Por momentos, quase lhe dava razão. Não a tem e basta exemplificar: Supondo que A. rouba B. Pela lógica, sua lógica, não teve consciência, porque roubou. Mas estará tranquilo? Outro: A. conta que B., namorada de C., amigo de A,o anda a trair. Novamente, pela lógica, não teria consciência, porque destruiria uma relação. Ficaria tranquilo, porque tinha o dever de avisar. É com este segundo exemplo que perde definitivamente razão: se contou, há dois factores que se verificarão: Primeiro, a óbvia ruptura do casal. Segundo: ficará aliviado porque fez o que devia, logo sossegou a consciência, ficando com ela tranquila.
Não fui claro, mas espero que a mensagem tenha passado.
o problema não é ter sido pouco claro, e penso que não terá sido esse o caso. O problema é que não tem razão no que diz.
Eu posso contrapor.
No primeiro exemplo, pouco me importa se ele foi consciente ou não, ou se está tranquilo ou não. Claramente, não está os dois ao mesmo tempo. Por isso, o exemplo é errado.
No segundo exemplo, não compreendo como é que um chibo, consciente das consequências desastrosas do seu acto poderá ficar tranquilo quando nem eu próprio consigo definir o mesmo como louvável ou desprezível. Essa ambiguidade é tudo menos tranquila.
Mas posso também criar um terceiro exemplo.
Imagine um cego. Não vê o mundo tal como ele é. É tranquilo? Como uma criança. Inconsciente? Claramente.
Imagine alguém com olho de águia. Vê o mundo tal como ele é. Consciente? Quase omni. Tranquilo? Impossível.
Quarto exemplo. E este é uma pergunta em forma de exame:
a) Porque é que as crianças não têm medo e ataques de pânico? Por serem inconscientes, ou por serem tranquilas?
nem uma nem outra... era um tipo porreiro com uma excelente retórica, bons principios de vida, (aquele do não matarás dá sempre jeito no que toca a miudos de escola com metralhadoras....)montes de amigos, e que não gostava de usar uma gilete...
Achas então que o que se "deve" fazer é claro como a água, sempre, e mais importante, para todos igual, e que aliada à cada vez maior consciência, mais tranquila é a sociedade.
Não concordo. Nem acho sequer que o oposto é mau. Simplesmente é o que é, o oposto da infantilidade. O chamamento ao ser adulto.
Ser adulto é não ter pai. É não ter uma rede de apoio. É olhar para o mundo como uma coisa extremamente perigosa. É deixar de ser ingénuo, pois a ingenuidade é um privilégio fatal.
É deixar de dormir descansado.
Não é por acaso que os Cristãos dizem, e compreendendo a horrível consequência moral, que aos pobres de espírito pertence o Reino dos Céus.
7 comentários:
Por momentos, quase lhe dava razão.
Não a tem e basta exemplificar: Supondo que A. rouba B. Pela lógica, sua lógica, não teve consciência, porque roubou. Mas estará tranquilo?
Outro: A. conta que B., namorada de C., amigo de A,o anda a trair. Novamente, pela lógica, não teria consciência, porque destruiria uma relação. Ficaria tranquilo, porque tinha o dever de avisar.
É com este segundo exemplo que perde definitivamente razão: se contou, há dois factores que se verificarão: Primeiro, a óbvia ruptura do casal. Segundo: ficará aliviado porque fez o que devia, logo sossegou a consciência, ficando com ela tranquila.
Não fui claro, mas espero que a mensagem tenha passado.
o problema não é ter sido pouco claro, e penso que não terá sido esse o caso. O problema é que não tem razão no que diz.
Eu posso contrapor.
No primeiro exemplo, pouco me importa se ele foi consciente ou não, ou se está tranquilo ou não. Claramente, não está os dois ao mesmo tempo. Por isso, o exemplo é errado.
No segundo exemplo, não compreendo como é que um chibo, consciente das consequências desastrosas do seu acto poderá ficar tranquilo quando nem eu próprio consigo definir o mesmo como louvável ou desprezível. Essa ambiguidade é tudo menos tranquila.
Mas posso também criar um terceiro exemplo.
Imagine um cego. Não vê o mundo tal como ele é. É tranquilo? Como uma criança. Inconsciente? Claramente.
Imagine alguém com olho de águia. Vê o mundo tal como ele é. Consciente? Quase omni. Tranquilo? Impossível.
Quarto exemplo. E este é uma pergunta em forma de exame:
a) Porque é que as crianças não têm medo e ataques de pânico?
Por serem inconscientes, ou por serem tranquilas?
b) Especifique a diferença entre as duas.
hmmm o comentário era meu, peço perdão. o computador estava já registado com o nome da ema e não reparei :).
Existe no entanto uma excepção à regra não mencionada aqui.
O louco.
Daí a pergunta: Cristo era realmente Deus ou era louco?
nem uma nem outra... era um tipo porreiro com uma excelente retórica, bons principios de vida, (aquele do não matarás dá sempre jeito no que toca a miudos de escola com metralhadoras....)montes de amigos, e que não gostava de usar uma gilete...
O chibo fica tranquilo porque fez o que devia: causa e efeito.
Eu bem disse que não tinha sido claro.
Negas a ambiguidade do mundo?
Achas então que o que se "deve" fazer é claro como a água, sempre, e mais importante, para todos igual, e que aliada à cada vez maior consciência, mais tranquila é a sociedade.
Não concordo. Nem acho sequer que o oposto é mau. Simplesmente é o que é, o oposto da infantilidade. O chamamento ao ser adulto.
Ser adulto é não ter pai. É não ter uma rede de apoio. É olhar para o mundo como uma coisa extremamente perigosa. É deixar de ser ingénuo, pois a ingenuidade é um privilégio fatal.
É deixar de dormir descansado.
Não é por acaso que os Cristãos dizem, e compreendendo a horrível consequência moral, que aos pobres de espírito pertence o Reino dos Céus.
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