Um pivôt inglês famoso brincou com a noção de que vale mais do que seiscentos jornalistas prestes a perder o emprego e a avaliar pelo que ganha, não lhe falta verdade.
Logo vieram os sindicalistas dos seiscentos jornalistas despedidos indignarem-se pela obscenidade da anedota. O que para um é brincadeira, para 600 significa a sua vida.
O que isto tem a ver connosco?
Tudo. É que hoje já trabalho para esta gente. Pois se há despedidos graças a estes multimilionários do "entertainment", o seu dinheiro não se perde, antes se transforma. Em bens de luxo. Que alguém tem de criar. Construir.
Desenhar.
Benvindos ao neo-feudalismo.
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terça-feira, dezembro 11, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
Esperança
Para mim, este século será definido por um lema comum que assenta na esperança. Porquê?
Porque só a tem quem nada mais tem (perguntem a qualquer sportinguista), porque haverá objectivos claros e comuns pela primeira vez em décadas.
Porque haverá um desígnio comum a todos, mais forte do que qualquer outra coisa.
O desígnio da sobrevivência.
Porque só a tem quem nada mais tem (perguntem a qualquer sportinguista), porque haverá objectivos claros e comuns pela primeira vez em décadas.
Porque haverá um desígnio comum a todos, mais forte do que qualquer outra coisa.
O desígnio da sobrevivência.
Consciência Tranquila
Deviam limpar o sebo a quem inventou a expressão.
É a coisa mais estúpida de se dizer. Ou se tem consciência, ou se é tranquilo.
Nunca os dois.
Evidentemente, quem a escreveu, nem era consciente, nem tranquilo.
É a coisa mais estúpida de se dizer. Ou se tem consciência, ou se é tranquilo.
Nunca os dois.
Evidentemente, quem a escreveu, nem era consciente, nem tranquilo.
quarta-feira, novembro 14, 2007
Considerações
Gostaria de esclarecer vários pontos sobre o meu crude interesse.
Tem-me sido dito que estou a colocar tempestades em copos de água. Não é apenas uma ou duas pessoas, mas uma plêiade de gente. E racional como tento sempre ser, evito a sete pés à paranóia. Penso sempre, Estou certamente enganado, é que é impossível ser o único a preocupar-me com este assunto e ser são ao mesmo tempo, isto pode ser de facto um não acontecimento. Tipo daqueles como foi o Y2k, lembram-se? Pois eu quase também não, meu ponto precisamente.
O meu ponto começa aqui: isto é de facto um acontecimento importante, que a meu ver, irá mudar radicalmente o mundo, e com a palavra "mudar" estou a ser simpático ao meu caro leitor, pois não passa pela cabeça de nenhum histórico referir-se de passados colapsos económicos como "mudanças". Estudem o assunto, acho que vale a pena pelo menos folhear alguns jornais internautas sobre a questão.
O meu ponto, impossível para um infinitesilmal cartesiano ("neard" alert!, ed) , continua. O aquecimento global está sério e rápido. Configura-se um desejo enorme de acabar com o consumo de carbonatos. Excelente, pode pensar o distraído, Com menos petróleo, menos carbono para a atmosfera, certo? Errado, pois se há algo que ao Homem é particular fazer, é saber substituir coisas. E embora seja quase impossível substituir o petróleo na transportação, até é fácil fazê-lo na electricidade. Ah! Problema resolvido! Ou talvez não, se pensarmos que a óbvia solução é construir centrais eléctricas de carvão (a China constrói-as ao ritmo de uma por semana). Gulp. Alguém fica com a sensação de que se está a chamar o Padrinho para "repôr" a justiça?
E continua. Está a haver um "meltdown" de um país minimamente importante. Chama-se Estados Unidos da América, já ouviram falar? É um país com um governo com uma conta de 50 triliões de dólares a caminho para pagar. É o único país do mundo que cresce o PIB apesar de importar muito mais do que exporta. É um império. E está a entrar num lento colapso. Interessante de olhar. Vejam o dólar. Desce quase tão rápido como o crude sobe (if only!) porque o euro é uma alternativa decente, existe um mercado de "derivativos" na ordem de uns semelhantes "triliões" de dólares que ninguém sabe onde pararam devido à crise imobiliária (que todos dizem ter acabado, excepto quem sabe minimamente do que fala. O pior só vai ser visível em março do ano que vem, e espero muitos estragos no terceiro e quarto trimestre de 2008, quem sabe, quiçá, um crash? Tudo é possível), e é um país que importa 8 milhões de barris de petrol por dia. Antecipo toda a gente e faço uma previsão. Podem, com o tempo passado, gozar-me na cara, assim o espero: os EUA vão colapsar no seu todo (tipo rússia) até no máximo 2015 (são oito anos).
E o que isto tudo significa para nós? Básico. Voltamos a ser pobres de novo. Com uma diferença: agora vamos estar pobres e endividados, a não ser que haja praí uma hiper-inflação do tipo "fodam-se os bancos todos (e mais os pobres)". Nunca se sabe. Seja como for: Benvidos à escravidão do séc. XXI. (Tu não Ricardo, que os médicos sempre se safaram na História. Sempre.)
E finaliza: tou-me a cagar. Isto para mim é igual a ver uma novela imparável como a do Mourinho, a do Porto, da Apple até, de fundo de tudo o que se esteja a mexer rápido. Excelente entertainment. Deixo-me fascinar pelo mundo altamente polarizado do Bola na Rede B (de baixaria) e pelo ultrajante caso da Maddie enquanto canto José Cid.
Tem-me sido dito que estou a colocar tempestades em copos de água. Não é apenas uma ou duas pessoas, mas uma plêiade de gente. E racional como tento sempre ser, evito a sete pés à paranóia. Penso sempre, Estou certamente enganado, é que é impossível ser o único a preocupar-me com este assunto e ser são ao mesmo tempo, isto pode ser de facto um não acontecimento. Tipo daqueles como foi o Y2k, lembram-se? Pois eu quase também não, meu ponto precisamente.
O meu ponto começa aqui: isto é de facto um acontecimento importante, que a meu ver, irá mudar radicalmente o mundo, e com a palavra "mudar" estou a ser simpático ao meu caro leitor, pois não passa pela cabeça de nenhum histórico referir-se de passados colapsos económicos como "mudanças". Estudem o assunto, acho que vale a pena pelo menos folhear alguns jornais internautas sobre a questão.
O meu ponto, impossível para um infinitesilmal cartesiano ("neard" alert!, ed) , continua. O aquecimento global está sério e rápido. Configura-se um desejo enorme de acabar com o consumo de carbonatos. Excelente, pode pensar o distraído, Com menos petróleo, menos carbono para a atmosfera, certo? Errado, pois se há algo que ao Homem é particular fazer, é saber substituir coisas. E embora seja quase impossível substituir o petróleo na transportação, até é fácil fazê-lo na electricidade. Ah! Problema resolvido! Ou talvez não, se pensarmos que a óbvia solução é construir centrais eléctricas de carvão (a China constrói-as ao ritmo de uma por semana). Gulp. Alguém fica com a sensação de que se está a chamar o Padrinho para "repôr" a justiça?
E continua. Está a haver um "meltdown" de um país minimamente importante. Chama-se Estados Unidos da América, já ouviram falar? É um país com um governo com uma conta de 50 triliões de dólares a caminho para pagar. É o único país do mundo que cresce o PIB apesar de importar muito mais do que exporta. É um império. E está a entrar num lento colapso. Interessante de olhar. Vejam o dólar. Desce quase tão rápido como o crude sobe (if only!) porque o euro é uma alternativa decente, existe um mercado de "derivativos" na ordem de uns semelhantes "triliões" de dólares que ninguém sabe onde pararam devido à crise imobiliária (que todos dizem ter acabado, excepto quem sabe minimamente do que fala. O pior só vai ser visível em março do ano que vem, e espero muitos estragos no terceiro e quarto trimestre de 2008, quem sabe, quiçá, um crash? Tudo é possível), e é um país que importa 8 milhões de barris de petrol por dia. Antecipo toda a gente e faço uma previsão. Podem, com o tempo passado, gozar-me na cara, assim o espero: os EUA vão colapsar no seu todo (tipo rússia) até no máximo 2015 (são oito anos).
E o que isto tudo significa para nós? Básico. Voltamos a ser pobres de novo. Com uma diferença: agora vamos estar pobres e endividados, a não ser que haja praí uma hiper-inflação do tipo "fodam-se os bancos todos (e mais os pobres)". Nunca se sabe. Seja como for: Benvidos à escravidão do séc. XXI. (Tu não Ricardo, que os médicos sempre se safaram na História. Sempre.)
E finaliza: tou-me a cagar. Isto para mim é igual a ver uma novela imparável como a do Mourinho, a do Porto, da Apple até, de fundo de tudo o que se esteja a mexer rápido. Excelente entertainment. Deixo-me fascinar pelo mundo altamente polarizado do Bola na Rede B (de baixaria) e pelo ultrajante caso da Maddie enquanto canto José Cid.
Não porque o assunto não é importante.
Não porque não é definitivo e decisivo.
Mas porque não posso fazer nada por isso,
além, claro, de vos avisar (e de, provavelmente com isso perder o meu tempo e o do vosso saco roto...)
quarta-feira, outubro 03, 2007
Busy
Semana difícil. Entrega dia 8. E o pior é que nem acredito muito no que estou a fazer.
Ok. De volta ao buraco.
Ok. De volta ao buraco.
domingo, setembro 30, 2007
Father & Son - efemeridades musicais contextualizadas
(Father)
Its not time to make a change,
Just relax, take it easy.
You're still young, that's your fault,
Theres so much you have to know.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.
I was once like you are now, and I know that it's not easy,
To be calm when you've found something going on.
But take your time, think a lot,
Why, think of everything you've got.
For you will still be here tomorrow, but your dreams may not.
(Son)
How can I try to explain, when I do he turns away again.
It's always been the same, same old story.
From the moment I could talk I was ordered to listen.
Now theres a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.
(Father)
It's not time to make a change,
Just sit down, take it slowly.
You're still young, that's your fault,
There's so much you have to go through.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.
((Son)-- away away away, I know I have to
Make this decision alone - no)
(Son)
All the times that I cried, keeping all the things I knew inside,
It's hard, but it's harder to ignore it.
If they were right, I'd agree, but it's them you know not me.
Now theres a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.
((Father)-- stay stay stay, why must you go and
Make this decision alone? )
Its not time to make a change,
Just relax, take it easy.
You're still young, that's your fault,
Theres so much you have to know.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.
I was once like you are now, and I know that it's not easy,
To be calm when you've found something going on.
But take your time, think a lot,
Why, think of everything you've got.
For you will still be here tomorrow, but your dreams may not.
(Son)
How can I try to explain, when I do he turns away again.
It's always been the same, same old story.
From the moment I could talk I was ordered to listen.
Now theres a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.
(Father)
It's not time to make a change,
Just sit down, take it slowly.
You're still young, that's your fault,
There's so much you have to go through.
Find a girl, settle down,
If you want you can marry.
Look at me, I am old, but I'm happy.
((Son)-- away away away, I know I have to
Make this decision alone - no)
(Son)
All the times that I cried, keeping all the things I knew inside,
It's hard, but it's harder to ignore it.
If they were right, I'd agree, but it's them you know not me.
Now theres a way and I know that I have to go away.
I know I have to go.
((Father)-- stay stay stay, why must you go and
Make this decision alone? )
quarta-feira, setembro 26, 2007
Efemeridades inesquecíveis
Há um ano atrás, uma pequena conversa.
Correu assim:
Não consegui conter a gargalhada. É que a pessoa que me disse isto não era um vendedor de jornais do quiosque. Não. Esta era uma pessoa que teve uma excelente nota no trabalho final de um curso difícil, Arquitectura.
Nunca me esqueci.
Correu assim:
- Leste o Código da Vince, não leste?
- Sim...
- Então sabes que o Natal, antes de ser Natal era um ritual pagão do solstício de inverno?
Não consegui conter a gargalhada. É que a pessoa que me disse isto não era um vendedor de jornais do quiosque. Não. Esta era uma pessoa que teve uma excelente nota no trabalho final de um curso difícil, Arquitectura.
Nunca me esqueci.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Concurso
O tempo é pouco. O paisagista só faz merda porcaria. Os gémeos do patrão decidiram romper as águas às 24 semanas, o avô de um colaborador está doente e só o tem a ele para recorrer, dois outros colaboradores pifaram-se, os engenheiros estão-se a cagar.
À parte de tudo isto, não poderia estar tudo a correr melhor!!
À parte de tudo isto, não poderia estar tudo a correr melhor!!
terça-feira, setembro 04, 2007
O demónio de Morton
Começam por ser educados.
Chamam-te à terra.
Anunciam a subjetividade da filosofia.
Desdenham os teus dados.
Pervertem os teus argumentos.
Chamam-te radical.
Dizem que é tudo demasiado difícil de compreender, quanto mais.
Chamam-te de pessimista.
Oferecem o santo graal.
Nada de factos, imensas promessas.
O futuro é brilhante,
o céu nos espera.
Finalmente, elogiam o quão interessante e inteligente foi a discussão.
O quanto teremos de repeti-la.
Estão a chamar-te de burro.
Acabam educados.
Dão as boas tardes.
Piram-se.
Chamam-te à terra.
Anunciam a subjetividade da filosofia.
Desdenham os teus dados.
Pervertem os teus argumentos.
Chamam-te radical.
Dizem que é tudo demasiado difícil de compreender, quanto mais.
Chamam-te de pessimista.
Oferecem o santo graal.
Nada de factos, imensas promessas.
O futuro é brilhante,
o céu nos espera.
Finalmente, elogiam o quão interessante e inteligente foi a discussão.
O quanto teremos de repeti-la.
Estão a chamar-te de burro.
Acabam educados.
Dão as boas tardes.
Piram-se.
segunda-feira, setembro 03, 2007
um dia como os outros
Navego pela blogosfera, esse mar sem fim de nulidades e tentativas de confissões falhadas do quotidiano, mesclado com um sem fim de aforismos intelectuais, românticos ou atávicos e maravilho-me pela descrição perfeita que me reconstrói a imagem de portugal, virtual. Um portugal instantâneo, com acesso directo ao Pacheco Pereira ou a barrigas de arquitectos, blasfémias ou indiferentes, óbvios e descarados, tímidos, circunspectos. Uma distância de nada recria um espaço público há muito vendido na feira da ladra aos centros comerciais privados. Lindo, e no entanto, vazio.
Não mais o contacto da carne. Poderia contar pelos meus dedos da mão o número de palavras que ouço durante um dia inteiro fechado num atelier, onde o fervor do teclado ultrapassa o som da rádio. Coisas inesquecíveis acontecem. Na semana passada, o meu colega do lado informou-nos a todos que se fosse necessário, podíamos telefonar-lhe ou mandar-lhe um e-mail a pedir ajuda durante as suas férias. Seria a coisa mais normal do mundo, não tivesse sido a mensagem mandada por e-mail! (Quando lhe agradeci em voz bem alta e colocada, o riso foi geral)
Não mais o apego à realidade. No virtual, tudo é possível, não existem limites físicos que se impõem, o próprio tempo aparenta desaparecer com a sua homogeneização. O sonho de Platão. Cubos, cubículos. Rectas. A perfeição do relógio, da máquina. O nosso pesadelo.
E é neste pesadelo que a blogosfera tenta emendar o espírito humano, dar-lhe côr, expressão. Promete-lhe a publicação de todos os medos e fobias, a expulsão dos fantasmas pessoais, uma espécie de mescla entre um copioso divã psicológico, onde gritamos, e uma democratização do serviço público da informação / opinião. O mais interessante é que não há fronteira entre os dois. Misturam-se e a informação deixa de o ser, passa a ser texto contexto. Passa a ser ficção. Com uma barra de confiança em cada um, escolhemos quem bem quisermos, e mergulhamos na história virtual mais excitante.
Não passam de escapismos. Todos os estilismos não passam disso mesmo. A beleza da forma é apenas uma musa que não serve de nada sem conteúdo real. Nesses momentos, assombra-me a penumbra do poço profundo que se abre, mostrando-me o seu vazio. Quando olho demasiado para o vazio, ele olha-me de volta. E arrepio. Desligo tudo à minha volta e tomo outro café. Afinal de contas, melhor ser um terramoto humano que uma lapa.
Pouso a chávena de café na mão, olho à minha volta e penso. Acabaram-se as férias, e o olhar das pessoas retorna à penumbra, acabando os sonhos construídos de anúncios colgate e óculos Ray Ban.
Logo sinto a cafeína a subir, e penso, o que vale é que a Champions está de volta.
Falávamos de quê?
Não mais o contacto da carne. Poderia contar pelos meus dedos da mão o número de palavras que ouço durante um dia inteiro fechado num atelier, onde o fervor do teclado ultrapassa o som da rádio. Coisas inesquecíveis acontecem. Na semana passada, o meu colega do lado informou-nos a todos que se fosse necessário, podíamos telefonar-lhe ou mandar-lhe um e-mail a pedir ajuda durante as suas férias. Seria a coisa mais normal do mundo, não tivesse sido a mensagem mandada por e-mail! (Quando lhe agradeci em voz bem alta e colocada, o riso foi geral)
Não mais o apego à realidade. No virtual, tudo é possível, não existem limites físicos que se impõem, o próprio tempo aparenta desaparecer com a sua homogeneização. O sonho de Platão. Cubos, cubículos. Rectas. A perfeição do relógio, da máquina. O nosso pesadelo.
E é neste pesadelo que a blogosfera tenta emendar o espírito humano, dar-lhe côr, expressão. Promete-lhe a publicação de todos os medos e fobias, a expulsão dos fantasmas pessoais, uma espécie de mescla entre um copioso divã psicológico, onde gritamos, e uma democratização do serviço público da informação / opinião. O mais interessante é que não há fronteira entre os dois. Misturam-se e a informação deixa de o ser, passa a ser texto contexto. Passa a ser ficção. Com uma barra de confiança em cada um, escolhemos quem bem quisermos, e mergulhamos na história virtual mais excitante.
Não passam de escapismos. Todos os estilismos não passam disso mesmo. A beleza da forma é apenas uma musa que não serve de nada sem conteúdo real. Nesses momentos, assombra-me a penumbra do poço profundo que se abre, mostrando-me o seu vazio. Quando olho demasiado para o vazio, ele olha-me de volta. E arrepio. Desligo tudo à minha volta e tomo outro café. Afinal de contas, melhor ser um terramoto humano que uma lapa.
Pouso a chávena de café na mão, olho à minha volta e penso. Acabaram-se as férias, e o olhar das pessoas retorna à penumbra, acabando os sonhos construídos de anúncios colgate e óculos Ray Ban.
Logo sinto a cafeína a subir, e penso, o que vale é que a Champions está de volta.
Falávamos de quê?
sexta-feira, abril 14, 2006
Out of Control
Atordoado, mexo-me da cama e a medo de uma recaída desço as escadas. Lentamente e com o nervosismo ressacante, apercebo-me que estou fora de perigo e reconstruo-me como a um castelo de cartas. A brisa suave decide deixar-me viver mais um momento, como um favor que irá cobrar mais tarde. De novo. Por mais um ano. O corpo deixa-se convencer pela certeza do espírito, mas não descansa nem deixa descansar: o nervo percorre o corpo incessantemente e lembra o coração da sua fragilidade carnal e do desrespeito a que não tolerará mais no futuro. Para trás a memória de um momento de vida ou de morte na penumbra solitária da noite, no qual se tem a sensação de que um momento de relaxe ou desconcentração é deixar a morte escancarar a seu bel prazer as portas do meu corpo e invadir o pulsar frenético da minha vida. No qual se tem a certeza de ouvir o diabo a quatro a tentar torcer o espírito à cobrança de todos os meus pecados, incutindo o medo do seu poder maligno infinito e imparável, inevitável. Não passa de uma distracção para que o espírito se esqueça que está a proteger o seu castelo. Não passam de mentiras que não são mais que verdades, desboroar de palavras e lógicas que não são mais do que a prova fundamental que não há na vida filosofia que salve, pedra que seja imutável.
São nestes momentos que dou graças à certeza da ressureição. Mesmo quando não acredito. Porque a vida vence, momento a momento, cruxifixão a cruxifixão, através de todas as traições, ódios, invejas e mortes - que não passam de mentiras fugazes da vida - , e é essa a verdade mais bela que existe.
São nestes momentos que dou graças à certeza da ressureição. Mesmo quando não acredito. Porque a vida vence, momento a momento, cruxifixão a cruxifixão, através de todas as traições, ódios, invejas e mortes - que não passam de mentiras fugazes da vida - , e é essa a verdade mais bela que existe.
quinta-feira, abril 13, 2006
13, véspera de Sexta-Feira
Certos momentos raiam o ridículo. Hoje pela manhã acordei tenso, era O DIA importante, o dia em que todas a as decisões, mal ou bem teriam q ser tomadas.
O dia começou mal, transito, uma avaria, e depois outra, e por final chatices. É incrível como o escrever pode tornar estes pequenos mas irritantes nadas detalhes irrelevantes. Hoje, 13, véspera de sexta feira deverá ser um dia parado na fábrica, prometo a mim mesmo uns momentos para apontar o que à muito me vai pela alma. Sento-me um pouco….
Mas largo tudo o qto tenho em mãos, recomeço novamente o dia, chegou uma das Urgentes (palavra demasiado séria, para no seu interior se revelar tão mundana…) pena q o seja... não está nas minhas mãos. Hoje em dia vivemos numa contínua falta de respeito, proletariado, ou patronato somos dominados por uma série de vontades alheias (o tempo nunca mais passa… nunca mais são horas de ir de fds).
Subitamente tremo, o telefone toca esganiçado, é este o momento da mentira. (conscientemente acato a teoria que se um problema só tem uma solução, esta é sempre correcta, mentalizo-me, mas as pernas parecem não concordar). Atendo a medo, gagejo,( espero que ninguém repare,) lá conto a minha mentira toda de enfiada, (o cérebro dispara… terá sido demasiado ornamentada? E os detalhes? Serão demasiados? Mas uma boa mentira tem q ter bases aparentemente sólidas…será q ele pode verificar alguma coisa? Será q qr?… vou ser apanhado..) - Quem sou eu? Neste momento sou vulnerável, sou um malabarista de circo - mas o outro lado da linha, meio a vergonha pede-me um favor, diz-me q se enganou, pede perdão, e alarga as minhas hipóteses de fuga, a mentira desmoronou-se sem sentido, o favor que a custo me pedem é a minha salvação. Tou safo!! Vou ser magnânime, e decido ajudar o próximo.
O dia começou mal, transito, uma avaria, e depois outra, e por final chatices. É incrível como o escrever pode tornar estes pequenos mas irritantes nadas detalhes irrelevantes. Hoje, 13, véspera de sexta feira deverá ser um dia parado na fábrica, prometo a mim mesmo uns momentos para apontar o que à muito me vai pela alma. Sento-me um pouco….
Mas largo tudo o qto tenho em mãos, recomeço novamente o dia, chegou uma das Urgentes (palavra demasiado séria, para no seu interior se revelar tão mundana…) pena q o seja... não está nas minhas mãos. Hoje em dia vivemos numa contínua falta de respeito, proletariado, ou patronato somos dominados por uma série de vontades alheias (o tempo nunca mais passa… nunca mais são horas de ir de fds).
Subitamente tremo, o telefone toca esganiçado, é este o momento da mentira. (conscientemente acato a teoria que se um problema só tem uma solução, esta é sempre correcta, mentalizo-me, mas as pernas parecem não concordar). Atendo a medo, gagejo,( espero que ninguém repare,) lá conto a minha mentira toda de enfiada, (o cérebro dispara… terá sido demasiado ornamentada? E os detalhes? Serão demasiados? Mas uma boa mentira tem q ter bases aparentemente sólidas…será q ele pode verificar alguma coisa? Será q qr?… vou ser apanhado..) - Quem sou eu? Neste momento sou vulnerável, sou um malabarista de circo - mas o outro lado da linha, meio a vergonha pede-me um favor, diz-me q se enganou, pede perdão, e alarga as minhas hipóteses de fuga, a mentira desmoronou-se sem sentido, o favor que a custo me pedem é a minha salvação. Tou safo!! Vou ser magnânime, e decido ajudar o próximo.
O dia parece q fica mais leve de repente... bonito e tudo.
domingo, abril 09, 2006
Ninguém
Ontem senti-me um idiota profundo. Fui ao café do desportivo daqui da freguesia ver o jogo do ano, aquele que iria decidir quem é que vai ser o maior dos maiores por um ano. Estava gente a jantar adornada com cachecóis do sporting, e eu e outros amigos, gente toda da claque adversária, sentámo-nos onde coubemos. O jogo começou e eu estava com uma dor de cabeça enorme, tinha empatado um jogo de xadrez de quatro horas há pouco tempo e estava arrasado. Nisto começam os comentários inevitáveis sportinguistas ao jogo, eles apenas repararam que haviam ali portistas (esses alienígenas) quando num acesso levantei-me e gritei o golo estupidamente, pois acabava eu o grito e senti toda a gente a rir-se de mim, nem quis olhar. Tinha sido fora-de-jogo. "Olha há aqui portistas!" pois há, e depois? As bocas continuam, mansinhas, qual água em pedra dura, tanto mói até que fura. Quando me deparei com aquilo que seriam "injustiças" do árbitro comecei a mandar bocas à televisão, e do Liedson, meu deus, aquilo que eu disse! A euforia aumentava constantemente. Delirante, acho mesmo que com febre. Super maldisposto, saí do encontro quase sem festejar a vitória, consciente da figura que tinha acabado de fazer. Um dos sportinguistas presentes tentou abordar-me, lancei-lhe um olhar que tentou dizer "fica para a próxima", "você é um bocado ...?", não percebi o seu adjectivo, e evitei-o a seguir. Quis evitar cenas que me lançassem na loucura total. Olhei para a porta e saí.
quinta-feira, março 30, 2006
Seven
Recordo dias em que sonhava de olhos fechados, hoje vivo dormente como se sofresse de uma falta de objectivos, de uma raiva miudinha: por ser vulgar; um desprezo pela anestesia que domina a minha vontade. A carne gulosa continua a almejar, a preguiça a espicaçar, a inveja e o orgulho a conduzir os desejos, mas a ira já não arde dentro de mim… sinto avareza para com os sentimentos, tudo me parece ridículo… o belo sublime parecem conceitos tão mundanos que me repugnam.. não consigo criar nada de verdadeiramente original, mas tb não o desejo, certamente já não tenho paixão por coisa alguma... alguns dias a única coisa que me move é a latência e o peso da rotina. Quero voltar a sentir-me uno com os dias de verão, desabrochar como as plantas na primavera, quero sentir de novo a luxúria de estar com os amigos que gulosamente me rodeiam, sentir orgulho em detalhes perecíveis, e invejar, oh sim… e voltar a invejar… seria formidável!! A inveja é o mais mundano sentimento humano depois do amor…
quarta-feira, março 22, 2006
A garota de "ipanema"
Hoje ainda meio adormecido, e anestesiado pelo bagaço e sande(s) de coirato(s) q a taberneira me fiou como pequeno almoço, vejo ao meu lado a única moça a quem nunca consegui chamar gaiija, (feito notável para qualquer outro humano, leite morninho para este em particular). Sorrio, ligo o carro, dou os bons dias, e penso que somos uma manta de retalhos sociais.
Sigo os meu caminho para mais uma jorna de trabalho; mas fica uma sensação de divisão, como se levasse (ou fosse) dezenas de outras pessoas, divididas em pedacinhos e detalhes de momentos pequenos e sem importância de histórias grandes. (A estrada continua a nascer à minha frente, fujo para a frente… sempre em frente rumo ao nascer do sol...) São situações que o tempo caprichosamente descarta como passado, recordando apenas os momentos especiais, um pouco como fotografias desfocadas que guardamos por motivos sentimentais…
Ela seguiu, e eu pensei… curioso como um pequeno pedacinho de história nos pode afastar tanto, mas ao mesmo tempo fazer tanta falta... regras de moral desta sociedade…cheguei ao destino, desligo o motor, saio do carro, sigo o meu caminho... não há mais nada que eu possa fazer…
domingo, março 12, 2006
E a noite começou
E a noite começou, tenho evitado um pouco escrever, mas com o cair da escuridão fica mais difícil evitar os silêncios, e as sombras tornam-se gigantes e o cérebro dispara com um motor de formula 1 em aquecimento para a grande corrida vida.
Sinto-me cansado das pessoas que me rodeiam, de toda a rotina uma rotina sem sentido, de ser um aprendiz de capitalista bem sucedido, esperam de mim, aquilo que bem lá no fundo eu sei q já o sou… palavras não fazem sentido, expectativas, é tudo uma questão de expectativas, não me interpretes mal, sei bem o que sou, quem sou, e quais são as minhas limitações. Trabalho faz agora pouco mais de 1,5 anos. Sou engenheiro, e não faço a mínima noção do que isso significa, pessoas tratam-me com respeito, algumas com admiração, a maioria com inveja, no entanto todos os dias me levanto com um sentido de injustiça na minha cabeça.
Caminho para o quarto de século, como alguém q me é mto querido dizia “começo a ter uma história” começo a ter capacidade para deixar a minha marca neste mundo. Todas as pessoas a minha volta se estão a tornar adultos, alguns casam, outros fazem planos a dois e planeiam filhos, compram casas e decidem o que querem e como querem estar daqui a 30anos. Mais do que todos esses contratos (um filho ñ deixa de ser um contrato a 20 anos) acho q essas pessoas implicitamente estão a decidir que marca querem deixar neste mundo. Com isto quero dizer que a maior parte das pessoas quer dizer q ñ decide coisa nenhuma e acaba por decidir ñ fazer coisa nenhuma. Alguns casam pq estão na idade, outros têm filhos pq o tempo não perdoa, e outros… outros ñ decidem e deixam q seja o acaso e a boa fortuna que os guie.
A verdade é q tenho 25 anos (mal feitos) e ainda ñ desisti de mudar o mundo. Todos os dias convivo com injustiça e ñ consigo aceitar que pessoas ñ explorem totalmente todas as suas capacidades, pessoas que simplesmente não têm disciplina para serem melhores, pessoas mesquinhas que não têm visão para crescerem e saírem da merda alegre que é as sua vida. Dizem que a uma pessoa basta ver satisfeita as suas ambições para ser feliz, devo ser bastante ambicioso pq vejo a felicidade estampada na cara de outras pessoas e definitivamente não é aquilo que quero para mim. Decidi deixar uma marca minha neste mundo. Abanar as suas estruturas e revolucionar a sua existência, mas lentamente estou a ser alterado pelas engrenagens silenciosas que o regem.
Hoje reli velhos textos de quando entrei para a faculdade. “ o ist é uma maquina trituradora de homens, primeiro retira-lhes a identidade, o nome próprio, atribuindo um estatuto, uma farda, um uniforme, deixamos de ser o Fonseca, o Rocha, o Abrantes e o Francisco e passamos a ser o Engenheiro, não importa o nome.. somos maquinas bem treinadas e oleadas, a vida ñ tem importância e as relações pessoais são meros acessórios, vão quebrar o meu espírito e eu vou adorar. Só espero que me torne numa pessoa melhor”
Sinto-me exactamente como me sentia naquela altura, sinto que mais uma vez me estão a quebrar, desta vez de uma forma mais definitiva, julgo que a palavra correcta deveria ser formatar, estão-me a formatar num empresário, numa pessoas consciente, já cheguei a ter 20 famílias a dependerem dos meus actos, se fizer muita asneira são eles que sofrem, se ñ as fizer… sou eu q ganho os louros. É estranho adaptar-me e este uniforme de gente grande, de ser o rei do meu castelo, de ter os meus pais a pedirem-me conselhos, qdo o normal seria o inverso. Mais uma vez estou a alterar a minha forma de ver o mundo, estou a descobrir que existem injustiças que não podem ser alteradas, e que no fundo, no fundo não são injustiças, e que determinadas igualdades também não podem ser comparadas, e que tudo, mas mesmo tudo é possível, e q apesar de tudo poder ser comprado, o dinheiro não paga tudo.
Dizem-me que a minha educação me eleva dos restantes mortais, todos os dias contacto com banqueiros, doutores, políticos, gente rica e poderosa, e falo qse sempre de igual para igual com eles, por outro lado muitas vezes encontro gente sem eira nem beira que vive como se tivesse o mundo na barriga. Antes de ir trabalhar para uma das zonas mais pobres do pais (a segunda) jamais acreditaria/aceitaria qdo me diziam que algumas pessoas valem mais do que outras… mas é a mais pura das verdades, sinto-me intelectualmente superior a algumas pessoas… e de certa forma isso envergonha-me… sempre me ensinaram que somos todos iguais... mas… algumas pessoas esforçam-se por serem menos iguais do que outras… é algo q é mto difícil de exteriorizar para qm ñ vive as situações, mas de facto se a sociedade se estratifica é mesmo pq é necessário essa estratificação, de facto nem todos podemos ser engenheiros nem arquitectos, nem médicos… é preciso uma massa de gente que sustente, uma das minhas ultimas descobertas obvias, é q pertenço a uma elite, uma classe que teve o privilégio de se poder instruir, uma série de gente que gosta de se instruir, que gosta de viajar, de ler, de ir ao cinema, e de conhecer um pouco melhor o que a rodeia. Nunca me apercebi que existia essa elite, sempre vi julgue toda a gente pelos meus parâmetros e valores perante a vida… acho q sempre vivi num berço dourado, rodeado por amigos cultos, eu q sou uma desgraça a português, nunca tive q ensinar pessoas da minha idade a ler, a falar, a ter hábitos de higiene básica. É chocante, mas é a mais pura das realidades.
Ter aceitado um trabalho a 75km da minha residência abriu-me alguns horizontes, faço parte de uma empresa com um crescimento exponencial, (para vocês colegas desta recém descoberta elite direi mais; uma verdadeira cash cow!) lido com este tipo de pessoas que desconhecia, e todos os dias aprendo coisas novas, por outro lado, estou longe das minhas raízes, deixei os meus amigos para trás, passo dias sozinho sem ninguém inteligente com que falar. Conheci o pais de lés a lés, visitei locais que de outra forma jamais o faria, entrei em contacto com um Portugal profundo multicultural que 99% das pessoas desconhece, posso com orgulho dizer que já comi numa taberna na provinciana freguesia de Martinlongo (um café, uma igreja, 20 casas desabitadas, 10 habitadas e mais recentemente um parque infantil) e no mais fino dos restaurantes de vila moura, e que isso mudou a minha forma de ver o mundo. Já comi fiado, paguei adiantado, comi em andamento, fui expulso de um banco, paguei cafés a inimigos mortais, e sobrevivi, mas criei uma pele que me transformou em indiferente.
Ontem tive a oportunidade de assistir a um por do sol que só posso descrever como deslumbrante, e para mim foi-me indiferente, hje passei a tarde com amigos… e foi-me indiferente… não sei… desejo ardentemente qq coisa que não consigo descrever. Algo mais, transcender-me. ser maior do que a própria vida.. Talvez a forma de deixar a minha marca neste mundo. Sim deve ser isso… só pode…
Sinto-me cansado das pessoas que me rodeiam, de toda a rotina uma rotina sem sentido, de ser um aprendiz de capitalista bem sucedido, esperam de mim, aquilo que bem lá no fundo eu sei q já o sou… palavras não fazem sentido, expectativas, é tudo uma questão de expectativas, não me interpretes mal, sei bem o que sou, quem sou, e quais são as minhas limitações. Trabalho faz agora pouco mais de 1,5 anos. Sou engenheiro, e não faço a mínima noção do que isso significa, pessoas tratam-me com respeito, algumas com admiração, a maioria com inveja, no entanto todos os dias me levanto com um sentido de injustiça na minha cabeça.
Caminho para o quarto de século, como alguém q me é mto querido dizia “começo a ter uma história” começo a ter capacidade para deixar a minha marca neste mundo. Todas as pessoas a minha volta se estão a tornar adultos, alguns casam, outros fazem planos a dois e planeiam filhos, compram casas e decidem o que querem e como querem estar daqui a 30anos. Mais do que todos esses contratos (um filho ñ deixa de ser um contrato a 20 anos) acho q essas pessoas implicitamente estão a decidir que marca querem deixar neste mundo. Com isto quero dizer que a maior parte das pessoas quer dizer q ñ decide coisa nenhuma e acaba por decidir ñ fazer coisa nenhuma. Alguns casam pq estão na idade, outros têm filhos pq o tempo não perdoa, e outros… outros ñ decidem e deixam q seja o acaso e a boa fortuna que os guie.
A verdade é q tenho 25 anos (mal feitos) e ainda ñ desisti de mudar o mundo. Todos os dias convivo com injustiça e ñ consigo aceitar que pessoas ñ explorem totalmente todas as suas capacidades, pessoas que simplesmente não têm disciplina para serem melhores, pessoas mesquinhas que não têm visão para crescerem e saírem da merda alegre que é as sua vida. Dizem que a uma pessoa basta ver satisfeita as suas ambições para ser feliz, devo ser bastante ambicioso pq vejo a felicidade estampada na cara de outras pessoas e definitivamente não é aquilo que quero para mim. Decidi deixar uma marca minha neste mundo. Abanar as suas estruturas e revolucionar a sua existência, mas lentamente estou a ser alterado pelas engrenagens silenciosas que o regem.
Hoje reli velhos textos de quando entrei para a faculdade. “ o ist é uma maquina trituradora de homens, primeiro retira-lhes a identidade, o nome próprio, atribuindo um estatuto, uma farda, um uniforme, deixamos de ser o Fonseca, o Rocha, o Abrantes e o Francisco e passamos a ser o Engenheiro, não importa o nome.. somos maquinas bem treinadas e oleadas, a vida ñ tem importância e as relações pessoais são meros acessórios, vão quebrar o meu espírito e eu vou adorar. Só espero que me torne numa pessoa melhor”
Sinto-me exactamente como me sentia naquela altura, sinto que mais uma vez me estão a quebrar, desta vez de uma forma mais definitiva, julgo que a palavra correcta deveria ser formatar, estão-me a formatar num empresário, numa pessoas consciente, já cheguei a ter 20 famílias a dependerem dos meus actos, se fizer muita asneira são eles que sofrem, se ñ as fizer… sou eu q ganho os louros. É estranho adaptar-me e este uniforme de gente grande, de ser o rei do meu castelo, de ter os meus pais a pedirem-me conselhos, qdo o normal seria o inverso. Mais uma vez estou a alterar a minha forma de ver o mundo, estou a descobrir que existem injustiças que não podem ser alteradas, e que no fundo, no fundo não são injustiças, e que determinadas igualdades também não podem ser comparadas, e que tudo, mas mesmo tudo é possível, e q apesar de tudo poder ser comprado, o dinheiro não paga tudo.
Dizem-me que a minha educação me eleva dos restantes mortais, todos os dias contacto com banqueiros, doutores, políticos, gente rica e poderosa, e falo qse sempre de igual para igual com eles, por outro lado muitas vezes encontro gente sem eira nem beira que vive como se tivesse o mundo na barriga. Antes de ir trabalhar para uma das zonas mais pobres do pais (a segunda) jamais acreditaria/aceitaria qdo me diziam que algumas pessoas valem mais do que outras… mas é a mais pura das verdades, sinto-me intelectualmente superior a algumas pessoas… e de certa forma isso envergonha-me… sempre me ensinaram que somos todos iguais... mas… algumas pessoas esforçam-se por serem menos iguais do que outras… é algo q é mto difícil de exteriorizar para qm ñ vive as situações, mas de facto se a sociedade se estratifica é mesmo pq é necessário essa estratificação, de facto nem todos podemos ser engenheiros nem arquitectos, nem médicos… é preciso uma massa de gente que sustente, uma das minhas ultimas descobertas obvias, é q pertenço a uma elite, uma classe que teve o privilégio de se poder instruir, uma série de gente que gosta de se instruir, que gosta de viajar, de ler, de ir ao cinema, e de conhecer um pouco melhor o que a rodeia. Nunca me apercebi que existia essa elite, sempre vi julgue toda a gente pelos meus parâmetros e valores perante a vida… acho q sempre vivi num berço dourado, rodeado por amigos cultos, eu q sou uma desgraça a português, nunca tive q ensinar pessoas da minha idade a ler, a falar, a ter hábitos de higiene básica. É chocante, mas é a mais pura das realidades.
Ter aceitado um trabalho a 75km da minha residência abriu-me alguns horizontes, faço parte de uma empresa com um crescimento exponencial, (para vocês colegas desta recém descoberta elite direi mais; uma verdadeira cash cow!) lido com este tipo de pessoas que desconhecia, e todos os dias aprendo coisas novas, por outro lado, estou longe das minhas raízes, deixei os meus amigos para trás, passo dias sozinho sem ninguém inteligente com que falar. Conheci o pais de lés a lés, visitei locais que de outra forma jamais o faria, entrei em contacto com um Portugal profundo multicultural que 99% das pessoas desconhece, posso com orgulho dizer que já comi numa taberna na provinciana freguesia de Martinlongo (um café, uma igreja, 20 casas desabitadas, 10 habitadas e mais recentemente um parque infantil) e no mais fino dos restaurantes de vila moura, e que isso mudou a minha forma de ver o mundo. Já comi fiado, paguei adiantado, comi em andamento, fui expulso de um banco, paguei cafés a inimigos mortais, e sobrevivi, mas criei uma pele que me transformou em indiferente.
Ontem tive a oportunidade de assistir a um por do sol que só posso descrever como deslumbrante, e para mim foi-me indiferente, hje passei a tarde com amigos… e foi-me indiferente… não sei… desejo ardentemente qq coisa que não consigo descrever. Algo mais, transcender-me. ser maior do que a própria vida.. Talvez a forma de deixar a minha marca neste mundo. Sim deve ser isso… só pode…
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Resoluções de ano novo
Passam 2 dias do começo do ano do fim do mundo. Mais um ano da besta teve início.
Passam 2 minutos que comecei a bocejar. O sono da apatia mais uma vez instala-se. Invade a alma, instala-se no cérebro e faz com que tenhamos vontade de ligar a tv. Mas não… vou resistir…
Este ano não fui festejar o ano novo para a rua. Fiquei dentro de portas, protegido por amigos. Decidi reduzir um feriado estúpido aquilo que ele significa. Mais uma noite… ao menos que seja uma desculpa para jantar com alguns amigos (uns mais do que outros…).
Todos os anos os pessimistas festejam o final do ano, e os optimistas o inicio de um novo, e todo os anos as minhas entranhas oleosas odiaram este feriado. Como é sabido, um ano, demora exactamente 365d 6h 09m 10s ou 365,256363 dias (o q aliás explica a existência de anos bissextos e as correcções q é necessário efectuar no inicio de cada milénio). Transcorrido esse intervalo de tempo o planeta terra volta exactamente à sua posição de partida, ou voltaria se além da rotação e da translação não existissem movimentos de precessão, nutação, movimento dos pólos, movimento espacial do Sol com relação às estrelas da Galáxia e movimento de rotação da Galáxia. (Só da nutação são conhecidos 106 movimentos diferentes, com períodos que vão de cerca de 19 anos até alguns de poucos dias.).
Toda esta argumentação académica para explicar que de facto quando fazemos aquela contagem decrescente, que termina invariavelmente com uma garrafa de champanhe aberta, panelas a bater nas janelas e fogos de artificio na varanda, não estamos a celebrar nada de verdadeiro. O ciclo não se fechou, alias, os jornais são os primeiros a nos mostrar que nada mudou no mundo, continua a haver a mesma merda de todos os dias, guerra nos países pobres, intrigas politicas e lutas plo poder nos países ricos… se estivéssemos na lua por exemplo, de 28 em 28 dias tínhamos uma desculpa para ficarmos bêbados e fazer-mos figura de parvos… o que aliás é o único sentido que vejo nesta festa.
Passam 2 minutos que comecei a bocejar. O sono da apatia mais uma vez instala-se. Invade a alma, instala-se no cérebro e faz com que tenhamos vontade de ligar a tv. Mas não… vou resistir…
Este ano não fui festejar o ano novo para a rua. Fiquei dentro de portas, protegido por amigos. Decidi reduzir um feriado estúpido aquilo que ele significa. Mais uma noite… ao menos que seja uma desculpa para jantar com alguns amigos (uns mais do que outros…).
Todos os anos os pessimistas festejam o final do ano, e os optimistas o inicio de um novo, e todo os anos as minhas entranhas oleosas odiaram este feriado. Como é sabido, um ano, demora exactamente 365d 6h 09m 10s ou 365,256363 dias (o q aliás explica a existência de anos bissextos e as correcções q é necessário efectuar no inicio de cada milénio). Transcorrido esse intervalo de tempo o planeta terra volta exactamente à sua posição de partida, ou voltaria se além da rotação e da translação não existissem movimentos de precessão, nutação, movimento dos pólos, movimento espacial do Sol com relação às estrelas da Galáxia e movimento de rotação da Galáxia. (Só da nutação são conhecidos 106 movimentos diferentes, com períodos que vão de cerca de 19 anos até alguns de poucos dias.).
Toda esta argumentação académica para explicar que de facto quando fazemos aquela contagem decrescente, que termina invariavelmente com uma garrafa de champanhe aberta, panelas a bater nas janelas e fogos de artificio na varanda, não estamos a celebrar nada de verdadeiro. O ciclo não se fechou, alias, os jornais são os primeiros a nos mostrar que nada mudou no mundo, continua a haver a mesma merda de todos os dias, guerra nos países pobres, intrigas politicas e lutas plo poder nos países ricos… se estivéssemos na lua por exemplo, de 28 em 28 dias tínhamos uma desculpa para ficarmos bêbados e fazer-mos figura de parvos… o que aliás é o único sentido que vejo nesta festa.
domingo, julho 17, 2005
Perdoe-me padre, porque pequei!
Perdoe-me padre, porque pequei... passou tanto tempo desde a última vez que aqui postei que me sinto um estranho no meu próprio castelo. Estes meses de ausência mostraram-me uma quantidade de novos ângulos de ver o mundo. Tive a oportunidade de viajar, conhecer o país profundo e a riqueza de qm vive em festas sociais e iates, falar com gente boa e outras que não o são, ganhar novos amigos em situações estranhas, e afastar-me de velhos amigos sem razões aparentes. Cometi erros crassos de julgamento, e cai varias vezes no pecado da soberba, mas serviu-me de lição. Conheci a dor da morte de um ente querido, enquanto carreguei a responsabilidade da decisão e do poder, vi cidades lindíssimas, fiz mais de 15000km e ainda assim fiquei dias inteiros fechados entre paredes atulhado de papeis. Alimentei uma criança desprotegida, mas fiz chorar um homem. Estou de volta, diferente… bastam algumas horas para mudar a vida de um homem…. Sinto-me tão diferente, agora que leio os post antigos… relembro, mas não me revejo totalmente...mas simultaneamente não consigo partilhar nada do que aprendi… são pequenas coisas que fazem um homem avançar… pequenas infelicidades, contrariedades, e grandes asneiras…. Por vezes é preciso um espírito vencedor…. Só espero q ele não me falhe…
terça-feira, maio 17, 2005
a vontade tá lá...
ando cheio de vontade de voltar a escrever qq coisa aqui no blog....
mas ou não tenho tempo, ou não tenho vontade, ou não tenho inspiração....... isto anda por aqui ao abandono.... meio abandalhado..... carregado por uma barba rija q tb tem q fazer....
mas ou não tenho tempo, ou não tenho vontade, ou não tenho inspiração....... isto anda por aqui ao abandono.... meio abandalhado..... carregado por uma barba rija q tb tem q fazer....
segunda-feira, maio 02, 2005
i'm a porn star
Hoje acordei uma “porn star”! hoje acordei um ícone masculino para todas as mulheres. um deus entre homens, superioridade sobre mediocridade. Poderoso e capaz de lançar uma revolução a partir dos meus lençóis… omnipotente sem limites… ignorante consciente e feliz com o acaso…Hoje acordei contente. Não sei porque acordei, muito menos pq o fiz de tal forma anormala. A noite não correu particularmente bem, não é dia de S. receber, é segunda-feira e a semana está pela frente, mas o dia prometeu mais do que cumpriu. Foi apenas pq sim.. pq nem tudo tem uma explicação razoável, pq a mecânica deste mundo não é pura lógica, e pq sim é uma resposta tão boa como porque não, e as vezes basta apenas um sorriso para tudo ficar muito mais alegre q florido… não estou, mas acordei apaixonado… infelizmente por ninguém em particular, mas por muita em geral…por mim... por uma vida rotineira que por vezes exaspera, pelas empadinhas da taberna da esquina… pelo fado e pela musica em geral, pelo meu país, pela minha terra em particular, pela mesquinhez e pela tacanhez de quem me cruzo.. por comunistas e imigrantes ilegais por putas e por chulos... Paixões momentâneas... é certo.. Fugazes tributos ao sol… coisas de qm ainda está meio ensonado…. Queria então fazer um elogio ao amor, e aqueles que sofrem da doença. Um tributo aos que partilham um segredo com um sorriso e trocam uma lágrima com cumplicidade… viva o eu a dois, a partilha intima da personalidade... afinal a única coisa que temos de verdadeiramente nosso… viva também o eu no singular e a partilha do nosso eu não apenas com um parceiro especial mas com quantos nos parecer adequado… poligamia?? Qm sabe… pq não? Pago uma cerveja a qm me provar de forma categórica que a monogamia não é fruto de uma cultura possessiva e do peso de tradições ancestrais… barreiras que tal como muitas outras, qm sabe, o tempo vai acabar por derrubar… não me sinto de ninguém mas sinto-me de todos... nem próximo nem distante… sinto-me parte do mundo... de homens, mulheres e regras demasiado complicadas para ambos perceberem... posso não ser de 1 pessoa especial… mas também me divirto assim… dono de múltiplas personalidades, verdades e sabores… vagueio ao sabor do vento... pertenço a todos... sou uma “porn star”…e sabem q mais? GOSTO!!
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