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sábado, junho 19, 2010

Há praí gente que já começa a menorizar o senhor que morreu ontem. Nem é por descaramento, ou por falta de decoro, ou o que quer que seja que me impeliu a escrever esta pequena peça. É mesmo por uma incredulidade perante a tremenda cegueira cerebral que nos inunda à volta. Não me deveria importunar muito, mas assola-se-me de um sentimento de raiva sempre que vejo tamanha arrogância intelectualóide associada a tanta falta de capacidade de reconhecer seja o que fôr de talento. Como ver bulldozers a falar mal das rosas por causa dos seus espinhos. Quando se pinta toda a vida com as cores da politica (ou o que quer que seja), tal estupidez é inevitável. Assim como a minha reacção...

segunda-feira, dezembro 17, 2007

flip flop

"The abandonment of the gold standard made it possible for the welfare statists to use the banking system as a means to an unlimited expansion of credit. In the absence of the gold standard, there is no way to protect savings from confiscation through inflation. There is no safe store of value. Deficit spending is simply a scheme for the hidden confiscation of wealth. Gold stands in the way of this insidious process. It stands as a protector of property rights. If one grasps this, one has no difficulty in understanding the statists' antagonism toward the gold standard."
-Alan Greenspan, 1966


Há quem diga que o poder corrompe.

sexta-feira, outubro 12, 2007

A gargalhada do ornitorrinco, ou como um bando de putos mimados tão bem amuam

Para quem não está ao corrente da novela política portuguesa, o Ornitorrinco é uma ofensa da mais última moda. Originalmente, trata-se de um animal que foi uma dor de cabeça para os biólogos classificarem, já que tinha mamas, bico de pato, e punha ovos. Hoje, é a metáfora chic do Pacheco Pereira para classificar o seu próprio partido.

Houve aí uma sexta-feira na qual o Luís errado ganhou as eleições da direcção do tal partido, e desde então que uma fornada de homenzecos, adjectivados de "barões" por um bando de jornalistas obcecados em categorizações, têm exprimido a sua desilusão e desgraça aos sete ventos do mundo: o que será agora do PSD?

Pior, esta gentinha nem sequer vai aparecer no congresso geral. Ineditamente, o próprio Marques Mendes vai faltar à passagem do testemunho. Mas onde estava esta gentinha que por tudo não desejava este Luís à frente do partido na campanha? Onde estava a sua escolha? A sua solução? Não. Silenciaram-se. Não se quiseram queimar, talvez. Preferem a metáfora da moeda e do ornitorrinco. E publicar livros à conta. Não me surpreende pois o resultado. Pior é o que acontece depois.

A democracia segundo esta elite só é válida e inteligente enquanto lhes beijar o cú. Caso contrário, pobre país. Burra população. Ovelha militância (olá Vasco Pulido, podemos bater à tua porta?!). Que queria esta gente? Acreditavam mesmo que as ovelhinhas iriam pastar os vários Me me me Mendes até um dos denominados como "Barões" se resolvesse sacrificar (enfim!) pelo povo e pela "democracia" em lutar pelo partido e ser aclamado como um D. Sebastião?

Pensam que de algum modo a sua inteligência consiste nalgum "Perfume"?

AZAR.

Para mim, se há algum derrotado nesta anedota do ano, é a arrogância.

domingo, outubro 07, 2007

Quiz

Pergunta: Como é que prolongas o teu poder num país se já estás no teu último mandato de presidente e não queres nem alterar a constituição nem fazer um golpe de estado?

Resposta: Fácil. Dás poder ilimitado ao primeiro-ministro, acabas o mandato de presidente e deixas que o próximo presidente te nomeie como tal.

Básico.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Chavez vs RCTV: sinais de totalitarismo ou de independência?

"However, let me say that I agree with the western criticism in one crucial respect. When they say nothing like that could ever happen here, that's correct. But the reason, which is not stated, is that if there had been anything like RCTV in the United States or England or Western Europe the owners and the managers would have been brought to trial and executed – In the United States executed, in Europe sent to prison permanently, right away, in 2002. You can't imagine the New York Times or CBS News supporting a military coup that overthrew the government even for a day. The reaction would be "send them to a firing squad" . So yeah, it wouldn't have happened in the west because it would never have gotten this far. It seems to me that there should be more focus on that."
CHOMSKY, Noam; in venezuelan analysis

quarta-feira, setembro 26, 2007

What can possibly go wrong?


When you add it all up, according to Das' research, a single dollar of "real" capital supports $20 to $30 of loans. This spiral of borrowing on an increasingly thin base of real assets, writ large and in nearly infinite variety, ultimately created a world in which derivatives outstanding earlier this year stood at $485 trillion -- or eight times total global gross domestic product of $60 trillion.
in MSN Money Central, negrito meu.

terça-feira, setembro 18, 2007

Como fazer pouco do Archie Bunker

2006. Jantar de jornalistas na Casa Branca. Stephen Colbert, do Colbert Report - programa que segue de perto o brilhante Daily Show - faz um discurso cómico sobre Bush. O resultado é já tido como clássico. Reparem na multidão, nas caras espantadas, ele disse mesmo aquilo? Reparem também na escassez de risadas. E reparem como ela contrasta com a qualidade do stand up. Jon Stewart classifica o acontecimento como "balliscious!" e não é para menos.

O texto é hilariante:

    We're not so different, he and I. We get it. We're not brainiacs on the nerd patrol. We're not members of the factinista. We go straight from the gut, right sir? That's where the truth lies, right down here in the gut. Do you know you have more nerve endings in your gut than you have in your head? You can look it up. I know some of you are going to say "I did look it up, and that's not true." That's 'cause you looked it up in a book.

    Next time, look it up in your gut. I did. My gut tells me that's how our nervous system works. Every night on my show, the Colbert Report, I speak straight from the gut, OK? I give people the truth, unfiltered by rational argument. I call it the "No Fact Zone." Fox News, I hold a copyright on that term.



Ou nesta parte, admoestando os jornalistas:

    But, listen, let's review the rules. Here's how it works: the president makes decisions. He's the Decider. The press secretary announces those decisions, and you people of the press type those decisions down. Make, announce, type. Just put 'em through a spell check and go home. Get to know your family again. Make love to your wife. Write that novel you got kicking around in your head. You know, the one about the intrepid Washington reporter with the courage to stand up to the administration. You know - fiction!



E continua, sempre neste tom. É oficial: ainda há homens com corajem.

Procurem a continuação (p2 e p3) no "menu" do vídeo. Estão lá.
Neste link também podem ver no Google Video.
Neste link podem ver a transcrição do monólogo.

domingo, setembro 16, 2007

Uma verdade inconveniente

"I am saddened that it is politically inconvenient to acknowledge what everyone knows: the Iraq war is largely about oil."

in "The Age of Turbulence"; GREENSPAN, Alan; 17 Semptember 2007

sexta-feira, setembro 14, 2007

Déja Vu

Engraçado.

Sempre que vejo o senhor Bush na televisão tenho uma sensação que já vi aquele personagem algures.

Até que me veio à mente.

Bush é Archie Bunker reincarnado.

terça-feira, setembro 11, 2007

Dois minutos de ódio



Mais um instante, e um guincho horrendo, áspero, como de uma máquina monstruosa funcionando sem óleo, saiu do grande televisor. Era um barulho de ranger os dentes e arrepiar os cabelos da nuca. O ódio começara.


Como de hábito, a face de Emmanuel Goldstein, o Inimigo do Povo, surgira na tela. Aqui e ali houve assobios entre o público. A rapariga loira emitiu um uivo misto de medo e repugnância. Goldstein era o renegado e traidor que um dia, muitos anos atrás (exatamente quantos ninguém se lembrava) fora uma das figuras de proa do Partido, quase no mesmo plano que o próprio Grande Irmão, tendo depois se dedicado a actividades contrarrevolucionárias, sendo por isso condenado à morte, da qual escapara, desaparecendo misteriosamente. O programa dos Dois Minutos de ódio variava de dia a dia, sem que porém Goldstein deixasse de ser o personagem central quotidiano. Era o traidor original, o primeiro a conspurcar a pureza do Partido. Todos os subsequentes crimes contra o Partido, todas as traições, actos de sabotagem, heresias, desvios, provinham directamente dos seus ensinamentos. Nalguma parte do mundo ele continuava vivo e planeando as suas conspirações: talvez no além-mar, sob proteção dos seus patrões estrangeiros; talvez até mesmo - de vez em quando corria o boato - nalgum esconderijo na própria Oceania.

(...)


No mesmo momento, porém, arrancando um fundo suspiro de alívio de todos, a figura hostil fundiu-se na fisionomia do Grande Irmão, de cabelos e bigodes negros, cheio de força e de misteriosa calma, e tão vasta que tomava quase toda a tela. Ninguém ouviu o que o Grande Irmão disse. Eram apenas palavras de incitamento, o tipo de palavras que se pronunciam no calor do combate, palavras que não se distinguem individualmente mas que restauram a confiança pelo facto de serem ditas. Então o rosto do Grande Irmão desapareceu de novo e no seu lugar apareceram as três divisas do Partido, em maiúsculas, em negrito: GUERRA É PAZ; LIBERDADE É ESCRAVIDÃO; IGNORÂNCIA É FORÇA


in 1984, George Orwell

segunda-feira, setembro 10, 2007

Game. Set.


Para mim o personagem da década. Imagino o vosso pensamento algo curioso e jucoso perante tal afirmação, pelo que passo a explicar-me. Não vejo, nesta década, outro personagem global tão misterioso, tão poderoso, tão temido, pois desconhecido, tão desrespeitado, incompreendido, tão alvo de crítica e definições pouco generosas, porém tão pouco ouvido de facto, tão invisível por detrás da retórica ocidental, tão pouco debatido, tão tido como facto perene, do tipo lá está outro Czar. Qualquer discussão sobre o homem não se baseia nos critérios aos quais subjugamos todos os outros, colocamos sempre um filtro místico de desumanidade sobre a sua face, proporcional à frieza aparente da sua personalidade.

E no entanto, a leste de todos estas indiferenças e ignorâncias, é o personagem mais interessante de toda esta geração de políticos.

É um líder de derrotados. Não nos podemos esquecer disto. Putin pega num país agastado, humilhado, roubado, violado, estripado e sem esperança, onde o consumo de vodka era superior ao da gasolina. Putin pega num país tresmalhado pela máfia, controladora dos recursos energéticos e de toda a economia de mais valor russa. Putin pega num país com um exército pobre e um arsenal imenso. Putin encabeça um país que acaba de ir ao chão. Porém estamos a falar de um cinturão negro de judo treinado no KGB. Autêntico desporto de quedas, aprende-se sobretudo a ignorar as lesões. A reerguer-se. A reconfrontar. A ganhar.
A desinformação é, no entanto, fulgurante.

Em oito anos, levanta um país. Olham-no de soslaio;


Estripa-o da máfia. Chamam-no de déspota e desumano;

Força a compra dos recursos energéticos pelo seu preço justo, mais de dez vezes aquilo que os abutres tinham pago à mãe rússia. Chamam-no de comunista;

Faz um teste com um submarino que é (acidentalmente) afundado por americanos, abafa o assunto, dá a cara, responsabiliza-se e em troca consegue o perdão da dívida americana. Chamam-no de incompetente;

Copia a Inglaterra e a Espanha e estabiliza o estado com a supressão da rebeldia tchetchénia, e chamam-no de tirano;

Exige de países contíguos que paguem o devido valor pela energia que todos os restantes pagam, e acusam-no de imperialista;

Critica a invasão ao Iraque e apelidam-no de anti-americano, arrogante;

Colocam-lhe mísseis à porta, reconstitui os voos estratégicos que os americanos e ingleses nunca abandonaram. Chamam-lhe agressivo;

Criticam a sua democracia, e por ironia é nos encontros G8 no meio da "civilização democrática" que a polícia se revela mais brutal que em qualquer outro ponto.

Entretanto, a sua dignidade é inabalável a todos os "escândalos". A sua certeza é a de alguém que já viu o futuro. A de alguém que já viu o desenrolar das peças no xadrez mundial. O seu olhar o de alguém que vê a rede a apertar-se cada vez mais à sua volta, o de um lutador que observa os rivais a aproximarem-se. O de um Rei que vê várias raínhas a ameaçarem mate, e ao invés de temer por si, teme por quem com tanta confiança a si avança. Um olhar de quem já quase perdeu o gosto pelo jogo, e no entanto, mais concentrado que nunca. A sua postura, no fundo, a de quem apenas teme a loucura dos outros. Aquele que apenas teme que esses se apercebam do óbvio e enlouqueçam, pressem demasiados gatilhos no desespero e partam o tabuleiro antes do fim do jogo.

Medo dos que não aceitem que o jogo já acabou e que a Rússia já o ganhou.

Game. Set. Match.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

ahhhh e tal...

Do próprio site do PCP:

10-É verdade que, no que respeita ao aborto, a lei penal portuguesa e a lei penal espanhola, são bastante similares, só que em Portugal ela é aplicada de forma muito restritiva ?

Na verdade a lei penal espanhola tem aspectos até mais restritivos que a lei portuguesa como por exemplo os prazos para aborto eugénico (22 semanas) ou na sequência de violação (12 semanas). Contudo, enquanto os serviços públicos de saúde fazem uma interpretação mais restritiva da lei, assim já não acontece com as clínicas privadas aonde se faz a larga maioria das IVGs em Espanha. De destacar que a lei espanhola não pune as mulheres que recorram ao aborto clandestino nos casos em que esse aborto tenha sido praticado pelos motivos que a lei permite (no entanto, os médicos, parteiras e outros, são punidos). De assinalar que, desde Fevereiro de 2000, foi autorizada em Espanha a utilização da pílula abortiva (Ru-486) nos serviços de saúde públicos, possibilitando a rapidez de atendimento nestes serviços. Está também regulamentada por lei a forma como se processa a acreditação de estabelecimentos de saúde privados para efeitos da prática da IVG e as exigências que são efectuadas (especialistas, instalações, práticas médicas a seguir, etc...).


Que treta. Quer dizer que isto tudo é uma farsa pegada. Aliás, a clínica espanhola Arco já disse que iria começar a "vender" abortos mesmo que o não ganhasse em Portugal. Lendo a lei portuguesa (no mesmo site, pode-se ver a referência aos artigos 140 a 142, etc do Código Penal) percebe-se porquê.

Pormenor interessantíssimo, a mulher na espanha não é criminalizada por fazer aborto clandestino. Mas o referendo omite qualquer alteração da lei portuguesa a este respeito.

Pergunta óbvia: mas então que merda de referendo é este que nos espetaram nas fuças?

sábado, dezembro 16, 2006

tributo a paula rego...

O aborto é uma realidade lamentável mas inescapável. Embora seja triste que muitas mulheres efectuem abortos, essa é uma realidade que não podemos evitar. Podemos naturalmente tentar evitar o maior número possível de abortos individuais, mas devemos também procurar que os abortos que, de qualquer forma, serão praticados, o sejam nas melhores condições possíveis e com o menor sofrimento possível. Só a despenalização do aborto, dentro de um prazo realista (praticável), permite garantir que todas as mulheres que estejam firmemente determinadas a abortar o farão em condições seguras e não traumatizantes.
É necessário um compromisso entre o direito à vida e o direito ao planeamento familiar. Não há planeamento familiar eficaz sem a possibilidade de, como solução de recurso, abortar. Efectivamente, todos os meios contraceptivos falham, por vezes, seja por razões técnicas seja por falha humana. O direito à vida sugeriria que a vida humana deveria ser protegida desde o instante da concepção. O

texto ridículo da autoria de www.euvotosim.org, desenho de Paula Rego

quinta-feira, novembro 17, 2005

Somos todos parvos?

Não conheço ninguém que fale "bem" da Ota e do TGV, mas o governo, munido do seu autismo de tradição cavaquista soma e segue, agora pressupostamente com os "estudos" feitos e disponibilizados. Vital Moreira, na sua arrogância habitual diz-nos que Agora que tais estudos começaram a ser disponibilizados, quase todos os protagonistas da referida campanha fazem de conta que eles não existem...

Vejam os estudos! Dou um bolo a quem conseguir abrir os primeiros PDF! MAS PRONTO, verdade seja dita, ainda há uns poucos que são legíveis. Talvez para apimentar sem dar toda a verdade?!? Como quem quer esclarecer sem o fazer?!? Ainda por cima mal "scannados"... Mas irei ler para ver o parvo por quem nos tomam realmente...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Ainda os Franciúús

Antes de mais tenho q deixar bem claro uma coisa, defendo castigos mais brandos para ladrões do que para vândalos. Um ladrão qdo rouba é para fazer negocio, ganha dinheiro, faz pela vida, um vândalo, qdo estraga, ñ ganha nada com isso, é só estragar por estragar.


Mais do que isso não me posso alongar, porque não compreendo as movimentações do sub-mundo francês. Estou certo q estas implicam realidades que nos ultrapassam a todos, é fácil tecer comentários sobre a escumalha de um pais, o difícil é perceber de onde ela aparece… será esta uma geração oriunda de um Magreb desolado pela guerra, incompetencia politica, e fome? Esta é uma geração de pessoas q vieram de africa, arábia, e afins, com a intenção de trabalharem num pais desenvolvido e terem uma vida melhor. Será que foi isso que encontraram? Esta sociedade de comunicação em q vivemos, mostra o idílico todos os dias. Ela empanturra-nos com o belo e o sublime aimperar, argumentando q o feio horrivel é algo de apenas pontual, e as pessoas acreditam piamente no que lhes mostram… não será q o senhor Bin Laden, qdo mandou as torres do WTC a baixo queria chamar a atenção para as mesmas coisas que este bando de rufias está agora a fazer?

Certos países ricos, estão a ficar cada vez mais ricos, e outros países pobres cada vez mais esvaziados de uma população que imigra constantemente para tentar encontrar os mundos idílicos que lhes apresentam nas novelas. Até que ponto é que os rufias não têm razão? Será comunismo querer um mundo mais justo e igualitário? Um mundo em q as pessoas não sejam forçadas a mudar de país, abandonar as suas casas, amigos e por vezes até mm famílias. Não concordo com os métodos, mas com as motivações...
A historia comprova q de facto dos oprimidos têm sempre formar erradas de chamar a atenção para as suas causas, o IRA e a ETA matavam conterrâneos seus, os palestinos imolavam-se em fogo, e qdo começaram a perceber que o cheiro a carne assada já não funcionava, começaram a matar-se de bombas ao peito…, no fundo todos esses terroristas do novo mundo lutam por uma nova ordem, melhor ou pior não sei… mas urge que ela apareca… até pq este ciclo histórico q atravessamos vive momentos de ruptura social intolerável!

quarta-feira, novembro 09, 2005

Sobre os distúrbios em Paris

Parece que hoje todos os blogs têm uma opinião definida sobre a polémica dos imigrantes rebeldes de França, tudo alarmado até parece que estamos em guerra com o Iraque ou que a China nos vai conquistar usando estratégias capitalistas! Porra que ridículo!

Bem, se quiserem a opinião deste bloguista sobre os franceses, digo estas palavras de grande sabedoria, que sempre se adequaram aos momentos mais solenes: Cabrões de merda, vão para a puta que vos pariu! Merdosos de trampa que me vêm com ideiais de "libertééé, fratérnitééé, igualitééé" mas que culpam os polícias de desancarem em escumalha (adoro o termo, não me parece haver outro mais preciso) e desculpam estes arruaceiros com ideias humanistas, escondendo-se atrás de merdas tipo sociologia, psicologia e mais tretas acabadas em logia!

Espectacular que políticos visitem o funeral dos dois arruaceiros electrocutados de modo suspeito e ignorem o funeral dos esses sim inocentes que morrem às mãos destes arruaceiros.

"O ataque pelo ataque. A violência pela violência. Um dos alvos da última noite foi um infantário. «Porquê um infantário? Porquê um carro, porquê uma escola? Não há resposta. É a violência cega» (depoimento de um cidadão)"

Extraordinário que, vendo milhares de carros em fogo, violências sem fim, um desrespeito total pelo homem, o jornalista da RTP pergunte logo: «A culpa é nossa, não é?» - e mais tarde remata: «As forças policiais também são acusadas dos distúrbios por aparecerem ostensivamente» (como C. Medina Ribeiro reparou)

Impressionante toda uma nação que se sente culpada por estes distúrbios, lembrando-se porventura dos Direitos Civis na América e pensando na quota parte da culpa da discriminação sobre os "Afro-americanos", fazendo a transposição directa para o seu problema de inserção social dos imigrantes.

Estupidamente ignóbil, se nos lembrarmos ainda da recente morte e funeral de Rosa Parks, que testemunha o modo certo e infalível de criar verdadeiras rupturas e crescimento na dignidade humana em todas as circunstâncias, quer sejamos Negros afro-americanos ou imigrantes franceses deslocados.

Mas perfeitamente compreensível se percebermos que a nação que sempre teve por bandeira a "opressão" capitalista e a resistência aos poderes americanos, desdenhando sempre as lutas internas na América como fazendo parte da sua política "desumana", é agora atacada por dentro dessa própria lógica, ironia das ironias, o país mais "social" da Europa, a França é também opressora e desumana!

Para mim, a esses coitadinhos, queimem-nos e não é muito. E juntem-lhe a eles os campangas da Frente Nacional. Com sorte ainda se conseguem fazer uns guisadosinhos e mandar para países com falta de alimentos. Depois de despidos, claro, que as roupas também dão jeitinho...

quinta-feira, setembro 22, 2005

Galáquicas 2005


Benvindos senhores espectadores à campanha eleitoral portuguesa. Irão assistir a um entretenimento como nunca se viu, com a qualidade das aquisições recentemente feitas pelos clubes em disputa, recheados de características que farão deles os mais destemidos galinácios, como por exemplo a pressão alta de interrupção constante do ataque adversário, de modo a obscurecer qualquer argumento do inimigo; o dito "insulto cirúrgico", cuja eficácia prende-se em irritar o adversário até ele cometer um erro e aí golpear até ao osso ( atinge-se um "extra bonus" quando se consegue que o adversário não nos cumprimente no final e um "combo plus" quando se consegue que os media dêem cobertura ao pormenor técnico).

É verdade que esta nova geração de lutadores de penas não sejam tão estimulantes para o espectador, já havendo algumas comparações com o "catenaccio" italiano, onde a defesa tende a suprimir qualquer intenção de ataque, mas uma nova época está aí ao nosso alcance, por isso prepare as pipocas e reúna os seus amigos para novos momentos de excitação e humor em todos os concelhos portugueses.

Obviamente pedimos ao leitor que assista assiduamente aos debates para que no fim não se esqueça de se deslocar ao estabelecimento definido pela sua freguesia para votar no galinácio que mais lhe interessou, quer em termos técnicos, tácticos, ou mesmo de humor e/ou puro espectáculo fornecido.


Faça-o ao mesmo tempo que vota no White Chapel como o "tropa" a saír na próxima semana.

quinta-feira, junho 02, 2005

França + Holanda

Isto para mim é mau sinal. Sinal de descrença, e essa é das piores maleitas que existem, quanto a mim. Num discurso à Yoda é fácil adivinhar o futuro: do medo, nasce o sofrimento, do sofrimento nasce a raiva, da raiva nasce o ódio, do ódio nasce o lado negro do mundo.

Antecipo uma grande guerra nos próximos quinze anos. Vou tentar arranjar uma hérnia que me impossibilite de lutar até lá, pois de guerras eu estou já farto de ouvir, quanto mais viver uma.

Esperança pessoal!! Ainda não entrou nessas cabecinhas ocas que todos os males nascem da desesperança??!?

segunda-feira, maio 23, 2005

Optimista desanimado

Numa altura em que o pais atravessa uma crise como não acontecia a muito tempo, num ano em que a economia mundial está a expandir-se com a notável excepção da Europa e dos UE, numa altura em que foi anunciado um défice do orçamento que mais do que duplica o aceitável pelos valores tabelados da união europeia, e em que a economia chinesa esmaga a ténue industria portuguesa com produtos de grande qualidade a baixo preço, estará na altura de fazer-mos uma reflexão sóbria e credível como é nosso apanágio sobre o doloroso momento que atravessamos…. A verdade pode ser chocante e difícil de acreditar.. mas anda lá por ai fora nas ruas e travessas de todas as tascas refundidas com cheiro a peixe frito…por mais chocante q seja, a verdade a realidade é que o Benfica foi mesmo campeão… Vivemos mesmo um momento de vergonha nacional… já ultrapassamos a fase da tanga.. neste momento batemos no fundo e já estamos a escavar… recuso-me a acreditar que um clube liderado por um velho traposo, um cilindro humano, uma menina com a mania que joga a bola e um preto apresentado como um herói salvador da pátria que dura no max 15min tomou de assalto as televisões juntamente com o sensacionalismo dos números de défices de finanças que a esmagadora maioria da nação não percebe, mas sente na pele… o IVA vai aumentar bem como o imposto sobre produtos petrolíferos e tudo o mais que conseguirem… a única coisa q vai mesmo baixar é o q podemos comprar com o nosso salário… mas isso não importa… o Benfica é campeão…. E é nesse mundo de ilusão que vamos vivendo…

sexta-feira, abril 29, 2005

Muita preocupação pouca vida

Ainda hoje li num autocarro da Carris uma pequena frase escrita num letring amarelo agressivo, impossível não ler, quase dá vontade de processá-los por assédio. Ela dizia: "Durante o tempo em que ler esta frase, 2 pessoas morrem de doenças profissionais". Depois de me lembrar da piada fácil "mas há doenças amadoras? E juvenis não?", fiquei lixado e pensei "E depois?!?" ou na versão inglesa: "Who cares?". Com tanta preocupação na minha cabeça ainda me vêm bombardear com esta treta de psicologia da culpabilização por não fazermos nada por um problema que passámos a saber que existe...

Fiquei a pensar no assunto, pois uma sensação de culpa cresceu mas ao mesmo tempo uma revolta, uma indignação. Obviamente que, se eu for a ver todos os problemas que me bombardeiam pelos média 24 horas por dia eu tenho duas hipóteses, qual a pior: ou endoideço por não conseguir ir a todas (ou a nenhuma...) ou alieno-me da situação e torno-me num drone.

E cheguei a uma conclusão: A culpa é da globalização!! Há um século o pessoal tinha de se preocupar era com os problemas da sua própria terra, e dentro da comunidade resolvia-os (a mal ou a bem!!), hoje já não há comunidades "locais" por isso não há controlo social ou assistência social no lugar. Impossível a um centro social pedir ajuda aos seus vizinhos: ora trabalham em Lisboa ora no Porto e estão sempre longe de casa, que é em Viseu...

Então a quem? Ao país inteiro. Imaginem uma catrefada de gente e de associações sociais a pedir o mesmo ao país inteiro. Imaginem que existe UMA por concelho capaz de fazer um anúncio que nos chegue a nós (exagerando um pouco, mas não muito!), agora imaginem um MUNDO a fazer isto a todos os países. (a palavra singularidade matemática diz-vos alguma coisa?!?) É de doidos. E pior: os anúncios estão cada vez mais agressivos, culpabilizando todos. O resultado não é mais ajuda: é a menor auto-estima de Portugal!!

Concelho: E se criássemos uma rede LOCAL para contrariar o GLOBAL? Assim cada um preocupava-se a SÉRIO com os seus problemas locais, e só quando a coisa fosse mais séria se pediria ajuda extra-local. Só uma ideia!