístico, “-Em tantos planetas espalhados pelo universo, em algum as coisa teriam que correr mal e ter aparecido vida…..” Outros acreditam numa equação…. A minha teoria é que todos e cada um deles tem razão, a verdade deles só a eles pertence e cada um tem o direito de acreditar no que quiser… já o disse e continuo a afirmar, a verdade é um conceito inatingível… que a possas perceber ao não, não me parece relevante… isso é a mesma coisa do que dizer que consegues conceber um conceito perfeitamente, que o consegues definir, delimitar, mas que depois não consegues criar conteúdo… e ñ o consegues criar porque ele é vazio! Nesse caso passo a te apresentar o conceito de “keepop” (tem k e tudo para parecer estrangeiro e mais fino…). Este conceito diz que as pessoas têm poderes intelectuais proporcionalmente ao numero de pelos que têm nos ouvidos, mas que esses poderes podem nunca se revelar…. Tu q em parte tens sangue de cientista, que adoras a teoria dos fratais e do caos, deverias saber que os próprios números são uma aproximação da verdade, no inicio foram criados os números naturais, mas a medida que o ser humano foi evoluindo foi necessário criar algo mais complexo para explicar a realidade que nos rodeia… até pq ñ existem 2 maçãs iguas e nem nenhuma vara com exactamente 2 metros de comprimento… chama-se isso números racionais por algum motivo, já nem vou falar nos números imaginários e a necessidade e extrema utilidade que eles contêm… ou seja eles são assumidamente mentira, mas servem para muitas coisas…. Sem eles ñ tinhas carros nem electricidade nem…. As aproximações servem para tentarmos ter qq coisa próxima da verdade… já que ñ conseguimos obter o puro, ficamos pelo mais próximo que pudermos…
Li, e já reli algumas vezes este teu post e continuo a não perceber a tua posição.. até pq ñ senti nenhuma estalada….
Dizes que se ñ somos felizes é pq ñ vivemos a vida de acordo com o seu sentido, mas será necessário um sentido formal para a vida? Será que a teorização de conceitos prático te leva a acreditar que as coisas apenas têm uma solução? Ou mesmo que existam várias será que tens a vã expectativa de as poderes enumerar a todas? Acreditas mesmo nessa história da equação divina (que assim inclui o destino… pq se ela prevê tudo, já tudo está escrito, tudo está previsto e ñ passamos de marionetas de um grande teatro q é a vida….. já leste a historia inteminavel? Pareces o Bastien…. Se acreditas que a vida tem toda um destino uma lógica , que as pessoas querem mm ser felizes e q de facto as coisas contrariam a 3 lei da termodinâmica e caminham para a ordem, deixo-te um dos meus poemas favoritos…. Sei q estás farto de o ler… mas é sempre bom recordar… (principalmente a parte do meio….)
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Tabefes na cara
Isso depende se olharmos para um clone como um ser humano, um membro nosso ou um objecto sexual. Depende da perspectiva.
Quero falar um pouco do que se tem vindo a descobrir, pois eu acredito que a verdade é inteligível, o que é diferente de dizer compreensível. Ou seja, consegue-se conceber um esquema da realidade, seja ele verdadeiro ou não pouco importa, mas sim se ele é útil ou não.
Mas o que é a "Verdade" em sua essência? Fartura diz: "trata-se de uma falsa questão", para depois rematar em cegueira completa (é que só pode): " verdade é que andamos nesta vida não em busca de felicidade… isso é uma ilusão… qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? Andamos nesta vida para viver… para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor… "
Gostaria de analisar este comentário que me parece genialmente bestial. Ele é o cerne deste mundo que eu combato, que eu procuro abanar. Vou destrinçá-lo de tal ponto que quase não restará nada senão migalhas em forma de moral. Uma falsa moral (tal como todas). Bora lá. SOU MESMO CHATO NÃO SOU? :D
"...isso é uma ilusão" Claro. Smoke and mirrors... Andamos sempre à procura de fantasmas, não é verdade? Aliás, segundo Nietzche, o rei Midas andava à caça do irmão de Dionísio, pois ele continha a fonte do sentido da vida e a resposta que ele mais queria. Quando o caçou perguntou-lhe, obviamente: "O que é que de melhor há nesta vida?", Qual é o desejo máximo, a plenitude? O semi-deus abriu-se em gargalhadas e troça do mortal: "Meu Rei, o que tu de melhor poderias ter está-te já vedado desde que nasceste e nunca poderás ter, que era nunca ter nascido. A segunda melhor coisa é-te mais possível, é que morras daqui a pouco tempo"
Este é o nascimento da Tragédia Grega. O espelho que nunca nos fala, apenas nos "reflecte". E assim pensamos, assim "reflectimos"...
... Mas então porque pensamos? Para pensar? Para que existe um cérebro?
NEXT
"qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? "
Havia um ditado, como é que era, errare humanum est...
Cuidado com os argumentos perniciosos desse tipo. É do género um gajo dizer, é humano não matar. "Balelas. Como se isso fosse humano. Quantas vezes o Homem não matou?"
Claro que faz todo o sentido. Não tou aqui em querelas de lógica. Mas o que vale é que não somos máquinas como tu bem dizes....
NEXT.
"Andamos nesta vida para viver": Um tipo de raciocínio circular é sempre útil neste tipo de discussões. É sonante, tem ritmo e não diz nada. É quase tão ridículo como dizer "Andamos a escrever... para escrever", ou "Andamos de carro para conduzir", ou "Respiramos... para respirar", entre outras nulidades de espírito. Outra questão engraçada seria "o que é viver?", talvez a resposta fosse: "é andar na vida". Brilhante.
Claro que compreendo o sentido da frase, aliás em todo o lado está patente o espírito propositadamente circular da coisa, como se ela se auto-justificasse, sendo em si uma peça coerente e estética, só necessitando disto para existir e ser REAL. Concebe-se a vida como uma obra estética per si. Quer dizer, já os Gregos o diziam. Já Nietzche o disse, porque não uma fartura?
É de quem não sente, é de quem não aspira, não sofre, não... vive. (e tal como a outra diria, como contrário de estar vivo é estar morto, fartura estando viva, talvez se tenha enganado no raciocínio....) just maybe ;).
NEXT.
"para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor…"
Esta é a mais bonita de todas. Vá lá, façam um sorriso, não é bonita? Quase merecia estar num diálogo de filmes de hollywood. Ou uma campanha de GWBush...
O que mais me impressiona nesta frase é a mais hipócrita das atitudes que alguém pode ter. A melhor das impressões???? Mas que merda? Fds se eu quisesse uma impressão tenho aqui uma HP que faz A3 e tudo. Ou então na escola, fazem até A0's. Impressão? É o que eu digo tás a ver? Smoke and mirrors. Coloca a tua máscara que eu coloco a minha, bora lá fazer um teatrozito engraçado. Bora lá divertirmo-nos.
No fundo o pos-modernismo resume-se a isso: é tudo um enorme entertainment. Talvez patrocinado pela Mc Donalds, desde que haja pipocas e farturas, tásse bem.
(Eu admito que não consigo deixar a minha própria máscara. Aliás, é necessário sermos humilhados para o conseguirmos. O mais estranho é então esse desejo de humilhação... será que somos masoquistas? Faz parte do teatro? Qual é o desejo maior do Homem? Talvez tenhas razão, talvez não seja bem a "felicidade".... talvez isso seja mais uma consequência do que uma razão - embora eu ainda faça um fincapé nisto, porque tenho pressentimentos - ... mas então qual é? Não é viver...)
Depois claro, vem o mais lindo, o mais óbvio, o mais pimba de todo o discurso... "Criar um mundo melhor". Fds, parece mais uma daquelas miss mundo a desejar "o fim da fome, o fim das guerras..." Quero lá saber dos merdolas que estão a morrer, eu quero é saber de mim!! Da minha "felicidade", como eu digo, da minha "vida", como fartura diz. Quase parece um repertório Comunista "... em favor da causa humanitária..." BALELAS.
"é essa a minha visão romântica da questão…. "
Tretas. O romantismo é uma neurose vinda de uma melancolia grave em que o Mundo se mergulhou. Tal como eu vejo há basicamente dois tipos de culturas neste mundo, com nuances claro:
A primeira é a de um enorme frenesi, em que se sente a máquina a andar, e ai de nós se a perdemos. "É mais uma volta, as crianças não pagam mas também não aaandam". Actividades de hobbies até workaholics, não se pode ter um momento de pausa. Momentos de pausa significam perdas de tempo (como se o tempo fosse uma coisa que se perdesse), vazios que nos lembrariam do vazio que existe no nosso coração. Significam que somos um zero à esquerda que ficou para trás, um idiota perdido em melancolias.
A segunda é a de uma enorme melancolia. Uma melancolia, segundo Freud, é uma doença que vem do nosso confronto com um trauma. Existem várias reacções. Uma delas é o luto, temporário. No entanto, se houver uma grande permanência deste tipo de sentimentos surge a melancolia, que se pode definir como uma permanência no passado, uma nostalgia de um tempo em que as coisas foram (ou são) melhores, sem nunca o serem no presente. No agora. Fica-se na fantasia, a suspirar por ela. Talvez venha, talvez não.
Quer dizer, é patológico. Se não sabemos viver a vida de acordo com o seu sentido, talvez por isso não sejamos felizes. Seja qual for o sentido da vida, ele existe no presente, tal como tu pressentes. No quotidiano. Na escrita. O objectivo do poeta é tentar arrancá-lo da vida, pois não existe só um, existem muitos, todos válidos. Todos o MESMO. Há quem lhe dê nomes, há quem se iluda a pensar que olhando ao espelho talvez o encontre. Há quem até pense que se pode acreditar em si próprio. Como se eu me bastasse a mim mesmo!!! Que ridículo, o meu coração deseja o infinito, é ser mais alto, é ser maior que os Homens, morder como beija, é ser mendigo e dar como quem seja, Rei do Reino de aquém e de além dor. É ter mil desejos e um esplendor, e não saber sequer que se dejesa, é ter cá dentro um astro que flameja, é ter garras e asas de condor.
É ter fome é ter sede de infinito.
É condensar um mundo num só grito.
Recomendo a leitura atenta (e perspicaz) do resto do poema para uma pista sobre o sentido da vida.
ATENÇÃO.
Todo este texto não é para te "ganhar", é para te chocar. Pressinto que a tua resposta é bem mais parecida com aquilo que tenho dito ultimamente do que o que tu próprio tens dito (embora n te dês conta). Escrevo isto para to esbofetear na cara, pois és meu amigo.
Um abraço!
Quero falar um pouco do que se tem vindo a descobrir, pois eu acredito que a verdade é inteligível, o que é diferente de dizer compreensível. Ou seja, consegue-se conceber um esquema da realidade, seja ele verdadeiro ou não pouco importa, mas sim se ele é útil ou não.
Mas o que é a "Verdade" em sua essência? Fartura diz: "trata-se de uma falsa questão", para depois rematar em cegueira completa (é que só pode): " verdade é que andamos nesta vida não em busca de felicidade… isso é uma ilusão… qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? Andamos nesta vida para viver… para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor… "
Gostaria de analisar este comentário que me parece genialmente bestial. Ele é o cerne deste mundo que eu combato, que eu procuro abanar. Vou destrinçá-lo de tal ponto que quase não restará nada senão migalhas em forma de moral. Uma falsa moral (tal como todas). Bora lá. SOU MESMO CHATO NÃO SOU? :D
"...isso é uma ilusão" Claro. Smoke and mirrors... Andamos sempre à procura de fantasmas, não é verdade? Aliás, segundo Nietzche, o rei Midas andava à caça do irmão de Dionísio, pois ele continha a fonte do sentido da vida e a resposta que ele mais queria. Quando o caçou perguntou-lhe, obviamente: "O que é que de melhor há nesta vida?", Qual é o desejo máximo, a plenitude? O semi-deus abriu-se em gargalhadas e troça do mortal: "Meu Rei, o que tu de melhor poderias ter está-te já vedado desde que nasceste e nunca poderás ter, que era nunca ter nascido. A segunda melhor coisa é-te mais possível, é que morras daqui a pouco tempo"
Este é o nascimento da Tragédia Grega. O espelho que nunca nos fala, apenas nos "reflecte". E assim pensamos, assim "reflectimos"...
... Mas então porque pensamos? Para pensar? Para que existe um cérebro?
NEXT
"qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? "
Havia um ditado, como é que era, errare humanum est...
Cuidado com os argumentos perniciosos desse tipo. É do género um gajo dizer, é humano não matar. "Balelas. Como se isso fosse humano. Quantas vezes o Homem não matou?"
Claro que faz todo o sentido. Não tou aqui em querelas de lógica. Mas o que vale é que não somos máquinas como tu bem dizes....
NEXT.
"Andamos nesta vida para viver": Um tipo de raciocínio circular é sempre útil neste tipo de discussões. É sonante, tem ritmo e não diz nada. É quase tão ridículo como dizer "Andamos a escrever... para escrever", ou "Andamos de carro para conduzir", ou "Respiramos... para respirar", entre outras nulidades de espírito. Outra questão engraçada seria "o que é viver?", talvez a resposta fosse: "é andar na vida". Brilhante.
Claro que compreendo o sentido da frase, aliás em todo o lado está patente o espírito propositadamente circular da coisa, como se ela se auto-justificasse, sendo em si uma peça coerente e estética, só necessitando disto para existir e ser REAL. Concebe-se a vida como uma obra estética per si. Quer dizer, já os Gregos o diziam. Já Nietzche o disse, porque não uma fartura?
É de quem não sente, é de quem não aspira, não sofre, não... vive. (e tal como a outra diria, como contrário de estar vivo é estar morto, fartura estando viva, talvez se tenha enganado no raciocínio....) just maybe ;).
NEXT.
"para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor…"
Esta é a mais bonita de todas. Vá lá, façam um sorriso, não é bonita? Quase merecia estar num diálogo de filmes de hollywood. Ou uma campanha de GWBush...
O que mais me impressiona nesta frase é a mais hipócrita das atitudes que alguém pode ter. A melhor das impressões???? Mas que merda? Fds se eu quisesse uma impressão tenho aqui uma HP que faz A3 e tudo. Ou então na escola, fazem até A0's. Impressão? É o que eu digo tás a ver? Smoke and mirrors. Coloca a tua máscara que eu coloco a minha, bora lá fazer um teatrozito engraçado. Bora lá divertirmo-nos.
No fundo o pos-modernismo resume-se a isso: é tudo um enorme entertainment. Talvez patrocinado pela Mc Donalds, desde que haja pipocas e farturas, tásse bem.
(Eu admito que não consigo deixar a minha própria máscara. Aliás, é necessário sermos humilhados para o conseguirmos. O mais estranho é então esse desejo de humilhação... será que somos masoquistas? Faz parte do teatro? Qual é o desejo maior do Homem? Talvez tenhas razão, talvez não seja bem a "felicidade".... talvez isso seja mais uma consequência do que uma razão - embora eu ainda faça um fincapé nisto, porque tenho pressentimentos - ... mas então qual é? Não é viver...)
Depois claro, vem o mais lindo, o mais óbvio, o mais pimba de todo o discurso... "Criar um mundo melhor". Fds, parece mais uma daquelas miss mundo a desejar "o fim da fome, o fim das guerras..." Quero lá saber dos merdolas que estão a morrer, eu quero é saber de mim!! Da minha "felicidade", como eu digo, da minha "vida", como fartura diz. Quase parece um repertório Comunista "... em favor da causa humanitária..." BALELAS.
"é essa a minha visão romântica da questão…. "
Tretas. O romantismo é uma neurose vinda de uma melancolia grave em que o Mundo se mergulhou. Tal como eu vejo há basicamente dois tipos de culturas neste mundo, com nuances claro:
A primeira é a de um enorme frenesi, em que se sente a máquina a andar, e ai de nós se a perdemos. "É mais uma volta, as crianças não pagam mas também não aaandam". Actividades de hobbies até workaholics, não se pode ter um momento de pausa. Momentos de pausa significam perdas de tempo (como se o tempo fosse uma coisa que se perdesse), vazios que nos lembrariam do vazio que existe no nosso coração. Significam que somos um zero à esquerda que ficou para trás, um idiota perdido em melancolias.
A segunda é a de uma enorme melancolia. Uma melancolia, segundo Freud, é uma doença que vem do nosso confronto com um trauma. Existem várias reacções. Uma delas é o luto, temporário. No entanto, se houver uma grande permanência deste tipo de sentimentos surge a melancolia, que se pode definir como uma permanência no passado, uma nostalgia de um tempo em que as coisas foram (ou são) melhores, sem nunca o serem no presente. No agora. Fica-se na fantasia, a suspirar por ela. Talvez venha, talvez não.
Quer dizer, é patológico. Se não sabemos viver a vida de acordo com o seu sentido, talvez por isso não sejamos felizes. Seja qual for o sentido da vida, ele existe no presente, tal como tu pressentes. No quotidiano. Na escrita. O objectivo do poeta é tentar arrancá-lo da vida, pois não existe só um, existem muitos, todos válidos. Todos o MESMO. Há quem lhe dê nomes, há quem se iluda a pensar que olhando ao espelho talvez o encontre. Há quem até pense que se pode acreditar em si próprio. Como se eu me bastasse a mim mesmo!!! Que ridículo, o meu coração deseja o infinito, é ser mais alto, é ser maior que os Homens, morder como beija, é ser mendigo e dar como quem seja, Rei do Reino de aquém e de além dor. É ter mil desejos e um esplendor, e não saber sequer que se dejesa, é ter cá dentro um astro que flameja, é ter garras e asas de condor.
É ter fome é ter sede de infinito.
É condensar um mundo num só grito.
Recomendo a leitura atenta (e perspicaz) do resto do poema para uma pista sobre o sentido da vida.
ATENÇÃO.
Todo este texto não é para te "ganhar", é para te chocar. Pressinto que a tua resposta é bem mais parecida com aquilo que tenho dito ultimamente do que o que tu próprio tens dito (embora n te dês conta). Escrevo isto para to esbofetear na cara, pois és meu amigo.
Um abraço!
duvida pertinente
Com toda esta polémica a propósito da clonagem, uma grande pergunta urge colocar: Alguém que tenha relações sexuais com o seu próprio clone: éhomossexual, está a masturbar-se ou fodeu-se?"
É caso para dizer: E esta, heim?
É caso para dizer: E esta, heim?
terça-feira, novembro 30, 2004
Direito ao contraditório
E assim somos introduzidos numa temática metafísica, pseudo intelectual e com tal armada de argumentos vazados de sentido real. O que nos leva a concluir que todas as argumentações são inúteis e vazias, uma vez que não passam de um mero exercício de expressão de raciocínios encadeados, e que apesar de fundamentados por uma lógica nunca poderão vir a ser provados concretamente recorrendo a provas de facto.
Parte do meu ser reclama como verdadeira a premissa que afirma sermos parte de um grande todo, reclama como certa a teoria que existe uma força superior que nos rege, uma equação suprema e definitiva que explique sem margem para dúvida a rotina quotidiana que nos rege. O pêlo encara a realidade, ou deverei antes dizer a Verdade como um prisma, em que um observador apenas consegue enxergar uma face, ou quanto muito uma aresta. Nesta teoria a verdade é algo palpável, real e que está perante a nossa frente, mas que por motivos obscuros os nossos sentidos não conseguem traduzir para uma realidade cognitiva palpável, transmissível e aceitável pelos outros. A verdade vai sendo revelada a medida que andamos de volta do mesmo conceito onde várias pessoas olham a mesma coisa e obtêm resultados diferentes. O Pêlo acredita que esse é o único processo para a filosofia atingir o seu fim supremo: a descoberta do conhecimento ultimo.
Será talvez deformação profissional, talvez tacanhez, ou até quem sabe má vontade, mas desde a muito que nunca aceito o conhecimento que os outros me oferecem de borla… e será talvez por isso que afirmo que o conceito de verdade é algo que não existe. Trata-se de um conceito altamente pessoal, aquilo que um aceita como verdade pode ser considerado incorrecto por outro. A verdade é que o conceito de verdade é extremamente relativo…trata-se um conceito com um sem fim de condicionalismos… a verdade é influenciada pela história, pela sociologia, pela liberdade… enfim pela moral.
Tentando simplificar um pouco a teoria a verdade é que não existe uma verdade única para a mesma questão, mas verdades múltiplas. E cada verdade encerra em si um sem fim de condicionalismos que a torna única. Tentado retomar a alegoria do pêlo, se a verdade fosse um cubo, estaríamos constantemente a descobrir novas facetas desse mesmo cubo, entrando em novas dimensões do espaço-tempo. Poderá mesmo dizer que sendo um conceito intimamente ligado com a moral de uma sociedade é algo em constante mutação e que a ter um fim significaria a sintonia de todos os seres humanos, o pensamento unificado, algo que estará mais próximo de uma série de computadores do que um conjunto de seres humanos….
Mas se a verdade não existe entramos aparentemente numa contrariedade… se ela não existe, então a afirmação que acabei de produzir não tem qq significado, pois tb ela é desprovida de verdade… mas trata-se de uma falsa questão. Ainda a pouco vinculei a minha verdade a um conceito espaço-tempo-moral. Ou seja neste instante em que escrevo esta é a minha verdade, o que não significa que seja a verdade do leitor, ou a verdade do pêlo. Mas por outro lado isso tb ñ qr dizer que a sua indesejado leitor seja uma verdade errada… mas apenas incompleta. Um problema para estar completo tem que abordar todas as perspectivas, até mesmo as erradas, porque quem sabe visto de um outro ângulo essa pode ser a resposta correcta, ou de novo a errada, mas que ajudou a confirmar que a que considerávamos correcta era de facto a nossa verdade.
A verdade é que andamos nesta vida não em busca de felicidade… isso é uma ilusão… qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? Andamos nesta vida para viver… para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor… é essa a minha visão romântica da questão…. Mas isso já é tema para um post completamente diferente….
Parte do meu ser reclama como verdadeira a premissa que afirma sermos parte de um grande todo, reclama como certa a teoria que existe uma força superior que nos rege, uma equação suprema e definitiva que explique sem margem para dúvida a rotina quotidiana que nos rege. O pêlo encara a realidade, ou deverei antes dizer a Verdade como um prisma, em que um observador apenas consegue enxergar uma face, ou quanto muito uma aresta. Nesta teoria a verdade é algo palpável, real e que está perante a nossa frente, mas que por motivos obscuros os nossos sentidos não conseguem traduzir para uma realidade cognitiva palpável, transmissível e aceitável pelos outros. A verdade vai sendo revelada a medida que andamos de volta do mesmo conceito onde várias pessoas olham a mesma coisa e obtêm resultados diferentes. O Pêlo acredita que esse é o único processo para a filosofia atingir o seu fim supremo: a descoberta do conhecimento ultimo.
Será talvez deformação profissional, talvez tacanhez, ou até quem sabe má vontade, mas desde a muito que nunca aceito o conhecimento que os outros me oferecem de borla… e será talvez por isso que afirmo que o conceito de verdade é algo que não existe. Trata-se de um conceito altamente pessoal, aquilo que um aceita como verdade pode ser considerado incorrecto por outro. A verdade é que o conceito de verdade é extremamente relativo…trata-se um conceito com um sem fim de condicionalismos… a verdade é influenciada pela história, pela sociologia, pela liberdade… enfim pela moral.
Tentando simplificar um pouco a teoria a verdade é que não existe uma verdade única para a mesma questão, mas verdades múltiplas. E cada verdade encerra em si um sem fim de condicionalismos que a torna única. Tentado retomar a alegoria do pêlo, se a verdade fosse um cubo, estaríamos constantemente a descobrir novas facetas desse mesmo cubo, entrando em novas dimensões do espaço-tempo. Poderá mesmo dizer que sendo um conceito intimamente ligado com a moral de uma sociedade é algo em constante mutação e que a ter um fim significaria a sintonia de todos os seres humanos, o pensamento unificado, algo que estará mais próximo de uma série de computadores do que um conjunto de seres humanos….
Mas se a verdade não existe entramos aparentemente numa contrariedade… se ela não existe, então a afirmação que acabei de produzir não tem qq significado, pois tb ela é desprovida de verdade… mas trata-se de uma falsa questão. Ainda a pouco vinculei a minha verdade a um conceito espaço-tempo-moral. Ou seja neste instante em que escrevo esta é a minha verdade, o que não significa que seja a verdade do leitor, ou a verdade do pêlo. Mas por outro lado isso tb ñ qr dizer que a sua indesejado leitor seja uma verdade errada… mas apenas incompleta. Um problema para estar completo tem que abordar todas as perspectivas, até mesmo as erradas, porque quem sabe visto de um outro ângulo essa pode ser a resposta correcta, ou de novo a errada, mas que ajudou a confirmar que a que considerávamos correcta era de facto a nossa verdade.
A verdade é que andamos nesta vida não em busca de felicidade… isso é uma ilusão… qtas e qtas vezes ñ optamos por atitudes que nos afastaram desse objectivo? Andamos nesta vida para viver… para apreciar o momento e para deixar junto do nosso semelhante a melhor das impressões e assim ajudar a criar um mundo melhor… é essa a minha visão romântica da questão…. Mas isso já é tema para um post completamente diferente….
sábado, novembro 27, 2004
[I Wanna outrace the speed of Pain / For another day]
Há vezes em que acordo dormindo, o dia passa e na memória fica apenas um dia riscado no calendário. Nestes dias vejo tudo com os olhos em bico. Imaginem um filme em pal super super plus, 160:9 ou coisa parecida. Nunca vejo o sol, apenas o crepúsculo de uma civilização em ruínas com os olhos cansados. [The last day on Earth].
Futuro inatingível, Passado inexistente. O eterno presente encharcado em fugas vícios e drogas que nos liquidificam até nos tornarmos indistintos e indissociáveis do fluído orgástico.
A dor é a única coisa que temos que ainda resiste a este torpor inevitável.
A dor do vazio, o medo do não porvir do qual eternamente fugimos e adiamos.
O medo do confronto com o nosso destino.
A sua negação até.
É este medo que nos faz questionar. Medos opostos que se combatem pelo vazio e pela plenitude, uma dúvida permanece e requer resposta imediata, à face de rotura do pêndulo: será a verdade atingível e será ela fundamental para a beleza? Tem o infinito resposta?
Em verdade vos digo. O Homem moderno e pos-moderno diz que não. Jacques Derrida, desconstrutivista-mor: The number of concepts is so large and enormous, and its play so unpredictable that no man can construct the true concept system. A verdade é inatingível pelo Homem. Relativismo Total é a única coisa que realmente existe. Estas próprias palavras são corruptas (pois partimos do princípio que SABEMOS o que elas querem dizer...), todo o Mundo é inatingível.
Pare-se de escrever. Somos apenas ruído que sonha com pedras, areias solipsistas a bailar no universo. O Cubo não existe, só existem espelhos que se reflectem uns aos outros. Smoke and mirrors. Fractais no universo que formam imagens de fluídos turbulentos que não são nem belos nem feios, apenas são.
Pare-se de falar. Tudo são sons ininteligíveis pela incapacidade inata do ser em compreender o Outro, diga-se a "verdade", não se fala, discursa-se. Não se dialoga, monologa-se. TU não existes, só existo EU, ou vice-versa no caso do leitor: EU não existo, só TU existes.
Pratique-se a liberdade. Fodamos até mais não, desde a perda da nossa virgindade à nossa transformação em proxenetas. I am not in love but I'm gonna fuck you till somebody better comes along.
I breathe.... for what?
Futuro inatingível, Passado inexistente. O eterno presente encharcado em fugas vícios e drogas que nos liquidificam até nos tornarmos indistintos e indissociáveis do fluído orgástico.
A dor é a única coisa que temos que ainda resiste a este torpor inevitável.
A dor do vazio, o medo do não porvir do qual eternamente fugimos e adiamos.
O medo do confronto com o nosso destino.
A sua negação até.
É este medo que nos faz questionar. Medos opostos que se combatem pelo vazio e pela plenitude, uma dúvida permanece e requer resposta imediata, à face de rotura do pêndulo: será a verdade atingível e será ela fundamental para a beleza? Tem o infinito resposta?
Em verdade vos digo. O Homem moderno e pos-moderno diz que não. Jacques Derrida, desconstrutivista-mor: The number of concepts is so large and enormous, and its play so unpredictable that no man can construct the true concept system. A verdade é inatingível pelo Homem. Relativismo Total é a única coisa que realmente existe. Estas próprias palavras são corruptas (pois partimos do princípio que SABEMOS o que elas querem dizer...), todo o Mundo é inatingível.
Pare-se de escrever. Somos apenas ruído que sonha com pedras, areias solipsistas a bailar no universo. O Cubo não existe, só existem espelhos que se reflectem uns aos outros. Smoke and mirrors. Fractais no universo que formam imagens de fluídos turbulentos que não são nem belos nem feios, apenas são.
Pare-se de falar. Tudo são sons ininteligíveis pela incapacidade inata do ser em compreender o Outro, diga-se a "verdade", não se fala, discursa-se. Não se dialoga, monologa-se. TU não existes, só existo EU, ou vice-versa no caso do leitor: EU não existo, só TU existes.
Pratique-se a liberdade. Fodamos até mais não, desde a perda da nossa virgindade à nossa transformação em proxenetas. I am not in love but I'm gonna fuck you till somebody better comes along.
I breathe.... for what?
segunda-feira, novembro 01, 2004
mulheres peludas.....
Pois pois......
essa história de direitos dos pêlos é muito bonita, a malta é toda unida e tal, mas na hora do aperto é q se vê.... pelos de um raio! quem já esteve num autocarro em hora de ponta percebe o que eu estou a falar... por muito direito a vida que desejam, se depender de mim vão ter que bater a bolinha baixinho.... curtinhos e lavadinhos.... e se pertencentes a um elemento feminino da espécie devem simplesmente ser aniquilados... este é um ponto senssivel neste blog, o Pêlo já deixou bem marcada a sua posição no que toca a esta questão, mas meus amigos.... mulheres peludas deveria ser elevado a crime... se não contra a higiene, pelo menos contra o bom gosto... uma mulher que fosse apanhada na rua com a sovacada a transbordar pela camisola deveria ser apontada ás criancinhas como um exemplo negativo, como um bicho papão.... é como dormir com um macaco...e toda a gente sabe q os macacos não gostam de farturas.....
essa história de direitos dos pêlos é muito bonita, a malta é toda unida e tal, mas na hora do aperto é q se vê.... pelos de um raio! quem já esteve num autocarro em hora de ponta percebe o que eu estou a falar... por muito direito a vida que desejam, se depender de mim vão ter que bater a bolinha baixinho.... curtinhos e lavadinhos.... e se pertencentes a um elemento feminino da espécie devem simplesmente ser aniquilados... este é um ponto senssivel neste blog, o Pêlo já deixou bem marcada a sua posição no que toca a esta questão, mas meus amigos.... mulheres peludas deveria ser elevado a crime... se não contra a higiene, pelo menos contra o bom gosto... uma mulher que fosse apanhada na rua com a sovacada a transbordar pela camisola deveria ser apontada ás criancinhas como um exemplo negativo, como um bicho papão.... é como dormir com um macaco...e toda a gente sabe q os macacos não gostam de farturas.....
segunda-feira, outubro 25, 2004
Nas ne Dagoniat
Reinvindicação dos direitos do pêlo
O Sindicato dos Direitos do Pêlo (SDP) desde o início da sua existência que realça a importância da criação de uma Carta de Direitos de toda a população pilosa. Aqui redigimos um documento com alguns artigos que achamos fundamentais para a dignidade e respeito de cada pêlo, no seguimento do artigo 29º do DR 290/2003, segundo parágrafo.
Deste modo reinvindicamos o seguinte:
1 - Todo o pêlo tem direito à sua vida. A vida do pêlo é a sua característica mais fundamental à sua existência sem a qual nada faz sentido. Exigimos o respeito de quem nos domina e conjuga de não nos arrancar sem a devida requisição e aprovação pelo conselho de pilosidades, sector 3, gabinete de obras corpóreas.
2 - Todo o pêlo tem direito a ser bem lavado pelo menos uma vez por mês. Existem casos reportados de determinados pêlos que para além de só serem higienizados uma vez por ano ou nem tanto, ainda têm a infelicidade de terem nascido em lugares menos perfumados. A falta de consideração chega a níveis monstruosos, chegando a haver pelocídios completos quando o respectivo tirano se lembra (assim uma vez na vida) de limpar determinadas zonas do seu corpo.
3 - Todo o pêlo tem direito ao seu comprimento mínimo, a estipular de acordo com uma tabela por definir. Lutaremos contra esse infame que é o barbear todos os dias, cortar o cabelo com gillete, fazer a depilação, etc. Tais crimes exigimos nós serem julgados com a pena máxima, dado a brutalidade, a desumanidade, o horror e o holocausto que representam.
4 - Todo o pêlo tem o direito de ser cortado de modo respeitoso e tolerante, de maneira a garantir o seu melhor estado e condição. A ausência de corte do pêlo faz com que se torne fraco, pouco viçoso e eventualmente perde totalmente a sua coerência. Torna-se bêbado e cai desemparado.
Esperamos que estas necessidades e exigências nos sejam garantidas, dada a enorme importância que nós representamos no mundo corpóreo. Muitíssimo obrigado e bem haja.
O Director Geral do Sindicato dos Direitos dos Pêlos,
~
O Sindicato dos Direitos do Pêlo (SDP) desde o início da sua existência que realça a importância da criação de uma Carta de Direitos de toda a população pilosa. Aqui redigimos um documento com alguns artigos que achamos fundamentais para a dignidade e respeito de cada pêlo, no seguimento do artigo 29º do DR 290/2003, segundo parágrafo.
Deste modo reinvindicamos o seguinte:
1 - Todo o pêlo tem direito à sua vida. A vida do pêlo é a sua característica mais fundamental à sua existência sem a qual nada faz sentido. Exigimos o respeito de quem nos domina e conjuga de não nos arrancar sem a devida requisição e aprovação pelo conselho de pilosidades, sector 3, gabinete de obras corpóreas.
2 - Todo o pêlo tem direito a ser bem lavado pelo menos uma vez por mês. Existem casos reportados de determinados pêlos que para além de só serem higienizados uma vez por ano ou nem tanto, ainda têm a infelicidade de terem nascido em lugares menos perfumados. A falta de consideração chega a níveis monstruosos, chegando a haver pelocídios completos quando o respectivo tirano se lembra (assim uma vez na vida) de limpar determinadas zonas do seu corpo.
3 - Todo o pêlo tem direito ao seu comprimento mínimo, a estipular de acordo com uma tabela por definir. Lutaremos contra esse infame que é o barbear todos os dias, cortar o cabelo com gillete, fazer a depilação, etc. Tais crimes exigimos nós serem julgados com a pena máxima, dado a brutalidade, a desumanidade, o horror e o holocausto que representam.
4 - Todo o pêlo tem o direito de ser cortado de modo respeitoso e tolerante, de maneira a garantir o seu melhor estado e condição. A ausência de corte do pêlo faz com que se torne fraco, pouco viçoso e eventualmente perde totalmente a sua coerência. Torna-se bêbado e cai desemparado.
Esperamos que estas necessidades e exigências nos sejam garantidas, dada a enorme importância que nós representamos no mundo corpóreo. Muitíssimo obrigado e bem haja.
O Director Geral do Sindicato dos Direitos dos Pêlos,
~
quarta-feira, outubro 20, 2004
On Tour
Boas! Parece que o Blog ficou pela conta aqui do pêlo. É sempre assim, a formiga é que fica sempre a trabalhar, e a cigarra a brincar... (entenda-se que eu personifico a segunda!)
Mas tudo se vai alterar! Entrei já no dito anus lectivus, o que quer dizer muito papel higiénico. Nojeiras à parte, a bola NÃO entrou mesmo, diga lá o Vieira, ou Veiga, ou Vesgos, o que quiserem. E onde é que estavam os penalties hãã? Fiquei sem saber...
Os nortenhos vão ganhar de novo o campeonato, mas isso já não é novidade. Aliás, os três anos de sabática afinal também estavam escritos em acta, segundo uma investigação recente não publicada. Tudo faz parte de um plano escrupuloso e preciso do senhor Pinto da Costa para dominar o mundo e deixá-lo ao filho, resta saber qual e de quem. Este plano estava a ser muitissimo bem delineado e estudado, até que um forasteiro mal encarado quase deitou tudo a perder, adiantando em algumas décadas várias fases do plano, como tornar-se campeão europeu e coisas assim...
Ah, de reparo: o FeCePe é que é Campeão Europeu, e não aquele clube bairrista com farpelas encarnadas perdido entre a cova da moura e o bairro j, noto ainda alguma confusão neste aspecto sobre a importância jornalística que cada notícia tem. É só právisar.
Prontos, pá é que prontos, pareceu-me importante dizer isto... prontos.
Mas tudo se vai alterar! Entrei já no dito anus lectivus, o que quer dizer muito papel higiénico. Nojeiras à parte, a bola NÃO entrou mesmo, diga lá o Vieira, ou Veiga, ou Vesgos, o que quiserem. E onde é que estavam os penalties hãã? Fiquei sem saber...
Os nortenhos vão ganhar de novo o campeonato, mas isso já não é novidade. Aliás, os três anos de sabática afinal também estavam escritos em acta, segundo uma investigação recente não publicada. Tudo faz parte de um plano escrupuloso e preciso do senhor Pinto da Costa para dominar o mundo e deixá-lo ao filho, resta saber qual e de quem. Este plano estava a ser muitissimo bem delineado e estudado, até que um forasteiro mal encarado quase deitou tudo a perder, adiantando em algumas décadas várias fases do plano, como tornar-se campeão europeu e coisas assim...
Ah, de reparo: o FeCePe é que é Campeão Europeu, e não aquele clube bairrista com farpelas encarnadas perdido entre a cova da moura e o bairro j, noto ainda alguma confusão neste aspecto sobre a importância jornalística que cada notícia tem. É só právisar.
Prontos, pá é que prontos, pareceu-me importante dizer isto... prontos.
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