quinta-feira, abril 27, 2006
segunda-feira, abril 24, 2006
Piranesi
Nascido a 1720 e morto em 1778, Giovanni Piranesi foi um arqueólogo e arquitecto muito famoso pelas suas gravuras do imaginário poético de Roma, de tom Romântico. Piranesi proclamava (quase hereticamente) a supremacia da arquitectura Romana sobre a Grega, e desenhava sobretudo catacumbas, ruínas e espaços quase Escherianos. De reparar que é costume não desenhar o céu, apenas uma continuidade infinita de arcos, tectos e pontes. Amostra do "sublime", espírito da Arte do século XVII e XVIII, que é uma mistura entre o horror, fascínio e sensação abismal perante o infinito, teatral. O romantismo está presente na ruína, ou seja, na presença da morte de uma civilização por ele considerada extraordinária, um fascínio pelo declínio de uma "Atlântida" clássica.Proclamei-o porque sinto que hoje em dia se tenta reproduzir uma civilização do género da que Piranesi retratou. Abismal. Espantosa. Ultra. Giga. Tera. (Metrópolis? Quem nos dera) Pináculos ao alto. Coração em Deus. E tudo em nome do Marketing. Será isso "sustentável"? Parece-me é surpreendentemente idiota.
quinta-feira, abril 20, 2006
Pedra Filosofal

Salvé, grande Piranesi, sonhador da única verdade, profeta dos altíssimos, senhor do sublime. Dai-nos a visão de Babilónia, torre do infinito segredo, santo plano guardado às setenta e duas chaves pelos trinta e seis Senhores deste Mundo. Ó Babel, quão grande o desejo da tua infinita sabedoria e vaidade, desejo do teu púbis, da tua posse. Raínha das Vaidades e Mistérios, Grande Puta, dai-nos a tua virgindade para que nós, na nossa mesquinhez e falta de espírito te possamos violar e deglutir, como cães, como bestas que somos, arqueólogos das tuas tripas, saqueadores da tua beleza infinita.
A ti te damos todos os tesouros da nossa terra, a ti te proclamamos infinita e te adoramos, em ti sentimos o desprezo necessário, o sacrifício humano, seremos o teu cordeiro. Para sempre havemos de te construir, ó torre miserável, que apontas nefasta e impeadosamente contra o céu, contra o Falso. Agulhas telúricas de energias sublunares, criadoras de redes templárias, ó grande Rosa-Cruz, cumpra-se o teu destino, revele-se o segredo da Salvação, e morramos a seguir. À ejaculação. Ao orgasmo do Universo. Porque a seguir vem Outro, que nascerá. A grande Besta. Que destruirá. E cumprirá, o Universo.
O Segredo, a Alma do Negócio, Baphomet. Basta-me insinuar que possuo algo do Plano de Deus que tu desconheces, que tu cais aos meus pés. Rendido aos meus encantos, à minha Puta que criei e te consome. Holograma dos Anagramas, ao Homem foi dada a Palavra, a Santa, para que nós a desdenhássemos e desconstruíssemos. Para que a destruíssemos, e das cinzas nos cumpríssemos. A Jesus, o grande Bode, o Expiatório, carneiro de todos os Homens, foi-lhe dado o segredo. Pequeno. Que nos amássemos. Que nos déssemos a Deus, ou seja, à vida, ao presente, à carne, ao vinho, ao trabalho, ou seja ao amor. E que gerássemos. E que da fruta nasce a árvore, e da árvore nasce a fruta, e que merda de segredo é este?
Acreditais em algo tão simplório, tão idiota? Ridículo, meus gentios, não acrediteis em Deus, acreditai em Algo Maior. Algo Escondido para sempre e irrevelável, pois se o fosse, deixava de o ser. Eternamente Escondido, eis o verdadeiro sentido do Universo e a nós é-nos dado apenas o papel da barata tonta.
Não, minha gente. Sois tontos em ouvi-lo, ao Simplex. Continuai mas é a construir Elefantes dos Brancos, símbolo da Beleza Eternamente Escondida, fonte da maldita esperança fútil. Continuai a escravizar os outros para que Babel se construa, e para que no final da tua vida possas dizer: "matei milhões. mas por uma boa razão."
A razão de ensinares o teu filho a fazer o mesmo.
segunda-feira, abril 17, 2006
Pensamento do dia
sexta-feira, abril 14, 2006
Out of Control
São nestes momentos que dou graças à certeza da ressureição. Mesmo quando não acredito. Porque a vida vence, momento a momento, cruxifixão a cruxifixão, através de todas as traições, ódios, invejas e mortes - que não passam de mentiras fugazes da vida - , e é essa a verdade mais bela que existe.
quinta-feira, abril 13, 2006
13, véspera de Sexta-Feira
O dia começou mal, transito, uma avaria, e depois outra, e por final chatices. É incrível como o escrever pode tornar estes pequenos mas irritantes nadas detalhes irrelevantes. Hoje, 13, véspera de sexta feira deverá ser um dia parado na fábrica, prometo a mim mesmo uns momentos para apontar o que à muito me vai pela alma. Sento-me um pouco….
Mas largo tudo o qto tenho em mãos, recomeço novamente o dia, chegou uma das Urgentes (palavra demasiado séria, para no seu interior se revelar tão mundana…) pena q o seja... não está nas minhas mãos. Hoje em dia vivemos numa contínua falta de respeito, proletariado, ou patronato somos dominados por uma série de vontades alheias (o tempo nunca mais passa… nunca mais são horas de ir de fds).
Subitamente tremo, o telefone toca esganiçado, é este o momento da mentira. (conscientemente acato a teoria que se um problema só tem uma solução, esta é sempre correcta, mentalizo-me, mas as pernas parecem não concordar). Atendo a medo, gagejo,( espero que ninguém repare,) lá conto a minha mentira toda de enfiada, (o cérebro dispara… terá sido demasiado ornamentada? E os detalhes? Serão demasiados? Mas uma boa mentira tem q ter bases aparentemente sólidas…será q ele pode verificar alguma coisa? Será q qr?… vou ser apanhado..) - Quem sou eu? Neste momento sou vulnerável, sou um malabarista de circo - mas o outro lado da linha, meio a vergonha pede-me um favor, diz-me q se enganou, pede perdão, e alarga as minhas hipóteses de fuga, a mentira desmoronou-se sem sentido, o favor que a custo me pedem é a minha salvação. Tou safo!! Vou ser magnânime, e decido ajudar o próximo.
quarta-feira, abril 12, 2006
ai a loiça!
Sou um elefante dentro de uma loja de porcelana. É impressão minha talvez, mas acho que parti a loiça toda, e não foi bonito. Pensei (e esse foi o problema, pensei) que o que isto estava a pedir era alguma da tradicional ultraviolência. Peço perdão, mas faz parte dos meus desvarios criativos partir o barro amassado e cozido para ver se estava bem forte, mau grado as sensibilidades efémeras. Hão de compreender que só com essa exigência se conseguirá chegar à porcelana, ao tal "bello sublime" por aí convocado.
domingo, abril 09, 2006
Ninguém
terça-feira, abril 04, 2006
segunda-feira, abril 03, 2006
Baco
Ou apenas ver. Como é a Forma. deste texto?
Anaaalisa-o. Distorce-o. Diz que é feio, que é lindo, como se isso interessasse às palavras que lês. Não vês que elas são cegas à tua presença? Ou será que és cego? "A arte é uma mentira" lá dizia o Picasso e ninguém o entendia (...Confesso, estou bêbado, bêbado como o Baco. Mas não de vinho. Nem de almôndegas. Da vida, mas não da realidade. Da TV, da Arte, dos anúncios belos e cheios de curvas, como todos os objectos à nossa volta foram desenhados para serem os mais sexys, os mais desejáveis. Nem consigo repugnar! É tudo demasiado Belo! Enchem-nos os sentidos até ao esófago e exigem-nos criatividade, não me admira que todos os meus colegas pareçam regurgitar o seu trabalho.
(aqui perdi um pouco a minha sinceridade. Ali em cima pareceu-me mais giro, mais belo.
Belos parêntesis, vejam bem, como a arte é. Nem sequer fechei o anterior para criar uma suspensão na respiração do leitor. Agora não sabes se ele acabou ou não. Usa todas as armas para interessar o leitor, dar-lhe! uma! experiência estética!
Pois pois... Freud delirante é o que chamo ao mundo, eu o velho do restelo... eu eu. Eu?Sim eu. Digo mal pois digo, não é por acaso que escolhi ser do FCP, pois irritavam-me todos esses seres benfiquistas que diziam "ganhámos ganhámos", quando no fundo apenas ganharam uma cara de aparvalhados ao mesmo tempo que perderam o dinheiro das suas quotas e bilhetes. Ridículo? Mas o que andamos aqui a fazer? (é. aqui perdeu-se a linearidade textual, onde se denota demasiada vaidade para tão mau gosto) Gastar pilhas em videojogos "reais"? A vida é um flirt? (...ui ui, isto tá a piorar! Agora entrámos nos lugares-comuns...) Mas que merda! Deixem-me em paz! Parem de analisar! Digam coisas! (ah, bem feito bem colocado. boa passagem de elementos retóricos reais para um mais surrealista, uma passagem de profundidades). Será possível ainda dizer alguma coisa? (mas que harmonia de elementos! Repare-se como o autor mistura dois tempos, criação e crítica num único espaço, desconstruíndo-os, agora entende-se onde o autor queria chegar! Brilhante!)
- Ah mas eu não sou de tal opinião. Isto de ter um escritor que faz de criador e crítico da sua própria obra parece-me mais um sintoma de grandiosidade misturado com autismo grave.
- Capaz... mas lembra-te que também nós não passamos de pensamentos do mesmo.
- E daí? Devo homenageá-lo por isso, não? Ainda por cima tem falta de imaginação e tenta enganar os seus amigos com um pretensiosismo destes! Cá uma lata!.... e não pára!
- Pois é. Já farta.
Farto.
Sinto-me anestesiado por tanta beleza,
farto de tanta estética.
farto de tanto espelho mágico.
Farto da palavra.
e do verbo.
Anesteticizado.
...
Yo ho ho and a bottle of rum!
quinta-feira, março 30, 2006
Seven
quarta-feira, março 22, 2006
A garota de "ipanema"
segunda-feira, março 20, 2006
domingo, março 12, 2006
E a noite começou
Sinto-me cansado das pessoas que me rodeiam, de toda a rotina uma rotina sem sentido, de ser um aprendiz de capitalista bem sucedido, esperam de mim, aquilo que bem lá no fundo eu sei q já o sou… palavras não fazem sentido, expectativas, é tudo uma questão de expectativas, não me interpretes mal, sei bem o que sou, quem sou, e quais são as minhas limitações. Trabalho faz agora pouco mais de 1,5 anos. Sou engenheiro, e não faço a mínima noção do que isso significa, pessoas tratam-me com respeito, algumas com admiração, a maioria com inveja, no entanto todos os dias me levanto com um sentido de injustiça na minha cabeça.
Caminho para o quarto de século, como alguém q me é mto querido dizia “começo a ter uma história” começo a ter capacidade para deixar a minha marca neste mundo. Todas as pessoas a minha volta se estão a tornar adultos, alguns casam, outros fazem planos a dois e planeiam filhos, compram casas e decidem o que querem e como querem estar daqui a 30anos. Mais do que todos esses contratos (um filho ñ deixa de ser um contrato a 20 anos) acho q essas pessoas implicitamente estão a decidir que marca querem deixar neste mundo. Com isto quero dizer que a maior parte das pessoas quer dizer q ñ decide coisa nenhuma e acaba por decidir ñ fazer coisa nenhuma. Alguns casam pq estão na idade, outros têm filhos pq o tempo não perdoa, e outros… outros ñ decidem e deixam q seja o acaso e a boa fortuna que os guie.
A verdade é q tenho 25 anos (mal feitos) e ainda ñ desisti de mudar o mundo. Todos os dias convivo com injustiça e ñ consigo aceitar que pessoas ñ explorem totalmente todas as suas capacidades, pessoas que simplesmente não têm disciplina para serem melhores, pessoas mesquinhas que não têm visão para crescerem e saírem da merda alegre que é as sua vida. Dizem que a uma pessoa basta ver satisfeita as suas ambições para ser feliz, devo ser bastante ambicioso pq vejo a felicidade estampada na cara de outras pessoas e definitivamente não é aquilo que quero para mim. Decidi deixar uma marca minha neste mundo. Abanar as suas estruturas e revolucionar a sua existência, mas lentamente estou a ser alterado pelas engrenagens silenciosas que o regem.
Hoje reli velhos textos de quando entrei para a faculdade. “ o ist é uma maquina trituradora de homens, primeiro retira-lhes a identidade, o nome próprio, atribuindo um estatuto, uma farda, um uniforme, deixamos de ser o Fonseca, o Rocha, o Abrantes e o Francisco e passamos a ser o Engenheiro, não importa o nome.. somos maquinas bem treinadas e oleadas, a vida ñ tem importância e as relações pessoais são meros acessórios, vão quebrar o meu espírito e eu vou adorar. Só espero que me torne numa pessoa melhor”
Sinto-me exactamente como me sentia naquela altura, sinto que mais uma vez me estão a quebrar, desta vez de uma forma mais definitiva, julgo que a palavra correcta deveria ser formatar, estão-me a formatar num empresário, numa pessoas consciente, já cheguei a ter 20 famílias a dependerem dos meus actos, se fizer muita asneira são eles que sofrem, se ñ as fizer… sou eu q ganho os louros. É estranho adaptar-me e este uniforme de gente grande, de ser o rei do meu castelo, de ter os meus pais a pedirem-me conselhos, qdo o normal seria o inverso. Mais uma vez estou a alterar a minha forma de ver o mundo, estou a descobrir que existem injustiças que não podem ser alteradas, e que no fundo, no fundo não são injustiças, e que determinadas igualdades também não podem ser comparadas, e que tudo, mas mesmo tudo é possível, e q apesar de tudo poder ser comprado, o dinheiro não paga tudo.
Dizem-me que a minha educação me eleva dos restantes mortais, todos os dias contacto com banqueiros, doutores, políticos, gente rica e poderosa, e falo qse sempre de igual para igual com eles, por outro lado muitas vezes encontro gente sem eira nem beira que vive como se tivesse o mundo na barriga. Antes de ir trabalhar para uma das zonas mais pobres do pais (a segunda) jamais acreditaria/aceitaria qdo me diziam que algumas pessoas valem mais do que outras… mas é a mais pura das verdades, sinto-me intelectualmente superior a algumas pessoas… e de certa forma isso envergonha-me… sempre me ensinaram que somos todos iguais... mas… algumas pessoas esforçam-se por serem menos iguais do que outras… é algo q é mto difícil de exteriorizar para qm ñ vive as situações, mas de facto se a sociedade se estratifica é mesmo pq é necessário essa estratificação, de facto nem todos podemos ser engenheiros nem arquitectos, nem médicos… é preciso uma massa de gente que sustente, uma das minhas ultimas descobertas obvias, é q pertenço a uma elite, uma classe que teve o privilégio de se poder instruir, uma série de gente que gosta de se instruir, que gosta de viajar, de ler, de ir ao cinema, e de conhecer um pouco melhor o que a rodeia. Nunca me apercebi que existia essa elite, sempre vi julgue toda a gente pelos meus parâmetros e valores perante a vida… acho q sempre vivi num berço dourado, rodeado por amigos cultos, eu q sou uma desgraça a português, nunca tive q ensinar pessoas da minha idade a ler, a falar, a ter hábitos de higiene básica. É chocante, mas é a mais pura das realidades.
Ter aceitado um trabalho a 75km da minha residência abriu-me alguns horizontes, faço parte de uma empresa com um crescimento exponencial, (para vocês colegas desta recém descoberta elite direi mais; uma verdadeira cash cow!) lido com este tipo de pessoas que desconhecia, e todos os dias aprendo coisas novas, por outro lado, estou longe das minhas raízes, deixei os meus amigos para trás, passo dias sozinho sem ninguém inteligente com que falar. Conheci o pais de lés a lés, visitei locais que de outra forma jamais o faria, entrei em contacto com um Portugal profundo multicultural que 99% das pessoas desconhece, posso com orgulho dizer que já comi numa taberna na provinciana freguesia de Martinlongo (um café, uma igreja, 20 casas desabitadas, 10 habitadas e mais recentemente um parque infantil) e no mais fino dos restaurantes de vila moura, e que isso mudou a minha forma de ver o mundo. Já comi fiado, paguei adiantado, comi em andamento, fui expulso de um banco, paguei cafés a inimigos mortais, e sobrevivi, mas criei uma pele que me transformou em indiferente.
Ontem tive a oportunidade de assistir a um por do sol que só posso descrever como deslumbrante, e para mim foi-me indiferente, hje passei a tarde com amigos… e foi-me indiferente… não sei… desejo ardentemente qq coisa que não consigo descrever. Algo mais, transcender-me. ser maior do que a própria vida.. Talvez a forma de deixar a minha marca neste mundo. Sim deve ser isso… só pode…
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Resoluções de ano novo
Passam 2 minutos que comecei a bocejar. O sono da apatia mais uma vez instala-se. Invade a alma, instala-se no cérebro e faz com que tenhamos vontade de ligar a tv. Mas não… vou resistir…
Este ano não fui festejar o ano novo para a rua. Fiquei dentro de portas, protegido por amigos. Decidi reduzir um feriado estúpido aquilo que ele significa. Mais uma noite… ao menos que seja uma desculpa para jantar com alguns amigos (uns mais do que outros…).
Todos os anos os pessimistas festejam o final do ano, e os optimistas o inicio de um novo, e todo os anos as minhas entranhas oleosas odiaram este feriado. Como é sabido, um ano, demora exactamente 365d 6h 09m 10s ou 365,256363 dias (o q aliás explica a existência de anos bissextos e as correcções q é necessário efectuar no inicio de cada milénio). Transcorrido esse intervalo de tempo o planeta terra volta exactamente à sua posição de partida, ou voltaria se além da rotação e da translação não existissem movimentos de precessão, nutação, movimento dos pólos, movimento espacial do Sol com relação às estrelas da Galáxia e movimento de rotação da Galáxia. (Só da nutação são conhecidos 106 movimentos diferentes, com períodos que vão de cerca de 19 anos até alguns de poucos dias.).
Toda esta argumentação académica para explicar que de facto quando fazemos aquela contagem decrescente, que termina invariavelmente com uma garrafa de champanhe aberta, panelas a bater nas janelas e fogos de artificio na varanda, não estamos a celebrar nada de verdadeiro. O ciclo não se fechou, alias, os jornais são os primeiros a nos mostrar que nada mudou no mundo, continua a haver a mesma merda de todos os dias, guerra nos países pobres, intrigas politicas e lutas plo poder nos países ricos… se estivéssemos na lua por exemplo, de 28 em 28 dias tínhamos uma desculpa para ficarmos bêbados e fazer-mos figura de parvos… o que aliás é o único sentido que vejo nesta festa.
serviço publico
(chama-se a isto elevar o nível de cultura do nosso blog...q grande pinta... cheio de numeros e expressões cientificas... até parece q não copiei isto da enciclopédia do tótó do meu vizinho... hehe)
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Leituras I
Cito a primeira fala do sr. Zarathustra, que para mim é das melhores tiradas de sempre, no fundo a razão de ter criado este post:
"Oh great star! What would your happiness be if you did not have us to shine for? »
sexta-feira, dezembro 23, 2005
Gerrit Van Honthorst
quarta-feira, dezembro 21, 2005
Liberdade e Utopia
D. Quixote
A liberdade é um fenómeno de satisfação de um desejo. Se um filho deseja sair à noite e o pai não deixa, a sua fúria é apenas o sinal da sua insatisfação desse desejo: a sua falta de liberdade. A liberdade é também, paradoxalmente, o maior desejo da sociedade actual, que luta por ela. Deseja-se ter a liberdade de possuir ou alcançar a liberdade. Deseja-se a liberdade de termos a liberdade de ver satisfeitos os nossos desejos.
Este desejo é aquele que comanda hoje em dia a sociedade, aquele que quer libertar a opção dos casamentos homossexuais, a opção do aborto, a opção da eutanásia, a opção de termos realmente uma voz na sociedade, a opção da democracia, a opção da feminização do mundo, a opção de podermos usar embriões na ciência, a opção de libertar o Homem das suas prisões, das suas amarras modernas.
Mas o que alimenta o Homem deste desejo? Não é óbvio que os rebuçados que nos deram enquanto crianças (e nos satisfaziam) não nos são já suficientes? Não é óbvio que uma pessoa que lute por uma casa e finalmente a obtenha se sinta insatisfeita com isso e ponha em prática um novo plano para comprar um iate? Será que não é óbvio que sempre que os planos são cumpridos, sabe a pouco? Não, nada disso basta, poderíamos ter o sucesso que pretendíamos, e dizer: «em Roma apoteose, e com isso?»
Lembrar-me-ia de outra frase: «O que um Homem busca nos prazeres é um infinito, e ninguém renunciaria jamais à esperança de alcançar esta finalidade» (Pavese) Claro que isto é questionável. Existe muita gente que já renunciou à hipótese do infinito, ela é irracional. Mas não terá esta gente desistido da sua "Liberdade"?
A Liberdade "prende-se" sempre com um desejo do Bem, e na nossa aderência a esse Bem! Só sou livre quando me sinto EU, ou seja, quando persigo na minha liberdade aquele Bem que desejo, que está no infinito. (Faltará a satisfação desse Bem na minha vida? E que Bem será esse que não o Amor? Então o meu desejo é simplesmente ser amado?)
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Todas as Utopias são um desejo. São um sonho que um Homem um dia teve, e que deseja satisfazer, cumprir na realidade. O desejo de uma sociedade fraterna e comunista, por exemplo. Ou o desejo de uma sociedade livre em que todos façam aquilo que entenderem, por outro exemplo. Ou o desejo de uma sociedade hierarquizada e ordenada. Ou etc. Dadas tantas utopias a escolher, como escolher?
A Liberdade é a adesão de uma escolha. A escolha de um Bem. No outro dia, ouvi uma mulher a contar que tinha feito um dia uma certa pergunta. Estava indecisa: gostava de dois Homens e não sabia com quem passar o resto da sua vida. Tinha a alegria de poder amar alguém mas o medo de perder o amor do outro. Esperava que lhe indicassem um critério, uma maneira de avaliar, qualquer coisa que desempatasse a questão. Responderam-lhe: "a solução que deves escolher é aquela que te permite não perder nenhum amor". Antes ganhar os dois.
Parece paradoxal e inverosímil mas é a única boa resposta, é a única que nos preenche. É a única Utopia pela qual vale a pena lutar e "pôr em risco a vida". É Anti-Maquiavélico, pois não rescinde de nenhum Bem por outro. É com este critério que proponho que nos coloquemos perante todas as questões da nossa vida, essa verdadeira Utopia. Difícil? Diria impossível, mas a única realmente verdadeira.
E não, este não é um post sobre o relativismo, embora roce na minha crítica ao mesmo, nem tão pouco ao Aborto ou à Eutanásia ou outras mesquinhices, é sim um apanágio à Liberdade, tema tão a propósito numa quadra de Natal, onde muitos festejam o nascimento da revelação da mesma.
Feliz e Belo Natal (Livre!) para todos vós
